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Carlos Machado | Concelho em livros

27 Setembro 2018
Ep 1 1024 2500

Damos a conhecer, para os mais desatentos, a conquista literária de um barrosão natural de Venda Nova, concelho de Montalegre. Chama-se Carlos Machado. Em 2006 - através do romance O Homem Que Viveu Duas Vezes - arrecadou o prémio literário Alves Redol. Um feito que passou despercebido do grande público barrosão e que damos hoje conta com esta breve nota informativa. Entretanto, em 2010, voltou a lançar nova obra - Um Amor Sem Tempo - e de novo o concelho de Montalegre como pano de fundo.

A residir atualmente em Lisboa, Carlos Machado nasceu na Venda Nova, concelho de Montalegre, a 28 de abril de 1954. Frequentou o liceu Camões onde teve como professores Vergílio Ferreira e Mário Dionísio. Licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Eis, em síntese, o percurso deste notável barrosão de letras que tem primado pela discrição ao longo dos anos.

ROMANCE PREMIADO

Romance de estreia de Carlos Machado, O Homem Que Viveu Duas Vezes, arrebatou o prémio literário Alves Redol, atribuído pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, em 2006. Do júri faziam parte o escritor Urbano Tavares Rodrigues e o crítico literário Manuel Frias Martins e ainda o responsável da Divisão de Bibliotecas da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Vítor Figueiredo. Nas palavras do autor, entrevistado aquando da entrega do prémio, este é um romance «de época e de local que tem como objetivo explorar a questão da busca da identidade do ser humano e das formas de superar identidades indesejadas». Segundo o júri, estamos perante «um romance que conjuga muito bem três vetores narrativos fundamentais. Por um lado, o amor como potência mobilizadora da ação das personagens principais. Por outro, a reconstrução das atmosferas locais do interior do país. Finalmente, a saga de uma família, a qual permite dar acesso ao conhecimento de realidades e de circunstâncias epocais que, de certo modo, nos identificam a todos nós como portugueses». As personagens principais são Alcina e João Hermínio que se reencontram ao fim de 25 anos depois da partida inesperada deste último para o Brasil. Uma narrativa que se desenvolve no interior do país e que promete muitas reviravoltas ao estilo de Patrícia Higsmith.

UM AMOR SEM TEMPO

Porém, a trajetória literária deste barrosão não terminou por aqui. Carlos Machado volta a publicar. Aconteceu em 2010 com o romance Um Amor Sem Tempo. Nesta obra, o autor fala-nos do período conturbado do pós-25 de Abril. No rescaldo da Revolução de Abril, Eduardo regressa à aldeia do Norte do país onde passou, na infância e na adolescência, os seus verões. Com a incumbência de vender a propriedade da família, assiste em primeira-mão ao acontecimento fulcral da obra – a morte de sete pombos-correios, pertencentes a Severino Sarmento. O lema de Severino é "mais terras, mais poder", e todos o temem. O assassinato dos seus pombos é uma ofensa gravíssima, e Severino revirará a terra e o céu em busca do culpado...

«NÃO CONTO HISTÓRIAS...ESCOLHO TEMAS»

Na curta conversa que travamos com o escritor, Carlos Machado não escondeu a emoção ao falar da terra que o viu nascer: «Barroso é uma região onde eu passei grande parte do meu tempo. Apesar de não viver nem ter estudado em Montalegre, passei nessa terra, anualmente, três meses de férias até aos 20 anos. Sendo uma região que me toca e que eu conheço, achei por bem passar a escrito as emoções, sentimentos e os conhecimentos que fui adquirindo ao longo do tempo». Neste sentido, explica, «na minha escrita não conto histórias. Escolho temas e em duas obras resolvi colocar a narrativa na região do Barroso. Sou um filho da terra. Nasci e fui batizado na Venda Nova. Essa terra acabou por me ensinar muita coisa. É muito difícil descrever um território que acaba por nos envolver e abraçar e, ao mesmo tempo, ser de uma agressividade natural que se tornava protetora. As montanhas, as planícies, os planaltos, as bouças e os lameiros acabam por se tornar protetores. Sempre me tocou muito a naturalidade das pessoas, com um ar de desconfiança, mas sempre dispostas a ajudar o próximo. Até a forma de falar é especial».

«TIVE DIFICULDADES EM AFASTAR-ME DO MUNDO RURAL»

Carlos Machado é todo entusiasmo a descrever o que o invade quando o tema é Barroso. Todavia, lamenta não visitar o concelho com a regularidade que pede o desejo ao mesmo tempo que adjetiva positivamente a evolução que sente no território: «nos últimos tempos tenho falhado na minha visita anual ao concelho de Montalegre. Uma terra cada vez com maior beleza. Tenho verificado que existem melhores condições de vida e muitos eventos culturais que não existiam há 50 anos. A feira de livro, o Festival de Música Júnior, a "Sexta 13", o congresso de Vilar de Perdizes, são atividades que trouxeram desenvolvimento à terra».

NOVIDADES PARA BREVE

A fechar, o escritor avança com novidades para serem conhecidas brevemente: «continuo a escrever e tenho muita coisa escrita, mas não tenho publicado. Escrevo com regularidade e não escondo que poderá haver novidades futuramente. Tive uma enorme dificuldade no afastamento do mundo rural de Barroso em termos de escrita. Os temas que escolho são muito passíveis de serem localizados em Montalegre».