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'A passagem por uma guerra inútil' na XVI Feira do Livro
06 Junho 2015
O barrosão José Miranda Alves apresentou publicamente, na XVI Feira do Livro de Montalegre, a sua mais recente obra literária que fala da sua passagem pela guerra colonial. Um testemunho delicado onde cada português foi «carne para canhão». O espaço, intitulado "Café com Letras", ficou lotado para agrado do autor, familiares, amigos e organização.
Desde 2013 que José Miranda Alves publica um livro por ano. Começou com os "Contos das Minhas Memórias", seguiram-se "Os Nossos Portefólios - Reflexos de Aprendizagem" até chegar ao mais recente desafio com o nome "A passagem por uma guerra inútil - Desde Ferral (Montalegre) a Madina do Boé (Guiné Bissau). Esta última obra há 40 anos que marinava no interior do autor. Um relato, na primeira pessoa, da passagem pela guerra do Ultramar. Um trajeto devastador que não serviu para nada a não ser a experiência de ver o que ninguém quer ver. O fim é deixar um testemunho real à família e amigos, como faz questão de referir José Miranda Alves: «é uma recordação para os meus filhos, netos, amigos, para que nunca esqueçam esta triste realidade...se calhar foi por isso que a sala estava cheia...falei dos sacrifícios dos jovens do meu tempo, só quem por lá andou, a dar o peito à bala, é que consegue imaginar o que aquilo foi».
MAIS LIVROS A CAMINHO
O também autarca da freguesia de Ferral diz que tudo que podemos encontrar no livro começou nos "registos de sebenta", escritos em pleno campo de batalha: «há horas e datas onde fomos flagelados dentro do arame farpado; houve uma altura em que já nem saíamos para o mato, foi muito ingrato...tinha que escrever a história da minha vida na guerra». Posto isto, José Miranda Alves não promete parar: «prometi que se vivesse até aos 80 anos (tem 72) iria escrever 10 livros. Tenho já dois quase preparados. Um deles só falta o prefácio. Revelo em primeira mão que vai chamar-se "As minhas melhores lições do livro da 4.ª classe"».
GUERRA INÚTIL
Amigo do autor, o presidente da Câmara de Montalegre não se cansou de elogiar a postura deste barrosão pelo exemplo que dá à comunidade: «é mais um livro do amigo Zé Miranda. Este fala do seu percurso de vida, bem difícil, porque aborda a sua adolescência e juventude passadas na guerra o que retira qualidade de vida». Orlando Alves não podia mais concordar com o título: «retratou muito bem o que foi a guerra...uma guerra inútil...felicito-o pela forma saudável como ocupa o tempo, ao mesmo tempo que lhe desejo muita saúde para continuar a escrever».
TEM A PALAVRA
Fátima Fernandes
(Vereadora da Educação da Câmara de Montalegre)
«Felizmente que o amigo Zé Miranda decidiu transmitir o seu pensamento, a sua intimidade, sobre o que pensa da guerra em que ele próprio participou. Nós agradecemos. De facto, foi uma passagem por uma guerra inútil. Com este livro, principalmente os mais jovens, deviam ter mais interesse por este tipo de matérias. Deviam estudar mais e perceber o que se passou neste país. Como aqui disse, o medo de morrer era muito, mas suponho que ter que matar pessoas tivesse sido um sofrimento imenso».
Gorete Afonso
(Responsável pela Biblioteca Municipal de Montalegre)
«Casa cheia! O espaço "Café com Letras" ficou repleto. Para nós, enquanto organização, é motivo de muita alegria. Todos os barrosões devem estar alegres porque o próprio cartaz da Feira do Livro, em matéria de apresentações de livros, foi feito com escritores da casa, filhos de Barroso, o que significa que, aos poucos, vai dando frutos o trabalho que temos vindo a desenvolver o que nos honra muito».
Aníbal Ferreira
(Presidente da Junta de Freguesia de Ferral)
«A mim não me surpreende esta capacidade do senhor José Miranda para escrever livros. É uma pessoa que conheço há bastantes anos, com muita simplicidade, o que torna a sua escrita muito genuína. São livros que lhe dão muita satisfação e orgulho. Parte do meu percurso politico foi inspirado pela sua atuação. É uma pessoa muito respeitada».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44