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Câmara debate futuro dos baldios no concelho
26 Novembro 2013
Orlando Alves, presidente da Câmara de Montalegre, voltou a garantir que vai aplicar um milhão de euros/ano no fomento da atividade económica. Parte desta verba vai ser canalizada para os 80% de área baldia existente no concelho de Montalegre. No encontro, que juntou várias entidades gestoras de baldios, juntas de freguesia e conselhos diretivos de compartes, foi pedido que todos pensem num «plano de gestão» que consiga «criar riqueza, proteger a floresta e valorizar o território».
O executivo municipal de Montalegre promoveu uma reunião onde reuniu com os concelhos diretivos de baldios e com os representantes das juntas de freguesia com o fim de debater a rentabilização do espaço através da reflorestação. Sublinhe-se que o município de Montalegre apresenta um território com 80% de área baldia, percentagem que não tem sido aproveitada, esclarece Orlando Alves, presidente da autarquia barrosã: «seriamos ricos se aproveitássemos as nossas potencialidades e a vasta área baldia que temos é um exemplo». Pelo contrário, reforça Orlando Alves, «temos desprezado o que temos e assim não dá para continuar». O autarca frisa que o concelho «não necessita de mais obras». O importante «são as pessoas», complementa. Para o presidente da Câmara de Montalegre «é difícil harmonizar todos os interesses que estão aqui em jogo». Todavia, da parte do município «é a criação de riqueza para as nossas populações e a rentabilização de um espaço que tem servido para pasto», que está na linha das prioridades.
1 MILHÃO DE EUROS
DE INVESTIMENTO
Orlando Alves fez questão de vincar uma das "bandeiras" da campanha eleitoral, isto é, descongelar um milhão de euros do orçamento da Câmara para o fomento da atividade económica, alicerçada em três vetores: floresta, pecuária e agricultura. São «formas de criar riqueza» num território que sangra com o flagelo da desertificação. Criar riqueza, proteger a floresta e valorizar o território, foram pilares valorizados no discurso do autarca que não se cansou de apelar aos presentes para investir no concelho: «as populações rurais estão envelhecidas, as aldeias estão despovoadas, os montes estão abandonados e não há relação entre a comunidade e a floresta. As pessoas deixaram de ir à lenha e cortar mato». Há, no entender do edil, que inverter este marasmo sob pena do concelho definhar por completo.
FLORESTA:
PALCO DE INCÊNDIOS
Foi dito nesta reunião que gerir uma floresta não se esgota no ato da plantação. Por exemplo, a nova lei dos baldios proíbe, a partir de 2015, que projetos privados nasçam nestas áreas. Este novo "retrato" exige novo plano de intervenção. Deste modo, todos os baldios que entrem no próximo Quadro Comunitário de Apoio (2013-2020) terão que ter não só um plano de utilização dos baldios como também um plano de gestão florestal. Contudo, o presente, afirma Orlando Alves, não é animador: «hoje a floresta é um palco para incêndios. Abandonou-se praticamente a atividade pecuária. É avaliando todos estes parâmetros que nós incluímos, no nosso programa autárquico, um investimento nos baldios e na floresta de modo a criar condições para que as entidades gestoras dos baldios adiram a este projeto».
«NÃO TENHO DÚVIDAS
QUE VÃO ADERIR AO PROJETO»
A partir de Janeiro do próximo ano a Câmara Municipal de Montalegre vai disponibilizar um Gabinete de Apoio ao Investimento (GAI). Trata-se de um instrumento que promete ser valioso para esclarecer e ajudar na execução dos futuros projetos. Por defeito, o castanheiro e o carvalho terão prioridade mas não invalida que outros ganhem o seu próprio espaço. Orlando Alves acredita que este encontro foi proveitoso: «saíram ensinamentos interessantes e agora vamos dar tempo para que façam a digestão deste "caldo" que aqui foi servido e tenho a certeza que alguém virá fazer uma parceria com o município para povoamento florestal e não tenho dúvidas de que as pessoas vão aderir a este projeto que é de grande importância para o concelho de Montalegre».
REFLORESTAÇÃO DAS
ESPÉCIES AUTÓCTONES
Entre alguns oradores, esteve Lúcia Jorge, em nome do Secretariado dos Baldios de Trás-os-Montes e Alto Douro, que traçou o diagnóstico do que existe ao mesmo tempo que projetou o futuro: «o que aqui foi falado obriga a uma reorganização e definição das áreas de acordo com o investimento que se poderá fazer e com a utilização que está a ser dada ao baldio». A responsável e também presidente da junta de freguesia de Pitões das Júnias, afirmou: «damos preferência à reflorestação de espécies autóctones por uma questão de serem espécies mais adaptadas e resistentes aos incêndios e de poderem ser conciliadas com o pastoreio». A fechar deixou palavras de otimismo: «iremos chegar a um acordo porque há muita área onde tudo passa por uma gestão local e há espaço para toda a gente».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44