«Com menos burocracia, tínhamos mais produtores!»
11 Janeiro 2013
Boaventura Moura, presidente da Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã (APTFB), entidade que organiza, em conjunto com a Câmara de Montalegre, a Feira do Fumeiro, lamenta o excesso de burocracia que trava a existência de mais produtores de fumeiro. A ilustrar o raciocínio dá este exemplo: «a Direção-Geral de Veterinária (DGV) não devia levantar tantos problemas nos matadouros ou cobrar tantas taxas de licenciamento».
A poucos dias do início da XXII Feira do Fumeiro de Montalegre (24 a 27 deste mês), evento organizado pela Câmara Municipal de Montalegre e pela Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã (APTFB), o presidente desta associação organizadora não esconde o lamento pela existência de burocracia em torno do certame. Boaventura Moura defende que menos burocracia imposta à criação de novas explorações de suínos e gestão da atividade levavam à «existência de mais produtores de fumeiro em Montalegre».
Lembre-se que, para a presente edição, estão confirmados mais de 80 produtores, um número que «podia ser superior», afirma. O líder da associação vinca: «concordo plenamente que se exija cada vez mais com tudo o que faz parte da higiene e segurança. Para bem de todos nós. Mas há muita burocracia que não devia existir. Por exemplo, a Direção-Geral de Veterinária (DGV) não devia levantar tantos problemas nos matadouros ou cobrar tantas taxas de licenciamento».
«AS TAXAS SÃO TANTAS
QUE AS PESSOAS DESISTEM»
Condição imperativa é a qualidade do fumeiro. Deste modo, todos os anos, no início de Fevereiro, a associação reúne com os produtores e identifica os porcos criados para fumeiro. Ao longo do ano, o técnico da associação fiscaliza a alimentação dos animais à base de batatas, abóboras e couves. Boaventura Moura acentua: «o técnico visita as explorações no momento das refeições, de surpresa, para verificar se os porcos estão a ser alimentados com aquilo que a terra dá e, assim, apresentarem uma carne de qualidade».
A par destas explicações, a associação auxilia o desenvolvimento dos projetos das cozinhas para confeção do fumeiro: «o licenciamento é depois dado pela DGV e, também aqui, as taxas são tantas que às vezes as pessoas desistem. Emigram, vão para outras atividades».
O responsável considera ainda que deveriam existir mais apoios à atividade. Além de facilitar os processos e torná-los menos dispendiosos, Boaventura Moura questiona porque «há apoios de 40 mil euros para implementação de explorações de cereais e de algodão e não os há para criações de suínos», sublinhando que quando há apoios, as exigências são tantas que, por vezes, as pessoas não correspondem aos requisitos.
Todavia, refira-se que estamos a falar de um evento, verdadeiro complemento no orçamento familiar, que consegue escoar a produção apresentada, garante Boaventura Moura: «apesar destes problemas, a feira tem sempre novos produtores de fumeiro. Gente nova que aposta no fumeiro para completar as economias. Quase toda a produção é vendida nos dias de feira. É também escoada para alguns restaurantes locais. A venda é sobretudo feita nas cozinhas de cada casa porque muitos clientes são fiéis aos produtores».
FEIRA DO FUMEIRO
(Dados a reter)
(Dados a reter)
- 80 produtores de fumeiro com cozinha licenciada/atividade registada (Unidades Produtivas Locais, decreto lei n.º 209/2008 de 29 de Outubro). Destes, uma quantidade considerável também vai expor pão, mel e compotas cuja atividade está igualmente legalizada;
- 4 expositores de pão e derivados, com atividade igualmente legalizada ao abrigo da legislação anterior;
- 4 expositores de mel e derivados com atividade legalizada (UPP - Unidades de Produção Primária de Mel);
- 2 expositores de compotas, chás e licores, com atividade licenciada ao abrigo da legislação do REAI (dec. lei 209/2008);
- 6 produtores de fumeiro possuem carta de artesão e viram a sua atividade artesanal reconhecida pelo PPART;
- 16 produtores de fumeiro e compotas estão envolvidos num projeto de gestão estratégica e operacional, promovido pela Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã e supervisionado pela Associação Industrial Portuguesa (AIP-CCI) que visa o desenvolvimento e modernização da atividade (Gestão e Marketing).
- 4 expositores de pão e derivados, com atividade igualmente legalizada ao abrigo da legislação anterior;
- 4 expositores de mel e derivados com atividade legalizada (UPP - Unidades de Produção Primária de Mel);
- 2 expositores de compotas, chás e licores, com atividade licenciada ao abrigo da legislação do REAI (dec. lei 209/2008);
- 6 produtores de fumeiro possuem carta de artesão e viram a sua atividade artesanal reconhecida pelo PPART;
- 16 produtores de fumeiro e compotas estão envolvidos num projeto de gestão estratégica e operacional, promovido pela Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã e supervisionado pela Associação Industrial Portuguesa (AIP-CCI) que visa o desenvolvimento e modernização da atividade (Gestão e Marketing).
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44