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'Angola Noutros Tempos'
13 Julho 2016
A sede do Ecomuseu de Barroso, em Montalegre, recebeu a sessão de apresentação do livro "Angola Noutros Tempos" da autoria do barrosão Jerónimo Pamplona. Um conjunto de crónicas, acompanhadas de poesia e algum humor, que retratam as vivências do escritor por terras angolanas onde esteve ao serviço na guerra do Ultramar.
Natural de Padroso, aldeia do concelho de Montalegre, Jerónimo Pamplona apresentou, na sede do Ecomuseu de Barroso, o seu primeiro livro. Uma primeira parte da obra descreve Angola historicamente para depois relatar um conjunto de situações vividas.
«AMOR PELA TERRA»
Para Fátima Fernandes, vereadora da educação da Câmara Municipal de Montalegre, «é mais um barrosão que nos enche de orgulho por ter escolhido a sua terra para apresentar esta criação». Na mesma linha, defende que «o amor pela terra fez com que regressasse para mostrar algo importante aos seus conterrâneos».
PADROSO NO CORAÇÃO
A guerra colonial levou Jerónimo Pamplona para Angola onde acabou por construir família, «uma das razões que originou esta publicação», explicou. O escritor, que saiu da terra natal com apenas 12 anos , refere que apesar de a visitar pontualmente, tem uma ligação muito forte com a aldeia: «nunca pensei ter uma ligação tão forte com a minha terra porque saí daqui com tenra idade». Um facto que já motivou o início de uma segunda publicação.
Por sua vez, Otelo Rodrigues, responsável pelo Ecomuseu de Barroso, esclareceu que o autor «fez questão de reunir os seus conterrâneos e amigos na apresentação das suas memórias» um verdadeiro «momento de felicidade».
Refira-se que a apresentação da obra esteve a cargo de José Carvalho de Moura que considerou que é mais um contributo que «vem enriquecer o nosso vasto património cultural».
OBRA
«Este é um livro de crónicas, contos e poemas que percorre um tempo com início em 1482 e fim em 1974, através das seguintes etapas:
Na introdução, relato a evolução da África antiga, desde o aparecimento do Homo Sapiens passando pelo surgimento da agricultura até à fundição do ferro.
«Certo é que por volta de 400 a.C. a fundição era praticada na área da atual Nigéria e por volta de 1.000 d.C., outros povos da África Ocidental utilizavam igualmente esta tecnologia». Na primeira parte abordo a "chegada" dos portugueses a Angola. Incidindo sobre o reino do Ndongo, detenho-me um pouco mais sobre a figura mítica da Rainha Njinga. No final da visita o Governador estranhou que a Embaixadora não chamasse a escrava que se mantinha imóvel sobre a almofada. Njinga riu-se. «Deixaria a escrava, retorquiu. Não tinha por habito usar do mesmo assento mais do que uma vez».
«Certo é que por volta de 400 a.C. a fundição era praticada na área da atual Nigéria e por volta de 1.000 d.C., outros povos da África Ocidental utilizavam igualmente esta tecnologia». Na primeira parte abordo a "chegada" dos portugueses a Angola. Incidindo sobre o reino do Ndongo, detenho-me um pouco mais sobre a figura mítica da Rainha Njinga. No final da visita o Governador estranhou que a Embaixadora não chamasse a escrava que se mantinha imóvel sobre a almofada. Njinga riu-se. «Deixaria a escrava, retorquiu. Não tinha por habito usar do mesmo assento mais do que uma vez».
Na segunda parte, descrevo as personagens e o estatuto dos Ambaquistas e dos Assimilados.
«Escrevo de nenhures. É este o meu solo materno pátrio; no qual busco a felicidade e me consolo».
Na terceira parte, centro-me na vida económica e social do Golungo Alto em meados do século XX.
«No dia em que chegava o “homem da máquina” para passar o filme, o pessoal que quisesse assistir tinha que pagar o bilhete e levar um banco de casa, ou então sentar se no chão.»
Na quarta parte, num estilo em que a paródia prevalece sobre a sátira, revisitando mais de 25 anos, conto 42 "estórias/piadas", que ocorreram em diferentes lugares de convívio e que são aqui compiladas.
«Para tomar banho?! Claro! Onde é que o Sr. toma banho? Eu?! Eu tomo banho no rio. No rio?! E os Jacarés? Oh, os Jacarés! Não há perigo. Já me conhecem!»
Na quinta parte, narro seis contos, no estilo que poderá chamar-se de "short stories".
«Ó Lia, tu tinhas de lhe dizer que aceitavas o namoro. Sabes, não parece mas, os homens são muito tímidos! Nós, mulheres, temos que, por vezes, tomar a iniciativa.»
Na última parte percorro, num “rally paper imaginário”, as ruas do Golungo Alto visitando lugares que nos fazem recordar afetos e emoções vivenciadas».
«No dia em que chegava o “homem da máquina” para passar o filme, o pessoal que quisesse assistir tinha que pagar o bilhete e levar um banco de casa, ou então sentar se no chão.»
Na quarta parte, num estilo em que a paródia prevalece sobre a sátira, revisitando mais de 25 anos, conto 42 "estórias/piadas", que ocorreram em diferentes lugares de convívio e que são aqui compiladas.
«Para tomar banho?! Claro! Onde é que o Sr. toma banho? Eu?! Eu tomo banho no rio. No rio?! E os Jacarés? Oh, os Jacarés! Não há perigo. Já me conhecem!»
Na quinta parte, narro seis contos, no estilo que poderá chamar-se de "short stories".
«Ó Lia, tu tinhas de lhe dizer que aceitavas o namoro. Sabes, não parece mas, os homens são muito tímidos! Nós, mulheres, temos que, por vezes, tomar a iniciativa.»
Na última parte percorro, num “rally paper imaginário”, as ruas do Golungo Alto visitando lugares que nos fazem recordar afetos e emoções vivenciadas».
AUTOR
Jerónimo Pamplona nasceu em 1942, na aldeia de Padroso, nas proximidades da serra do Larouco, Montalegre, onde viveu até aos 11 anos de idade. Para frequentar o ensino secundário foi matriculado no Instituto Militar dos Pupilos do Exército, em Lisboa, que frequentou até aos 19 anos. Em 1961 foi recrutado para o serviço militar obrigatório, em Sacavém, na Escola Prática do Serviço de Material. Ao fim de dois anos foi mobilizado para Angola, rumo a Veríssimo Sarmento, agora de novo Camissombo, na província da Lunda Norte, onde permaneceu catorze meses. Daqui seguiu para o Zemba, na região dos Dembos donde, após oito meses, foi enviado para Luanda. Ali, conheceu a mulher com quem vive até hoje. A paixão falou mais alto e decidiu ficar em Angola por mais dez anos, onde começou a trabalhar na indústria farmacêutica como delegado de informação médica e, mais tarde, como gerente de vendas para Angola e Moçambique. Retornado a Portugal no dia da consoada de 1975, reiniciou a carreira na indústria farmacêutica, tendo desempenhado, praticamente, todas as funções nas áreas do marketing e vendas, reformando-se como diretor. A afeição pela escrita foi descoberta no ano de 2013 na Nova Atena - Associação para a Inclusão e Bem-estar da Pessoa Sénior, pela Cultura e Arte, em Linda-a-Velha. Contribuíram para este “novo olhar” os professores Elisabete Castelo Branco (Escrita Criativa), Jorge Proença (Clube de Leitura), Luís Santos (Literatura Portuguesa) e Paulo Fernandes (Antropologia).
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44