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Barragem dos Pisões - 50 Anos
21 Janeiro 2015
O meio século da construção da barragem dos Pisões, erguida em 1964 no concelho de Montalegre, foi assinalado com uma festa que reuniu altos quadros da EDP e algumas figuras da região. Ocasião para lembrar a empreitada de excelência realizada na época do Estado Novo e projetar o futuro.
A jornada de celebração dos 50 anos da construção da barragem do Alto Rabagão (Pisões) iniciou com a inauguração de uma exposição na sede do Ecomuseu de Barroso - aberta até 12 de fevereiro - seguindo a comitiva para as instalações da imponente albufeira instalada no concelho de Montalegre. Uma obra classificada como uma das mais notáveis da engenharia nacional. O presidente da Câmara Municipal de Montalegre lembra que estamos perante um investimento que foi «planeado e pensado por técnicos nacionais». Orlando Alves afirma: «foi durante muitos anos a maior barragem do país. Só recentemente fomos superados pela barragem do Alqueva e não temos complexo nenhum em ser a segunda porque durante muitos anos fomos a primeira».
UMA PEQUENA CIDADE
A história relata que 15.000 pessoas trabalharam em torno da construção da barragem dos Pisões. Um número gigantesco que impressiona e que serve para avaliar o impacto que este investimento representou para Portugal. O autarca lembra que estamos perante um «potencial hidráulico e energético que a região tem e que foi sabiamente explorado pela EDP». Por via disso, acrescenta Orlando Alves, «esta celebração dos 50 anos faz sentido numa altura em que caminhamos para a independência energética que é um propósito que qualquer país pensa e deve ter». Sem se deter, o presidente do município puxa pela memória para partilhar: «lembro-me da construção da barragem dos Pisões e do impacto social que teve. Era uma pequena cidade, tinha tudo: cinema, igreja, hospital, médicos, diversão e muita animação». Foi, reforça, «um dos momentos mais ricos da vida recreativa e social em todo o território barrosão».
PEDIDOS DO PRESIDENTE
Orlando Alves aproveitou a efeméride para lançar alguns pedidos à EDP: «o reposicionamento da brigada de intervenção que sempre aqui existiu... não faz sentido nenhum retirá-la porque isso atrasa as intervenções, deixando as nossas populações por vezes dias e dias sem eletricidade. Um outro pedido foi refazer-se um ou dois pisões em Montalegre. Trata-se de um equipamento pré-industrial que existia, de trabalhar o burel, esse elemento toponímico que deu o nome à terra. Faria todo o sentido a EDP ver a sua dinâmica interventiva ligada á recuperação deste património tão identitário da nossa terra».
«MUDANÇA DEMOGRÁFICA E POPULACIONAL»
Atento às palavras do presidente da Câmara de Montalegre esteve António Pita de Abreu, presidente da EDP Produção e administrador da EDP Holding. O dirigente começou por contextualizar esta celebração: «nestes últimos três ou quatro anos celebra-se o aniversário de muitas obras deste género, desencadeadas a partir do fim dos anos 40. Esta em particular é muito importante porque, para além de produzir energia, tem um efeito de regularização do sistema elétrico, ajudando a evitar os problemas que resultam da variação do consumo e produção de energia». Ato contínuo, declarou: «foi preciso deslocar para cá muita gente, trabalharam cerca de 15.000 pessoas, durante mais ou menos oito anos. Houve aqui uma grande mudança demográfica e populacional. Houve uma dinamização, um ordenamento do território feito com base na construção destas barragens. O que é hoje o nordeste transmontano resulta muito destas obras. Isto tem uma grande importância económica para o país com os recursos naturais que temos e não compramos, para além da região é importante para o país». António Pita de Abreu afirmou ainda: «interessa celebrar e do ponto de vista interno mostrar aos mais novos a importância do trabalho que os antigos foram fazendo. Hoje a EDP tem uma presença mundial que não tinha». Em relação aos pedidos do presidente da Câmara de Montalegre, o dirigente da EDP respondeu deste modo: «tenderemos a atender as revindicações do senhor presidente da Câmara na medida das possibilidades e ao ritmo que for preciso. Ouvi, tomei nota e interessa-nos garantir a melhor qualidade do serviço para toda a gente. Sabemos que há regiões mais difíceis do que outras e aqui o tempo não ajuda muito por isso exige cuidados especiais. Em relação à contribuição, o governo trabalhou para legislar, em colaboração com as autarquias, um pagamento que os produtores de eletricidade e a EDP fariam e que já começamos a pagar. Há um ponto de equilíbrio que não corresponde à satisfação plena das duas partes. Temos a consciência que prestamos um serviço básico e essencial para as populações e a nossa obrigação é prestá-lo com a melhor qualidade possível ao melhor preço possível».
OBRA
O aproveitamento hidroelétrico do Alto Rabagão é formado pela pequena barragem do Alto Cávado, localizada na parte alta do rio Cávado, e pela barragem do Alto Rabagão, localizada no seu afluente da margem esquerda, o rio Rabagão. Com nascente entre as serras do Barroso e do Larouco, atravessa todo o concelho de Montalegre ao longo de 37 quilómetros. O corpo da barragem do Alto Rabagão, também conhecida por Pisões, possui secções distintas, uma no centro, com uma cúpula parabólica assimétrica, e duas laterais, em perfil gravidade, desenvolvendo-se ainda com um coroamento de 1.970 metros e uma altura máxima de 94 metros.
A pequena barragem do Alto Cávado, do tipo gravidade, com 26 metros de altura e um coroamento de 220 metros, origina uma albufeira de derivação, que encaminha os caudais do rio, através de um túnel de 5km, para a grande albufeira do Alto Rabagão. Em situação de afluências de maior intensidade, o seu descarregador, em lâmina livre, permite uma passagem do caudal diretamente para o rio Cávado. Junto à barragem principal encontra-se a central subterrânea, que comporta os dois grupos turbina-alternador-bomba, verticais, de 45 MVA cada. As bombas são acopláveis aos veios dos grupos, por meio de um dispositivo tipo embraiagem, e possibilitam a bombagem da água da albufeira de Venda Nova para a do Alto Rabagão. O edifício de comando estabelece a comunicação com a central através de um poço com 130 metros de profundidade. Adjacente a este edifício localiza-se a subestação exterior, com dois transformadores principais de 45 MVA cada e uma linha de 150 KV sobre o barramento simples, a qual permite a entrega à rede da energia produzida.
Barragem do Alto Rabagão (Pisões)
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44