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Colmo no Pisão de Paredes do Rio
01 Outubro 2015
Ao fim de anos de espera eis que chegou o tão desejado colmo para a cobertura do Pisão de Paredes do Rio, concelho de Montalegre. Um dia histórico para quem nunca viu colmar e para quem ainda não esquece os tempos amargos do passado. Um exemplo de «museu vivo» no seu melhor, assim o define David Teixeira, vice-presidente da autarquia, incapaz de esconder a emoção pelo desejo que agora se cumpre.
O embrião desta noticia perde-se nos últimos anos. Porém, a iniciativa ganhou força, este ano, quando foram realizadas as recriações das malhadas de centeio. Primeiro no Castelo de Montalegre e depois na Quinta da Veiga. O envolvimento da população foi aplaudido e daqui saíram os necessários colmos, transferidos para Paredes de Rio, para serem colocados na cobertura do Pisão. Falamos de um engenho hídrico que aproveita a força motriz da água canalizada, funcionando como serra, moinho e pisão de tecidos de lã. Neste caso, a água põe em funcionamento os malhos que pisavam as teias de lã para fabricar o famoso burel, a capa dos pastores.
«SENTIDO DE SER BARROSÃO»
Mais do que atento, estava emocionado David Teixeira, hoje vice-presidente da Câmara de Montalegre e no passado, durante alguns anos, o principal rosto do Ecomuseu de Barroso. O autarca não se cansou de observar a arte saída das mãos dos homens que estavam a colmar o telhado do Pisão. Invocou o tempo de menino ao referir que ainda recorda as casas de colmo da vila e tantas espalhadas pelo concelho. Um sucedâneo de "fotografias mentais" que o transportaram para tempos onde o valor da terra e o espírito de ser barrosão valiam mais do que qualquer assinatura. David Teixeira assume que «isto é o "museu vivo" que sonhamos há muitos anos atrás e que, felizmente, não deixamos morrer, com este envolvimento da população local». Um «saber antigo», ilustrado na aldeia ecomuseu de Paredes do Rio, que «volta a permitir que os visitantes tenham contacto com uma beirada, feita de modo tradicional, com a palha do centeio». No reforço, reportou: «faz sentido fechar estes ciclos em que a malhada do centeio não se esgota em si própria, dá origem ao funcionamento dos nossos moinhos e a este trabalho mais difícil que é a construção das beiradas de palha».
Visivelmente agradado, o responsável pela pasta do Ecomuseu de Barroso, elogia o envolvimento da comunidade: «é com esta população que o museu continua a ter vida e que a preservação do património imaterial ganha mais adeptos». Uma «necessidade de preservar esta memória» feita por «um povo que teima em continuar a viver este sentido de ser barrosão e a preservar a memória dos seus antepassados que é, também, uma forma de unir os presentes».
ALDEIA ABERTA
Interrogado como se pode "vender" este quadro turístico de Paredes do Rio, David Teixeira reconhece a dificuldade em projetar uma ideia que requer, entre outras coisas, investimento: «transportar esta ação para outras estruturas no concelho, de forma a potenciar o turismo, só poderá acontecer se houver um projeto integrado. É muito difícil manter estas construções. Através do cruzamento de gerações temos esperança que nos próximos anos ainda tenhamos quem saiba fazer». Todavia, esta "cara nova" «é um motivo extra para que a população e os turistas venham a Paredes do Rio». No próximo ano, desvenda David Teixeira, «poderemos criar aqui uma ou duas semanas da aldeia aberta». Um caminho que, a acontecer, pode dar mais eco à marca Ecomuseu de Barroso.
CHAMARIZ TURÍSTICO
A cobertura em colmo faz lembrar as cabanas celtas. Representa um "cartão postal" que tem convencido muitos turistas, adianta José Carlos Moura, presidente da Associação Social e Cultural de Paredes do Rio, instituição que tem laborado, neste tipo de projetos, com a Câmara Municipal de Montalegre e o Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG): «há muita gente que tem visitado a nossa aldeia na procura do Pisão...acredito que este trabalho seja um grande chamariz para todo o concelho de Montalegre». Um objetivo há muito ansiado: «a colma do pisão tem sido algo que já se tem falado ao longo dos anos com a Câmara de Montalegre e com o PNPG devido à parceria na recuperação de todo o património da aldeia». Agora que se fez luz, José Carlos Moura, defende que a missão é potenciar esta aposta e procurar investimento para modernizar o interior do Pisão: «não queremos ficar por aqui. Toda a estrutura necessita de uma manutenção e modernização que nos permita utilizá-la a nível turístico de forma evoluída». Um capital que se justifica: «este será dos poucos que o concelho ainda tem e talvez uma das últimas colmadas a serem realizadas no concelho».
«MELHOR QUE A TELHA»
António Afonso foi um dos homens que colmou o telhado do Pisão de Paredes do Rio. Na casa dos 70, este barrosão de gema garante que «hoje em dia quase ninguém consegue fazer isto». O porquê é simples de encontrar: «é um trabalho muito duro, feito quase sempre de joelhos, onde são precisos, pelos menos, três ou quatro homens». Os mais novos «não querem saber disto», assegura. Apesar de ter estado mais de uma década em França, António Afonso nunca renegou as raízes nem nunca perdeu os ensinamentos: «isto ganha-se com a prática e com o gosto e olhe que é melhor o colmo do que a telha...hoje a telha é quase toda fraca». Se tudo correr bem, «este colmo terá uma duração de 20 ou 30 anos». Palha que foi «toda escolhida e limpa para que, depois de colocada, não deixe entrar a água». A fechar, lamenta que este seja o seu último trabalho: «não acredito que faça mais isto...sabe...estou com quase 70...é só fazer as contas!».
PISÃO
Coordenadas GPS
41.794686
-7.918872
Altura: 996 m
41.794686
-7.918872
Altura: 996 m
Morada:
Paredes do Rio
5470-092 Covelães
Montalegre
Montalegre
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44