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"A Ponte do Diabo" em festa

Publicada a 09 de Julho de 2010

Espectáculo teatral «A Ponte do Diabo» reuniu centenas de figurantes e curiosos Numa parceria entre os municípios de Montalegre e Vieira do Minho, juntas de freguesia de Ferral e Ruivães, sob a supervisão artística do Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso, nasceu um espectáculo, na Ponte da Misarela, que surpreendeu o muito público presente. Uma aposta que segundo a organização é para repetir.

Foram quatro os ranchos do município de Vieira do Minho que fizeram as delícias dos presentes (Grupo Recreativo e Folclórico do Mosteiro, Grupo Recreativo e Folclórico de Pandozes, Associação Cultural e Recreativa "Os Ceifeiros de Cantelães", Associação Cultural e Recreativa "A Mocidade dos Anjos") assim como o Grupo de Concertinas Rouxinóis do Vale do Cávado e o Grupo de Danças de Salão de Vieira do Minho. Do concelho de Montalegre, destaque-se as actuações da Escola de Concertinas de Montalegre, Grupo Tradição e ainda uma encenação do Grupo de Teatro de Ferral. O auge do evento deu-se com o espectáculo "A Ponte do Diabo" que contou com a participação de actores do Centro de Estudos de Barroso - Teatro e Tradições, do grupo de teatro de Ferral e actores de Vieira do Minho, sob a orientação artística do Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso.
 
"A PONTE DO DIABO"

Assim que anoiteceu, como se de um desfile se tratasse, figuras do imaginário fantasmagórico atraíram todas as atenções. De um lado Gervásio, Senhorinha, os Padrinhos e as Guias imploraram ao Diabo que devolvesse a força às águas do Rabagão para que pudessem baptizar a criança que Senhorinha trazia no ventre. O Diabo, por sua vez, exigiu que o malfeitor entregasse a sua alma já prometida, pois só desta forma devolveria o poder aos Espíritos das águas. Eis então que Gervásio, com a ajuda dos espíritos das pedras, (Jogo do Pau de Salto e Gaiteiros de Pitões) consegue capturar o Malfeitor. O poder é devolvido às águas e Senhorinha consegue baptizar o seu filho.
 
APOSTA PARA REPETIR

A organização não poderia estar mais satisfeita: se por um lado a adesão da população na preparação das infra estruturas que acolheram o evento foi positiva, por outro lado a iniciativa conquistou o público de tal forma que após o espectáculo a animação continuou nas tascas de ambos os lados.  
 
LENDA
 
Reza a história que este estranho namoro nas terras do Barroso, que esta gente era simples e forte, crente e temente a Deus e “medrosa” do diabo. Tudo começa quando um criminoso, que vagueava escondido pela região, foi perseguido e descoberto pelas autoridades locais. Numa fuga, pois era bem conhecedor do local, deparou-se com um obstáculo. Um rio, de Rabagão de seu nome, entre os enormes penhascos. Apelou ao diabo e aquele fez aparecer a ponte a troco da alma. O negócio ali foi selado, e o criminoso passou a ponte e, após estar bem assente do outro lado, o diabo fez esfumaçar a ponte. Dessa forma, as autoridades não conseguiriam apanhar o “fuinha”.
Mais tarde, já arrependido, confessou-se a um frade e, criminoso que é criminoso, volta sempre ao local do pecado, e este dirigiu-se para o lugar, mas acompanhado do frade. Quando o “fuinha” apelou novamente ao diabo, este fez aparecer a fria ponte, mas o frade - quando o criminoso ia a meio da travessia -, benzeu-a e a ponte ali ficou até aos dias de hoje, fazendo também como que o “fuinha” recuperasse a alma.
A história correu de boca e boca, e passou a ser local de “fertilidade”. Daí para a frente, quando uma mulher não “levava os filhos a cabo”, deslocava-se à “ponte do diabo” e pernoitava lá até alguém passar. O primeiro a chegar teria que ser padrinho ou madrinha da criança, que haveria de se chamar Gervásio, se fosse rapaz, e Senhorinha, se fosse rapariga, numa espécie de um prébaptismo para que a gravidez fosse a bom termo.

.. "A Ponte do Diabo" em festa.. Notícia publicada a 09 de Julho de 2010. .. Numa parceria entre os municípios de Montalegre e Vieira do Minho, juntas de freguesia de Ferral e Ruivães, sob a supervisão artística do Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso, nasceu um espectáculo, na Ponte da Misarela, que surpreendeu o muito público presente. Uma aposta que segundo a organização é para repetir.. .. Foram quatro os ranchos do município de Vieira do Minho que fizeram as delícias dos presentes (Grupo Recreativo e Folclórico do Mosteiro, Grupo Recreativo e Folclórico de Pandozes, Associação Cultural e Recreativa "Os Ceifeiros de Cantelães", Associação Cultural e Recreativa "A Mocidade dos Anjos") assim como o Grupo de Concertinas Rouxinóis do Vale do Cávado e o Grupo de Danças de Salão de Vieira do Minho. Do concelho de Montalegre, destaque-se as actuações da Escola de Concertinas de Montalegre, Grupo Tradição e ainda uma encenação do Grupo de Teatro de Ferral. O auge do evento deu-se com o espectáculo "A Ponte do Diabo" que contou com a participação de actores do Centro de Estudos de Barroso - Teatro e Tradições, do grupo de teatro de Ferral e actores de Vieira do Minho, sob a orientação artística do Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso.   "A PONTE DO DIABO" Assim que anoiteceu, como se de um desfile se tratasse, figuras do imaginário fantasmagórico atraíram todas as atenções. De um lado Gervásio, Senhorinha, os Padrinhos e as Guias imploraram ao Diabo que devolvesse a força às águas do Rabagão para que pudessem baptizar a criança que Senhorinha trazia no ventre. O Diabo, por sua vez, exigiu que o malfeitor entregasse a sua alma já prometida, pois só desta forma devolveria o poder aos Espíritos das águas. Eis então que Gervásio, com a ajuda dos espíritos das pedras, (Jogo do Pau de Salto e Gaiteiros de Pitões) consegue capturar o Malfeitor. O poder é devolvido às águas e Senhorinha consegue baptizar o seu filho.   APOSTA PARA REPETIR A organização não poderia estar mais satisfeita: se por um lado a adesão da população na preparação das infra estruturas que acolheram o evento foi positiva, por outro lado a iniciativa conquistou o público de tal forma que após o espectáculo a animação continuou nas tascas de ambos os lados.     LENDA   Reza a história que este estranho namoro nas terras do Barroso, que esta gente era simples e forte, crente e temente a Deus e “medrosa” do diabo. Tudo começa quando um criminoso, que vagueava escondido pela região, foi perseguido e descoberto pelas autoridades locais. Numa fuga, pois era bem conhecedor do local, deparou-se com um obstáculo. Um rio, de Rabagão de seu nome, entre os enormes penhascos. Apelou ao diabo e aquele fez aparecer a ponte a troco da alma. O negócio ali foi selado, e o criminoso passou a ponte e, após estar bem assente do outro lado, o diabo fez esfumaçar a ponte. Dessa forma, as autoridades não conseguiriam apanhar o “fuinha”. Mais tarde, já arrependido, confessou-se a um frade e, criminoso que é criminoso, volta sempre ao local do pecado, e este dirigiu-se para o lugar, mas acompanhado do frade. Quando o “fuinha” apelou novamente ao diabo, este fez aparecer a fria ponte, mas o frade - quando o criminoso ia a meio da travessia -, benzeu-a e a ponte ali ficou até aos dias de hoje, fazendo também como que o “fuinha” recuperasse a alma. A história correu de boca e boca, e passou a ser local de “fertilidade”. Daí para a frente, quando uma mulher não “levava os filhos a cabo”, deslocava-se à “ponte do diabo” e pernoitava lá até alguém passar. O primeiro a chegar teria que ser padrinho ou madrinha da criança, que haveria de se chamar Gervásio, se fosse rapaz, e Senhorinha, se fosse rapariga, numa espécie de um prébaptismo para que a gravidez fosse a bom termo..
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