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ENICOP 2016 - Economia Circular
25 Setembro 2016
O pavilhão multiusos de Montalegre acolheu este fim de semana uma conferência internacional que reuniu vários especialistas em torno do conceito de economia circular. A sessão, inserida no ENICOP 2016 (Encontro Internacional com o Património), foi aberta pelo presidente do município, Orlando Alves, que aproveitou para incitar os presentes a encontrar soluções para minorar as desigualdades do país.
A conferência internacional realizada no pavilhão multiusos de Montalegre deixou claro que o modelo económico atual (linear) - assenta no pressuposto de que há uma disponibilidade ilimitada de recursos, ou seja, utiliza-se as matérias primas como se não tivessem fim - terá que ter os dias contados. A mudança de paradigma tem que acontecer sob pena do planeta - hoje com 7 biliões e cuja estimativa aponta para 9 em 2050 - não suportar tamanha saturação.
NOVO PARADIGMA
Nesta ótica, os entendidos afinam para o modelo de economia circular, isto é, «uma abordagem à produção e ao consumo que permite desenvolver inovação, novos produtos, serviços e novos modelos de negócio, que contribuem para um relacionamento mais equilibrado, e criativo, entre empresas, consumidores e recursos naturais». Foi dito que os desafios são muitos, desde logo pelo alto valor de complexidade na sua implementação. Exige uma gama de especialistas de áreas como as ciências naturais, engenharia, economia, gestão, sociologia, antropologia, psicologia...entre outras. Uma mudança de comportamentos que obriga, por exemplo, as empresas a necessitarem de sensibilização, conhecimentos e de ter capacidade de encontrar soluções no âmbito do termo "Economia Circular".
PROJEÇÕES
Todavia, executado o modelo, há oportunidades como a reutilização dos resíduos que podem gerar uma poupança líquida para a União Europeia até 604 mil milhões de euros; 170.000 empregos diretos no setor da gestão de resíduos e redução de emissão de gases com efeito estufa em 2,4%. Foi também explicado que se aplicarmos medidas direcionadas à economia circular e se aumentarmos a produtividade dos recursos em 30%, aumenta-se o PIB em 1% e criam-se cerca de dois milhões de postos de trabalho. Para tal, importa reutilizar, se não for possível reutilizar, reciclar e reparar.
NO ÚLTIMO SÉCULO FORAM CORTADAS
METADE DAS ÁRVORES DO PLANETA
Um dos oradores de maior destaque foi Kees Hoogendijk. Em nome da "Face The Future (FTF)", este académico holandês defendeu que o conceito de economia circular «começa com o respeito pelos ciclos da natureza. Começa com plantar árvores. Nós estamos aqui graças às árvores». Disse ainda que «os ciclos da natureza afetam o clima, nomeadamente o ciclo do carbono, da água e do calor». Ao explicar como funciona cada ciclo da natureza, Kees concluiu que as árvores arrefecem o planeta: «ao cortarmos as árvores, cortámos a capacidade de arrefecimento do planeta». Nesse sentido, lembrou que nos últimos 100 anos, foram cortadas cerca de metade do total das árvores do planeta. Se queremos restaurar o ciclo da água (árvores – evaporam transpiração – geram nuvens – refletem luz do sol – geram chuva – geram rios – água alimenta árvores) «temos que plantar árvores». Ao manter o ciclo da água intacto «garantimos o ciclo da alimentação», acrescentou. Relativamente ao ciclo de calor, «se não plantamos árvores, as cidades aquecem mais o que leva a uma necessidade maior de ar condicionado que, por sua vez, implica maior consumo de energia. Com o consumo de energia estamos a aquecer o planeta mais rapidamente do que pensamos», garantiu Kees Hoogendijk. Por fim, deixou alguns dados que devem obrigar qualquer humano a refletir: nos últimos 100 anos cortámos 45% de todas as árvores; o ciclo da água declinou 45%; 2 biliões de hectares de terra estão degradados; o efeito de arrefecimento das árvores caiu 45% e as cidade estão um a três graus celsius mais quentes; os recursos de água natural secaram. Foi também referido: temos 10 anos até que o nosso ciclo de sistema agrícola colapse se nada fizermos; precisamos de 2,5 triliões de árvores e de restaurar dois biliões de hectares de terra degradada. Por outras palavras, significa 300 árvores por cada cidadão nos próximos 30 anos, ou seja, 10 árvores por ano cada pessoa, durante 30 anos.
TEM A PALAVRA
Orlando Alves | Presidente da Câmara de Montalegre
«Foi uma jornada memorável, direcionada para a investigação e para o envolvimento que a sociedade moderna deve ter na economia circular. Os recursos do planeta Terra não são suficientes para que se possa manter, por muito mais tempo, a qualidade de vida de que usufruímos. Faz falta uma nova postura, dos cidadãos, das organizações e das empresas. Estiveram aqui muitas instituições de ensino superior a debater esta temática. Foi um dia de aprendizagem. Este encontro serviu, também, para mostrar Montalegre ao Mundo. Deixo uma palavra de agradecimento ao Fernando Silva que orientou toda esta organização e a todas a confrarias da Península Ibérica que ajudaram a internacionalizar o nome de Montalegre».
Fátima Fernandes | Vereadora da educação da Câmara de Montalegre
«Achei esta conferência muito oportuna. Os recursos deste planeta estão a esgotar-se muito rapidamente. É importante trazer para as localidades e para o terreno estes conhecimentos e as soluções para a regeneração desses mesmos recursos, sobretudo depois de um verão com incêndios devastadores que consumiram muita área no nosso concelho e no país. Esta matéria está na ordem do dia. É um privilégio e estamos muito agradecidos ao engenheiro Fernando Silva por todo este conhecimento».
Fernando Silva | Organização
«O balanço é diretamente proporcional às expetativas que tínhamos. O importante foi fazermos. Não foi fácil mas estou orgulhoso. Cumpri a minha missão. Espero que Montalegre tire o melhor proveito desta relação internacional. As pessoas que estiveram aqui adoraram a terra, a sua natureza e naturalidade. Que o futuro seja melhor, mais risonho e com mais agricultura, mais industria, melhor ambiente, mais educação, mais conhecimento. Espero que haja um grande respeito pelo património e com pessoas para o apreciarem. Este património não vale nada se não existirem pessoas».
Nuno Justo | Presidente da Associação Empresarial do Planalto Barrosão
«Mais um evento ao qual nos associamos. Faz parte da nossa função. Trazer aqui pessoas é um dos nossos objetivos e estaremos sempre disponíveis para este tipo de iniciativas».
Rosa Maria Rocha | Instituto Politécnico do Porto
«Vou completamente entusiasmada com o tema e vou ler sobre o assunto. As intervenções foram pragmáticas, claras e com exemplos práticos muito interessantes. Este novo conceito de economia é o futuro. Montalegre é uma vila muito interessante, vê-se que há qualidade de vida. As pessoas de Montalegre são mais felizes».
Cândida Rocha | Universidade Lusófona
«A mensagem que sai desta conferência é que devemos passar do modelo linear, que existe atualmente e não funciona, para o modelo de economia circular. Devemos fazer essa transição o mais rapidamente possível. Uma mudança de paradigma que passa pela mudança de comportamentos e que começa por cada um de nós. Montalegre é uma vila muito bonita e com uma excelente gastronomia».
Javier M. Marcos | Universidade de Salamanca
«Com as mudanças na sociedade pós-moderna, há uma busca pela autenticidade, uma busca pelas raízes. Passamos de reconstrução de vivendas para construções novas e utilização de novos materiais; passámos de uma oferta reduzida para casos de saturação. O desenvolvimento do turismo rural fomentou uma grande recuperação de património cultural e etnográfico. Fixou população e criou emprego».
Carlos O. Augusto | Universidade do Minho
«A construção gera resíduos. 1/3 dos resíduos da Europa derivam da construção. E destes, 80% são de construções novas. A Economia Circular, aplicada à construção, passa por: Construção em camadas; Design redutor de resíduos; Design para a adaptabilidade; Design para a desmontagem; Seleção de materiais (o mais naturais e renováveis possível) e capacidade de utilizar os resíduos das demolições».
Jesús A. Diez | Fundación Patrimonio Natural Castilla y León
«É necessário introduzir o estudo da economia circular nas universidades e escolas profissionais. Há um problema: não há formação. Não temos muito tempo para a transição do modelo linear para o circular. É necessário o envolvimento de todos. Nos municípios pode-se trabalhar muito pela economia circular e trabalhar nos processos para acelerar a transição da economia linear para a economia circular. É uma questão de foco. É necessário utilizar melhor os recursos e recuperar materiais que estão desperdiçados. Por exemplo, cerca de 100 milhões de telemóveis são descartados cada ano na União Europeia. São materiais valiosos que são desperdiçados. Relembro os princípios básicos da economia circular: Ecodesign; Ecologia industrial e territorial; Economia da funcionalidade; Durabilidade; Segundo uso; Reutilização; Reciclagem e Valorização».
Jacqueline M. Gomez | Institute for Applied Material Flow Management
«A gestão de fluxos de materiais prende-se com uma profunda análise e otimização de materiais e fluxo de energia que surgem na produção de produtos e serviços. Da gestão de resíduos à gestão de recursos, pretende-se prevenir e reduzir resíduos. Por outro lado pretende-se, a partir de resíduos sólidos, gerar valor. Tudo com foco na sustentabilidade».
Paulo Praça | Associação Para a Gestão de Resíduos
«A economia circular é inevitável. Temos que falar sobre ela, temos que levar a esse desígnio de fechar o círculo. Ela não é um luxo, é uma necessidade. A terra tem capacidade para satisfazer as nossas necessidades. A terra não tem capacidade para satisfazer as nossas ambições. Cabe-nos a nós deixar um Mundo melhor».
Lindsey Wuisan | Circular Economy Portugal (CEP)
«A economia circular foca-se em modelos de negócio inovadores. As empresas investem na sustentabilidade não apenas por razões ambientais mas porque é um caminho para novas oportunidades de negócio. As empresas deviam pensar na venda de produtos como um serviço. Não se trata de comprar produtos, mas de comprar serviços. A missão da CEP (Circular Economy Portugal) é acelerar a transição para a economia circular em Portugal. Baseia a sua atuação em fomentar a produção e o consumo sustentáveis. Os objetivos da CEP são: divulgar conhecimento, desenvolver projetos, fomentar a cidadania ambiental e consciencialização e apoiar empresas na viagem em direção a um novo modelo de negócio».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44