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Centro SIPAM do Barroso | Inovação e valorização do pão tradicional
A tradição e a inovação estiveram em destaque esta tarde no Centro SIPAM do Barroso, em Aldeia Nova, com uma sessão dedicada ao pão tradicional e às novas oportunidades de valorização deste produto identitário do Barroso. Promovida em parceria pelo Instituto Politécnico de Bragança, através da Escola Superior de Hotelaria e Bem-Estar de Chaves, pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, ADRAT e AquaValor, a ação desafiou os alunos da licenciatura em Restauração e Tecnologia Alimentar a desenvolver receitas inovadoras de pão com recurso a produtos endógenos da região.
A sessão permitiu dar a conhecer dois pães inovadores, elaborados à base de cogumelos e castanha, desenvolvidos com o objetivo de contribuir para uma alimentação mais ajustada às necessidades de uma população cada vez mais envelhecida. As novas propostas foram ainda alvo de análises laboratoriais, que validaram o seu valor nutricional e evidenciaram o potencial da conjugação entre saber tradicional e inovação científica. Foi também apresentada uma bebida isotónica de base termal. Uma jornada que foi exemplo de como a investigação e a criatividade podem contribuir para preservar e valorizar a identidade gastronómica do Barroso para as gerações futuras.
A presidente da Câmara de Montalegre, Fátima Fernandes, sublinhou que o Centro SIPAM do Barroso foi criado para dar visibilidade às tradições do território e projetá-las para o futuro: “Não há nada mais identitário e tradicional do que o nosso pão. É um produto que se afirma na mesa dos barrosões desde sempre e que está ligado à nossa maneira de ser e de estar, com uma marca muito profunda no comunitarismo que ainda hoje se pode ver nas nossas terras e na nossa gente”, afirmou. A autarca recordou a importância dos fornos comunitários e da organização coletiva que, ao longo de gerações, permitiu manter viva a tradição da confeção do pão. “A maneira de confeccionar este pão de excelência passava pela gestão da própria comunidade da aldeia, em que se marcava o dia de ir cozer e havia responsáveis para manter o forno comunitário aceso em permanência. Lembramo-nos da nossa infância, quando se cozia pão para quinze dias ou até para um mês, mantendo a mesma qualidade e características do primeiro dia”, referiu. Segundo Fátima Fernandes, o objetivo passa agora por preservar esta herança e transformá-la numa oportunidade de desenvolvimento económico e turístico. “É esta memória feliz que queremos manter e perspetivar para o futuro. Trata-se de um produto que vem da tradição e da identidade, mas que procuramos projetar para a modernidade, através da sua valorização nas rotas gastronómicas e no turismo”, explicou. Nesse sentido, está a ser desenvolvido um projeto de requalificação dos fornos comunitários existentes nas várias aldeias do concelho. “Aquilo que se pretende é que este património material, tão importante porque está ligado à aldeia, às pessoas e à comunidade, passe também a gerar valor acrescentado e rendimento para quem continua a preservar esta tradição”, destacou.
Maria José Alves, diretora da Escola Superior de Hotelaria e Bem-Estar do Instituto Politécnico de Bragança referiu que “Este projeto mostra que é possível inovar e desenvolver novos produtos sem perder a autenticidade que caracteriza os nossos territórios e as suas tradições”. A responsável destacou ainda a importância da ligação entre a academia e o tecido empresarial regional. “As empresas da região encontram na Escola Superior de Hotelaria e Bem-Estar um parceiro disponível para apoiar a criação e o desenvolvimento de produtos inovadores, valorizando simultaneamente os recursos locais”, sublinhou. Sobre os resultados alcançados, Maria José Alves referiu que “a componente científica foi fundamental para validar o trabalho realizado, permitindo avaliar não só a originalidade das receitas criadas pelos alunos, mas também o seu valor nutricional”. Partir dos recursos do território “para gerar conhecimento, promover a inovação e envolver a comunidade na valorização de produtos que fazem parte da identidade do Barroso. Esse é o verdadeiro propósito desta iniciativa”, concluiu.
O professor António Mauritti, da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, salientou a importância de preservar e compreender as tradições gastronómicas como base para a inovação alimentar e destacou que os alunos foram desafiados a conhecer os ingredientes, as técnicas e os processos que estão na origem dos produtos tradicionais, considerando que “não é possível inovar sem conhecer as origens”. Para o docente, a identidade dos produtos tradicionais constitui uma das maiores riquezas da gastronomia portuguesa e pode servir de inspiração para o desenvolvimento de novas soluções alimentares. O professor considera que projetos desta natureza demonstram o potencial da ligação entre ensino, investigação e território, capacitando os alunos para criar produtos inovadores a partir dos recursos e saberes locais.
