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MONTALEGRE - "25 de Abril" (40 Anos)

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25 Abril 2014

As quatro décadas que lembram a "revolução dos cravos" foram assinaladas pelo município de Montalegre com um conjunto de atividades. Entre elas, a cerimónia simbólica do hastear da bandeira e uma sessão solene realizada no renovado salão dos Paços do Concelho, onde foi traçado o diagnóstico do país ao mesmo tempo que foram lançadas as "sementes" que devem nortear o futuro.


Tal como sucedeu por todo o país, também Montalegre teve memória ao recordar o que floresceu há 40 anos em Portugal. Um dia que marcou a modernidade portuguesa libertando o país do calvário da opressão. Uma jornada carregada de nostalgia que arrancou cedo com a tradicional alvorada de morteiros. Houve arruada pelos "Zés Pereiras" e o obrigatório hastear da bandeira que juntou alguns populares na praça do município. Nesta cerimónia marcaram presença os bombeiros voluntários de Montalegre e Salto e a banda musical de Parafita. Seguiu-se a sessão solene comemorativa dos 40 anos da "revolução dos cravos" que lotou o salão dos Paços do Concelho.
 
«ESTÃO A FAZER DE PORTUGAL
UM PAÍS DE VELHOS E POBRES»
 
O primeiro a discursar foi Fernando Rodrigues, na qualidade de presidente da Assembleia Municipal. Classificou o 25 de Abril como «a data mais importante da nossa história». O antigo presidente da autarquia referiu: «foi o dia em que acabamos com um ciclo de pobreza de 48 anos. Foi a festa da alegria onde passamos a ter o futuro nas nossas mãos. Os sonhos, impedidos durante tantos anos por governos opressores que prendiam e torturavam, floresceram. Explodiram ideias de generosidade que transformaram rostos sombrios sem esperança em gente feliz com lágrimas». Todavia, afirmou Fernando Rodrigues, o presente é desolador que mina qualquer ambição humana: «temos a obrigação e o direito de dizer que nos estão a barrar o caminho. A destruir o que fizemos e a roubar o direito à esperança e ao sonho dos nossos filhos». O presidente da Assembleia Municipal de Montalegre lembrou que «o 25 de Abril foi um ensinamento», daí que a missão de cada um seja importante para contrariar uma tendência que tem arrastado o país para o descrédito: «queremos continuar, ou resgatar se for necessário, o 25 de Abril para o povo. O 25 de Abril não se fez para favorecer os paraísos fiscais e proteger os monopólios. Não se fez para os mercados, para os bancos, para os credores, para a dívida, para o défice (...), para o BPN ou para os submarinos...o 25 de Abril fez-se para servir o povo, para servir Portugal e para servir os portugueses. É este espírito que aqui reclamamos». Por fim, Fernando Rodrigues relatou o que vê e sente nos portugueses com as políticas que os governantes têm aplicado em Portugal: «estão a destruir tudo! A destruir a economia, as empresas, as famílias, as pessoas, o futuro...estão a fazer, com estas políticas, um país de velhos, de pobres e de pedintes. Estão a empobrecer os portugueses e a fazer com que Portugal volte à vida de pobreza e de miséria dos tempos de Salazar».
 
«NÃO ESTÁVAMOS PREPARADOS»
 
Como o protocolo exige, a sessão solene encerrou com as palavras do presidente da Câmara de Montalegre. Orlando Alves traçou uma radiografia do que era Portugal antes da revolução e concluiu que os portugueses não estavam preparados para a mudança que ocorreu: «não estávamos preparados para a sã convivência. Vimos na democracia sinónimo de vida fácil quando tem de ser entrega, luta, querer, vontade de singrar e vencer. A democracia é sangue, suor e lágrimas. Era o que qualquer governante sensato deveria recomendar tal como fez Churchill na preparação dos ingleses para a guerra e que no meio de muita incerteza disse claramente que era a única coisa que podia garantir ou prometer. Por cá eram só manhãs que cantam, vida fácil, promessas risonhas de um Estado obeso que a Nação não comporta».
 
«DERRETEMOS TUDO EM FACHADA»
 
Orlando Alves defendeu que os governantes não souberam aplicar da melhor forma o muito dinheiro que foi descarregado em Portugal vindo da Europa: «derretemos tudo em fachada. Da ilusão do dinheiro fácil, que nunca nos demos conta se íamos ter de pagar um dia com língua de palmo, caminhámos, sem que alguém nos orientasse, para a desgraça coletiva onde hoje estamos mergulhados». Ainda no mesmo tom, disse: «quais morgados que não têm onde cair depois de mortos, abandonámos a agricultura, desmantelámos fábricas, abatemos os barcos de pesca - nós que temos a maior zona exclusiva do mundo - e demo-nos à preguiça, à ilusão de que seria possível viver sem trabalhar». O presidente da Câmara continuou com os lamentos: «hoje dizem estudos recentes que temos a quarta maior rede de estradas do mundo. Que não utilizamos por não termos dinheiro para portagens. São obras de arte para contemplar em fotografia aérea. E, ironia do destino, com tanto quilómetro de estrada, chega-se 40 anos depois à vergonha de vermos o nosso concelho confinado às montanhas de sempre e sem uma acessibilidade digna à famosa rede de autoestradas entretanto feitas e que iriam revitalizar o interior esquecido e tirar Portugal do atraso em que vivíamos». A reboque, reforçou a amargura com um exemplo que acontece no concelho: «até a 103, estrada turística por excelência e a nossa preferida para acesso ao litoral, ficou menos atrativa quando deixámos que se transformasse no estaleiro que hoje é. Nada disto aconteceria se, tal como a Constituição saída do período pós-revolucionário preconiza, a regionalização tivesse sido implementada. Com ela teríamos um governo de proximidade que pensaria a região como um todo e jamais deixaria Montalegre sem uma acessibilidade fácil e digna à rede de autoestradas».
 
«SOMOS O PAÍS EUROPEU
CAMPEÃO DAS DESIGUALDADES»
 
Perante um salão repleto que ouvia o presidente da Câmara com a máxima atenção, o discurso de Orlando Alves voltou a girar na falta de rigor que houve ao longo destas décadas muito por culpa do jogo de interesses que está implantado em cada um de nós: «vivemos numa sociedade que protege interesses instalados; que defende o setor público quando 25% da população com menos de 30 anos está no desemprego e só um setor privado forte, ativo e operante pode absorver; que defende intransigentemente direitos adquiridos enquanto jovens licenciados emigram ou vendem a força do seu saber por 500€/mês e ignora os que por falta de emprego ou crónica ostracização estão reduzidos à miséria, entregues à sua sorte e não têm direitos quase nenhuns; somos o país europeu campeão das desigualdades; somos herdeiros e carregamos o fadário daqueles que expulsaram os judeus, essa elite culta e rica que desperdiçámos a favor de países como a Holanda, nossa rival, que cedo percebeu a vantagem das rotas comerciais e feitorias que aqueles ajudaram a estabelecer; somos o país que ocupa os primeiros lugares da Europa em tudo quanto é atraso, vergonha e desencanto e ocupamos os primeiros lugares do Guiness em singularidades inúteis para não dizer ridículas; somos um país pimba, sem estatuto, já que este, no quadro da globalização é cada vez mais ditado pelo dinheiro ou capital que não temos porque não sabemos fazê-lo; somos um país emigra. Desde os anos 60. Com a particularidade de, passados estes anos todos, e ainda em democracia, não termos sabido criar condições para o regresso dos que partiram nas primeiras levas. Sinal claro que falhámos».
 
«PORTUGAL SÓ SERÁ ABRIL
COM TRABALHO E EDUCAÇÃO»
 
A terminar a palestra, Orlando Alves apontou caminhos para combater o desalento instalado: «Portugal só será abril com trabalho, entrega, disciplina, rigor, educação. Será abril quando pensarmos a pátria e não o corporativismo. Só será Abril quando soubermos reconhecer o ardil que está de trás de promessas irrealizáveis que nos fazem e que não são mais que uma ofensa ao ser pensante; só será Abril quando a palavra Abril voltar a escrever-se com letra grande que o vergonhoso acordo ortográfico da nossa capitulação lhe retirou. Não basta dizer que hoje estamos melhor. É preciso que se diga e interiorizemos que merecíamos estar muito melhor! E isto é que é pensar e sentir Abril (...) Pensar Abril é exigir de quem nos governa e se propõe governar que o faça sempre com verdade e nunca da forma mentirosa e sem ideias claras de estruturação do país como repetidamente se vem fazendo e continuamos a assistir; é pôr fim à tragédia de uma geração que não procria e faz do presente uma amostra do negrume que aí vem; é estruturar medidas que levem ao povoamento do território».