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Ecomuseu debatido na Capital Europeia da Cultura
12 Dezembro 2012
Esteve em exibição, na capital europeia da cultura, Guimarães, o projeto de Arquivo Imaterial das Minas da Borralha. Inserida no projeto "Edifícios e Vestígios", decorreu, entre outras atividades, uma mesa redonda subordinada ao tema: "Que futuros possíveis? Espaços, materiais, espólios e novos usos". David Teixeira, diretor do Ecomuseu de Barroso, marcou presença no debate.
A cidade europeia da cultura, Guimarães, acolheu um «projeto ensaio que reflete sobre os espaços do pós industrial, através de diferentes estados de edifícios e materiais». Denominado “Edifícios e Vestígios”, «articula várias áreas, no sentido de criar uma reflexão multidisciplinar». As Minas da Borralha fazem parte desse conceito e estiveram representadas numa exposição. Entre outra atividades, decorreu uma mesa redonda, que reuniu várias entidades, incluindo o Ecomuseu de Barroso, Montalegre.
«E DEPOIS?»
Inês Moreira, responsável pelo conceito de investigação, agradeceu a presença de todos e fez questão de «frisar a atenção que tiveram de, num dia da semana, se poderem tratar questões da esfera do pós industrial». Recordou que conheceu os diversos elementos «durante os processos de investigação, produção ou montagem de “Edifícios e Vestígios». Nessa linha, focou que «os presentes adotaram modos de pensamento e estar, revestidos de informalidade». Essa característica permitiu «ter os trabalhos apresentados enquanto exposição». Daí nasceu «a necessidade e vontade de realizar uma conversa em mesa redonda». Em muitos dos encontros que antecederam este momento, reinou o pensamento: «e depois, o que vem de seguida?». Tendo em conta que «os diversos parceiros têm perspetivas, experiências e expetativas diferentes», foi organizado o encontro para «pensar em conjunto». Inês Moreira acredita que, «com este projeto ensaio, foi inventado um modelo de investigação produção».
«NÃO ACREDITO QUE A BORRALHA
VOLTE A FUNCIONAR COMO MINA»
VOLTE A FUNCIONAR COMO MINA»
David Teixeira, diretor do Ecomuseu de Barroso, agradeceu «o convite e a oportunidade de poder estar em debate esta realidade». Convicto, iniciou a sua apresentação com uma afirmação forte: «não acredito que a Borralha volte a funcionar como mina». Esta declaração é fundamentada «no custo de laboração» que «inviabiliza economicamente o projeto». De seguida, enquadrou as Minas da Borralha «naquele que é o grande projeto de desenvolvimento, e que levou a esta valorização do espaço mineiro». Falamos do Ecomuseu. Há cerca de três décadas que «as minas deixaram de funcionar e as pessoas que trabalhavam na mina, praticamente, não eram do concelho». Isso fez com que, «infelizmente, nem as pessoas tenham ficado». Quer pela «idade, quer por desafios de tentar a vida noutro local».
«PROBLEMA SOCIAL»
Para este técnico da Câmara de Montalegre, «a falência da mina tornou-se num problema social». Nesse sentido, «a primeira opção do município de Montalegre, foi tentar resolver essa dificuldade». Este projeto «demorou muito tempo a ser agarrado e a ser percebido». Para abordar a questão, David Teixeira mostrou algumas fotografias daquilo que define como «o embrião do que é a ideia a por em curso». Lembrou que «há perto de um ano, o município adquiriu todos os edifícios» e, neste momento, «além do investimento do valor da compra, estão a ser investidos muitos milhares».
DESTRUIÇÃO DO PATRIMÓNIO
Algumas pessoas «têm trabalhado a memória oral e a memória do espaço». Todavia, não há, praticamente, «ainda nada musealizado». É ao polo do Ecomuseu, em Salto, na mesma freguesia, que cabe «a ligação e a promoção». No entanto, «não temos a estrutura mineira musealizada para mostrar aos visitantes». Está a ser desenvolvida uma «intervenção num conjunto de estruturas, nos edifícios que estavam abandonados e que tinham sido, praticamente todos, vandalizados». Foi «doloroso, enquanto estrutura privada, nada poder fazer contra a destruição do património».
FUTURO - «CATIVAR PÚBLICO»
No futuro, «podemos vir a fixar pessoas nesta aldeia». Acrescentou que, «inserido neste projeto de território, polinucleado, que valoriza a identidade em diversos espaços do concelho, não repetindo as temáticas, mas sim acrescentando novidade», as minas da Borralha «podem cativar público». Num primeiro momento para que «a população se reconheça», para que, numa segunda fase, «essa premissa seja transformada em economia para o concelho». David Teixeira acredita que «é possível transportar este espaço para roteiros quer nacionais, quer europeus».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44