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'Arrancando o Pão das Pedras' apresentado
04 Dezembro 2011
A sede do Ecomuseu de Barroso, Montalegre, encheu para assistir à apresentação da obra de José Maria Pedreira. Cerca de 200 pessoas estiveram presentes numa sessão marcada pela emoção, memórias, recordações e lições de vida. A existência de um barrosão, em livro, despertou o interesse e curiosidade de todos os espetadores. Um momento com o apoio da Câmara Municipal de Montalegre, que contou com a presença de várias figuras de proa do concelho. Francisco Pedreira, Telma Teixeira Silva e Coronel Dias Vieira foram elementos que acompanharam o autor na exposição de "Arrancando o Pão das Pedras".
José Maria Pedreira convidou e o apelo foi atendido em massa. Por momentos, as instalações do Ecomuseu de Barroso – Espaço Padre Fontes foram curtas para albergar o mar de gente que se abeirou do "museu vivo" para assistir à apresentação do livro bibliográfico deste filho da terra. Acompanhado e acarinhado pela família, o autor viu a sua obra apresentada no meio de amigos e curiosos. De forma simples e humilde falou de si, das suas vivências, referências e dificuldades. Ninguém ficou indiferente aos ditos do homem que Barroso viu nascer há mais de 80 anos.
SER BARROSÃO
Fernando Rodrigues, presidente da Câmara de Montalegre, olha para José Maria Pedreira como «alguém que esteve sempre, de corpo e alma, ligado a esta terra e a esta gente». É com «grande satisfação» que o número um da edilidade assistiu à apresentação da obra. Sem se conter em elogios, menciona que o escritor «é um grande barrosão que saiu da nossa terra e singrou lá fora». No momento em que relata «uma vida preenchida», Fernando Rodrigues define o livro como «um testemunho de honestidade e integridade», com episódios «de uma existência de trabalho, sucesso» e ao mesmo tempo «sacrifício e luta». Salienta o facto de «mesmo estando fora, nunca perdeu a alma e o sentimento de ser barrosão».
ECO DE HISTÓRIAS
DE VIDA
DE VIDA
David Teixeira, diretor do Ecomuseu de Barroso, lembra que «um dos objetivos desta casa é preservar a memória». Nesse sentido refere «que a prova disso mesmo é a apresentação do livro da história de um barrosão». Em tom de elogio, define José Maria Pedreira como alguém «que sempre teve muito orgulho na sua terra» e «muito preocupado com os seus conterrâneos». Acredita que no seio desta família numerosa estão «ótimos seguidores do objetivo do escritor, que se traduz «em tentar que o mundo seja melhor e a vida mais fácil para quem vive à sua volta».
«NÃO ERA FOME…
ERA VONTADE DE COMER»
A razão de ser do livro «tem muito a ver com a minha vida», explica José Maria Pedreira. Foi uma vida «sempre a tentar o melhor». Houve períodos em que «não era fome, mas era vontade de comer». Sem pudores ou vergonhas partilha que «tive e senti muitas dificuldades, quando os meus pais faliram». É dessas contrariedades que «vem o título das pedras». Para as ultrapassar «foi preciso muita força de vontade e a graça de Deus», assegura.
DUPLA AÇÃO
A conduta de José Maria Pedreira sempre se pautou pela ligação a uma vertente religiosa. A par de «uma atitude material está sempre o espiritual». Sem rodeios declara «que minha vida singrou sempre nessa linha», numa «dupla ação que esteve sempre em mim». Graças a estas premissas «consegui vencer as grandes dificuldades que me foram aparecendo e de certo vão aparecer». Em forma de balanço, mostrou-se «completamente realizado» e «à espera que nosso senhor disponha de mim».
ATO DE CORAGEM
Apresentar a obra na terra que o viu nascer e «a presença de tantos amigos» é uma «espécie de homenagem que fazem ao meu pai», conta Francisco Pedreira. Define "Arrancando o pão das pedras" como «um ato de coragem». Os motivos para esta qualificação são vários. 84 anos de vida «é um período longo» e «não é fácil reviver todo este tempo». Por outro lado, «estamos perante um ato de humildade», visto que «também não é fácil por a vida a nu, principalmente uma vida tão cheia e sinuosa». É um «grande orgulho ver que o meu pai se dedicou a esta empreitada» e conseguiu «levá-la a termo».
«ERA MAROTO… E ELE
CONFIRMA»
CONFIRMA»
Descendente do escrito, Luis Pedreira, neto, partilha que «é engraçado e curioso, para mim ouvir e ler estas palavras». Toda a gente «falava do meu avô e tentava defini-lo». Diziam que «ele era boa pessoa, mas que era maroto… e agora confirma-se e ele também». Após já ter «dado uma passagem pelo livro», Luis Pedreira crê «que as pessoas, ao lerem, vão perceber que ele passou por histórias curiosas», das quais é possível «tirar uma lição de vida importante». Dessas experiências o neto espera guiar-se «pelas partes boas» e nas partes más «tentar não ir por aí».
PÚBLICO SATISFEITO
No final da apresentação a satisfação do público foi notória. Ninguém quis abandonar o recinto sem levar um exemplar de "Arrancando o pão das pedras". Clara Alves, da plateia, afirma que achou «o ato muito bonito, principalmente pelo carinho que se vê que a família tem por ele». Na mesma linha, defende que «é sempre uma mais valia, para todos nós, assistir a eventos culturais deste tipo». O incentivo «à escrita e à leitura começam, entre outras coisas, por iniciativas como esta». Confessa «ter escutado com «atenção as palavras» dos oradores e estar «curiosa» em relação ao conteúdo do livro.
HINO DA PÁTRIA
BARROSÃ
BARROSÃ
No fecho da sessão a música foi ordem. Luis Pedreira brinca com o facto «dos Pedreira estarem sempre a chatear com a música», mas «já faz parte». O Espaço Padre Fontes foi preenchido com as vozes de todos os presentes, num canto uníssono do hino da pátria barrosã – a Marcha de Montalegre. Toda a gente cantou e estava animada. Um compasso forte de palmas foi o que se seguiu à melodia, em tom de apreço e satisfação. Antes deste grande momento, familiares, dotados musicalmente, dedicaram uma música ao homem da tarde e este mostrou-se muito emocionado com o gesto.
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44