A Associação Dinamizadora dos Interesses dos Compartes de Pincães (ADICP), no concelho de Montalegre, promoveu, por este dias, uma desfolhada feita à luz do passado. Uma atividade comunitária que reuniu a população na recuperação de uma tradição.
O objetivo passou por preservar a tipicidade da pitoresca localidade de Pincães, promovendo a identidade cultural e etnográfica da região e relembrando, ainda, o espírito de entreajuda comunitária da antiga desfolhada. Após o corte manual, com utensílios tradicionais, as canas do milho foram transportadas para a eira em carros puxados por uma junta de vacas de raça barrosã. Ali, com sonoridades e conversas tradicionais, regadas com uma malga de vinho novo, fez-se a desfolhada. Ao lado, outra relíquia, o tear artesanal a tecer. Particularidades caraterísticas das comunidades rurais do Baixo Barroso.
«TESOUROS»
A assistir, David Teixeira, vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre, destacou a importância de se darem a «conhecer estes tesouros» que fazem parte da identidade do concelho. São momentos que aliam «natureza e tradição» à forma como «só a gente do Barroso sabe acolher». À medida que se desfolhava o milho, amontoavam-se as espigas em cestos de verga que seriam depois despejados no canastro ou espigueiro.
Refira-se que antigamente este trabalho transformava-se em festa com os mais jovens a participarem ativamente na esperança de encontrarem o milho-rei e, dessa forma, beijarem a rapariga de quem gostavam.