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Conferência debateu o futuro dos baldios e das áreas comunitárias
O Auditório Municipal de Montalegre acolheu a conferência “Gestão e Produtividade nas Áreas Comunitárias”. A sessão contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, da presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, bem como de diversos responsáveis institucionais ligados ao setor florestal e agrícola. O encontro reuniu dirigentes associativos, especialistas, comunidades locais e entidades ligadas ao mundo rural para refletir sobre os desafios e oportunidades da gestão dos territórios comunitários. Foram debatidos temas como o impacto dos Agrupamentos de Baldios na organização e valorização do território, os modelos de governança e a articulação entre o Estado, a CAP e as comunidades locais, num momento de partilha de conhecimento e experiências.
A presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, destacou a importância estratégica dos baldios para o desenvolvimento do concelho, defendendo uma nova visão para estes territórios comunitários. Durante a conferência dedicada à gestão e produtividade das áreas comunitárias, a autarca sublinhou que os baldios representam muito mais do que um património histórico e cultural, assumindo-se também como um importante recurso económico e ambiental. “É preciso olhar de forma diferente para o baldio, porque o baldio é muito importante para o nosso território e para o seu futuro”, afirmou.
Fátima Fernandes salientou ainda o papel dos baldios na prevenção dos incêndios rurais e na promoção da sustentabilidade ambiental, considerando que “baldios limpos são uma garantia de menor risco de incêndio e uma ferramenta fundamental para a preservação ambiental”. A autarca aproveitou igualmente a ocasião para deixar uma mensagem dirigida aos mais jovens, reforçando a importância da agricultura e da pecuária para o futuro do concelho. “Montalegre é um território agrícola e pecuário. Importa mostrar aos jovens que é possível construir aqui um projeto de vida com rendimento e futuro”, referiu.
O Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, defendeu em Montalegre uma maior valorização dos baldios e da pastorícia extensiva, considerando-os fundamentais para a coesão territorial, a prevenção de incêndios e a criação de rendimento no mundo rural. Na conferência dedicada à gestão e produtividade das áreas comunitárias, o governante sublinhou a importância dos agrupamentos de baldios para o futuro dos territórios rurais. “Os agrupamentos de baldios dão escala. Temos de unir os territórios e unir Portugal, tirando partido das nossas forças e das nossas especificidades”, afirmou.
José Manuel Fernandes destacou ainda o papel dos agricultores e produtores na preservação do território, defendendo que a pastorícia extensiva é uma ferramenta essencial para reduzir o risco de incêndios, promover a biodiversidade e gerar riqueza local. O ministro reforçou também a aposta do Governo na renovação geracional, considerando que o futuro da agricultura depende da capacidade de atrair jovens para o setor. “Duplicámos os apoios aos jovens agricultores. O futuro da agricultura de Montalegre e do país depende da renovação geracional”, referiu.
O presidente da Coopbarroso, Nuno Sousa, defendeu em Montalegre a necessidade de assegurar a continuidade do financiamento aos baldios e às comunidades locais, bem como o reforço do investimento na pastorícia extensiva, considerada uma atividade fundamental para o futuro dos territórios de montanha.
Na sua intervenção, reforçou ainda que o investimento nos baldios e na atividade agropecuária representa uma aposta estratégica para a economia local, para a fixação de população e para a renovação geracional, acrescentando que "apoiar quem vive e trabalha nestes territórios é garantir a sua sustentabilidade e criar condições para que as novas gerações possam aqui construir o seu futuro".
Nuno Sousa concluiu defendendo uma maior valorização do mundo rural e das comunidades locais, considerando que "os baldios, a agricultura e a pecuária são pilares fundamentais do desenvolvimento sustentável do Barroso e devem continuar a merecer o apoio das entidades públicas e da sociedade em geral".
Para o responsável pela tutela, a agricultura deve ser encarada como um setor estratégico para o desenvolvimento do país. “Temos de deixar de olhar para a agricultura como um setor secundário.
O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, defendeu em Montalegre que a capacitação das comunidades locais e o fortalecimento das estruturas de gestão dos baldios são fatores determinantes para o desenvolvimento dos territórios rurais. "Capacitar as comunidades é investir na sua autonomia, na sua capacidade de decisão e no futuro dos territórios", afirmou, defendendo que o trabalho desenvolvido junto dos baldios deve ser encarado como um investimento estratégico e não como uma despesa.
Álvaro Mendonça e Moura sublinhou ainda que este esforço permite às comunidades "captar financiamento, desenvolver projetos, mobilizar recursos e criar novas oportunidades económicas", reforçando a capacidade de intervenção dos compartes e das estruturas de gestão locais.
O responsável destacou igualmente a importância dos agrupamentos de baldios, considerando que "estão a demonstrar que é possível encontrar soluções modernas para problemas antigos", através da cooperação entre o Estado, as organizações agrícolas, as comunidades locais e as restantes entidades do território.