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Presidente | «Raça barrosã é marca identitária do concelho»

24 Julho 2015
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No dia que é inaugurada a II "Semana do Barrosão" na vila de Salto, o presidente da Câmara de Montalegre dá uma extensa entrevista ao jornal minhoto "Correio do Minho". Uma conversa onde Orlando Alves fala de várias temáticas em torno da raça barrosã como «marca identitária do concelho».

Hoje todos os caminhos vão dar à Vila de Salto, em Montalegre.
A abertura oficial da Semana do Barrosão é presidida pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Regional.
Do programa há a destacar a feira de produtos locais, a chega de bois e animação com grupos locais.
Amanhã há passeio de BTT, caminhada Trilho D.Nuno, concurso pecuário, arraial e circuito de golfe rústico.
No domingo a sugestão vai para mata-bicho com vários chefes.
Segue-se o Capítulo Geral da Confraria Gastronómica da Carne Barrosã e pelas 12 horas
Loas à Carne Barrosã. 
À tarde há animação com Encontro de Folclore e o concerto de Mickael Carreira encerra a Semana do Barrosão.
 
Criar os fluxos comerciais que existiram no século XIX com a exportação da carne barrosã da Vila de Salto para a corte inglesa é um dos desígnios do município de Montalegre. Orlando Alves, presidente da câmara municipal sublinha que o "Portuguese Beef" ainda hoje é referenciado em Inglaterra. «Somos muito permeáveis na importação de modelos e desvalorizamos aquilo que é nosso. Estamos na fase de fazer o inverso, temos que dar um pouco mais de atenção aquilo que nos define e eleva como um povo e o destino Montalegre, como sendo terra de bom fumeiro, de boa carne barrosã e de bons eventos, esse desígnio não pode esmorecer, porque é por aí que passa o nosso futuro colectivo», frisou o edil montalegrense. O gado barrosão é a marca identitária do concelho de Montalegre e está circunscrito à Vila de Salto, representando o santuário da espécie. Nesse sentido, Salto acolhe de hoje até domingo a segunda edição da Semana do Barrosão com um programa recheado onde não vai faltar boa carne, animação e desporto. «Estamos a falar de algo que tem a ver com a identidade de Montalegre, com a nossa idiossincrasia. Algo que resistiu ao trajecto de milhares de anos, desde o Norte de África, mais concretamente da Mauritânia, de onde é originária a raça barrosã e que acompanhou os movimentos mercantis dos povos que habitaram a Península Ibérica e que se radicou aqui e hoje está praticamente circunscrito ao concelho de Montalegre porque de facto, foi aqui que encontrou as condições preferenciais à sua permanência e desenvolvimento. Estamos a falar de um gado, de uma espécie que é das mais nobres que Portugal tem, ao lado da maronesa, da arouquesa, da carne alentejana, da mirandesa, tudo carnes nobres. Este leque de cinco ou seis carnes que fazem o cardápio mais excelente que o país tem». Orlando Alves realça ainda que é preciso «promover e divulgar o produto, torná-lo ainda mais conhecido para que possa ser melhor comercializado, por isso temos de sensibilizar os espaços comerciais de Salto, nomeadamente os restaurantes e os talhos para que apostem exclusivamente no gado barrosão e se crie para a terra a imagem de marca, que faça com que as pessoas venham à procura da carne barrosã para a comer localmente ou para levar para casa», sublinhando que esta Semana do Barrosão representa «um gesto de apreço do município com o trabalho desenvolvido pelos bravos e resistentes produtores na preservação desta raça», lembrando que o gado barrosão correu sérios riscos de extinção. «Foi graças aos esforços do secretário técnico do livro genealógico, José Vieira Leite, de Vieira do Minho, que é membro da direcção da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Barrosã (AMIBA), conseguimos superar a fasquia das três mil cabeças. Hoje estamos nas sete mil cabeças, mas há 30 anos só o concelho de Montalegre tinha 40 a 50 mil cabeças». Superada a fasquia e afastado o risco de extinção da espécie, Orlando Alves vê com bastante agrado o gado barrosão crescer em Montalegre, mais concretamente em Salto. «Este gado está circunscrito a Salto, onde não há uma cabeça que não seja de gado Barrosão, existindo pequenas extensões a outras freguesias como Ferral, Cabril, Pondras e ao Minho porque houve um período em que a raça esteve ameaçada, onde chegamos a assistir ao maior encabeçamento deste gado por esse Minho fora do que propriamente no concelho que foi quem deu o nome à raça».
 
MONTALEGRE RECLAMA RESTRUTURAÇÃO FUNDIÁRIA PARA FIXAR OS JOVENS À TERRA
 
Chama-lhe os jardineiros do território que se encontram espalhados pelo país e que recebem umas pequenas migalhas dos fundos comunitários. O presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Orlando Alves, aponta o dedo aos sucessivos governantes pela falta de visão e vontade de fazer uma verdadeira restruturação fundiária do país. O descontentamento do autarca de Montalegre vai ser manifestado hoje ao secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Manuel Castro Almeida, que preside à abertura da Semana do Barrosão que decorre até domingo, na Vila de Salto. «Os fundos comunitários nunca foram canalizados para o emparcelamento, para a restruturação fundiária, onde milhares de engenheiros e técnicos agrícolas iriam arranjar emprego nos próximos dez anos. Há esta incapacidade de ver as coisas porque não acredito que alguém esteja abandonar o território por má fé», afirmou Orlando Alves. O edil montalegrense alerta ainda para «a perda de oportunidades flagrantes de encaminhar os fundos comunitários para fazer aquilo que já devia ter sido feito há mais de 40 anos e que parece que ninguém quer fazer, que é a restruturação fundiária, reduzindo a área do município, ou dimensionando a propriedade agrícola que é a única forma de alguns jovens se fixarem na terra, senão sai tudo daqui», acrescentando que «há jovens da terra jovens que estão a ser explorados nos restaurantes de Londres onde trabalham 18 a 19 horas por dia, que viriam para a sua terra, povoar o território e dinamizá-lo economicamente, cultural e socialmente se a terra fosse dimensionada». Orlando Alves assevera que insatisfação por parte dos restantes autarcas da CIM do Alto Tâmega é grande e que será igualmente transmitida ao secretário de Estado. «Com o quadro comunitário que agora se inicia, Portugal 2020, vou confrontá-lo com o desenho que foi elaborado e apresentado a Bruxelas, o chamado "Acordo de Parceria" que no entender de todos os autarcas da CIM do Alto Tâmega é uma forma do Estado se auto-financiar. O Estado arranjou maneira de nos próximos anos ir buscar o grande bolo dos fundos comunitários para se auto-financiar». O edil denuncia também o anacronismo que existe no território, ilustrando com o exemplo da câmara de Montalegre «que tem um território imenso com 135 aldeias a precisar de renovar a rede de águas em todas as aldeias, a precisar de investir mais em saneamento, nomeadamente na orla das albufeiras, que é de onde sai a água que as áreas metropolitanas como a de Braga. As câmaras estão impedidas de ir aos fundos comunitários para fazer rede de águas e saneamento».
 

 
 - Montalegre é a vila mais atractiva do distrito de Vila Real para viver, visitar e fazer negócios. A conclusão está num estudo elaborado pela Bloom Consulting Portugal. O autarca recebeu com total satisfação as conclusões deste estudo que «reflecte as boas políticas que o executivo tem seguido».
- Gentes e lugares tornam o município de Montalegre um destino turístico de eleição. A beleza ímpar das paisagens, a ruralidade que se faz sentir, a par da genuidade das pessoas que povoam os lugares são atributos do concelho.
- A aldeia de Vilarinho de Negrões está no top 5 das mais bonitas de Portugal. A notícia foi divulgada pela Vortex Magazine, portal de língua portuguesa dedicado à divulgação de temas relacionados com a sociedade, cultura, viagens, e tecnologia. Para Orlando Alves «é um acto de justiça».
 
Presidente - «Raça barrosã é marca identitária do concelho»