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'Atelier Pontinhos' na Borralha
10 Novembro 2016
Um grupo de mulheres das Minas da Borralha, concelho de Montalegre, não se resignou perante o desemprego ou o isolamento. São exemplos de quem aposta numa nova perspetiva de vida ativa. Dinamizaram o antigo infantário da aldeia, agora convertido no "Atelier Pontinhos".
Durante vários anos, as Minas da Borralha foram um polo de desenvolvimento local. Ali viveram milhares de pessoas que alimentavam o trabalho mineiro. Atualmente é um local onde perdura pacatez. O café da aldeia foi durante algum tempo, local de encontro para momentos de lazer entre um grupo de amigas e vizinhas, desempregadas ou viúvas, que assim aceleravam a passagem do tempo. Todas comungam do gosto pelos trabalhos manuais como o crochê e bordados. Durante um desses dias, Sameiro Afonso, viúva, com 58 anos, lançou o desafio para que se reunissem num espaço, «de acordo com a disponibilidade de cada uma». Foi assim que nasceu o "Atelier Pontinhos".
«SOMOS AUTODIDATAS»
A proposta foi aceite e há mais de três anos que, três vezes por semana, estas mulheres dão vida ao espaço do antigo infantário da aldeia. Tardes de trabalho e convívio, animadas por cantigas. O ponto de partida foram «15 euros com que cada uma contribuiu» para a compra dos primeiros materiais. O verão e o Natal são as épocas de mais azáfama de forma a satisfazerem todas as encomendas. Assunção Sampaio confessa que foi «uma grande ideia», onde o mais importante, esclarece, «somos autodidatas e trocamos conhecimentos».
«BORRALHA JÁ TEVE TUDO»
Emília dos Santos explica que são «bons momentos de convívio». Com saudade no olhar, esclarece que «a Borralha já teve tudo e agora tem apenas um café». Sempre que é possível apresenta «um miminho para as colegas, um bolinho para lhes adoçar a boca», dados os seus dotes culinários.
Laurentina Barroso arranja sempre «algum tempo para trabalhar no atelier nem que seja trabalho para casa à noite», visto que faz umas horas remuneradas na área das limpezas. Na mesma linha, acrescenta: «gosto muito do nosso cantinho e do que fazemos». A relação entre todas não poderia ter melhor base, a amizade. E mesmo quando é preciso fazer uma escolha a regra é: «a maioria vence».
Do trabalho desenvolvido por estas mulheres resultam verdadeiras obras de arte feitas manualmente: toalhas, conjuntos bordados, cortinas, conjuntos para recém-nascidos, etc. A juntar a estes trabalhos, uma outra iniciativa que promove a saúde de população local com atividades de exercício físico, duas vezes por semana, à noite. Estas mulheres são o exemplo que faz jus à expressão "parar é morrer".
Orgulhoso, Alberto Fernandes, presidente da junta de freguesia de Salto, afirma que «são um exemplo» e que podem «estimular e ajudar a que a juventude valorize estes trabalhos».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44