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Feira do Fumeiro - Reencontro com a História
04 Fevereiro 2016
O jornalista que criticou ferozmente a primeira edição da Feira do Fumeiro, titulando a notícia do Público em "Presuntos rançosos e alheiras azedas", esteve nos 25 anos do certame. Ao pisar o palco, deu de frente com um cenário grandioso que lhe encheu a alma. Na conversa - na qual participou o atual vice-presidente da autarquia - ao invocar o passado, Pedro Garcias recusou fazer ato de contrição. Preferiu defender que talvez a noticia tenha despoletado o caminho de «exigência» que passou a imperar na "rainha do fumeiro". Hoje, passada a tormenta, este duriense diz-se um fã incondicional de tudo que seja Barroso.
Quando em 27 de janeiro de 1992, o jornal Público - ao fazer o balanço do primeiro ano de vida da Feira do Fumeiro - lançou a noticia "Presuntos rançosos e alheiras azedas", o concelho de Montalegre recebeu um murro no estômago. Depois de tanto trabalho, de tanto bater à porta dos barrosões para vender o que de melhor a casa colhia, eis que, num ápice, o município estava com visibilidade mas pelas piores razões. O tormento foi de tal ordem, que o próprio executivo, na altura liderado por Joaquim Pires, viu-se obrigado a levar o assunto, no dia seguinte, à reunião de Câmara onde ficou, para a posteridade, o repúdio da organização ao modo como foi descrita a divulgação.
VERSÃO DO JORNALISTA
No início da década de 90, não era só o jornal Público que estava a dar os primeiros passos. Também Pedro Garcias. Um jovem irreverente que assimilava a máxima de então do periódico: "Boas notícias, não são notícia". A busca pelo inconveniente, pelo que "vendia", era uma arma sempre presente na escrita do jornalista. Garcias recorda esse tempo: «na altura eu tinha uma forma muito dura de intervir no jornalismo. Achei que devia denunciar o que estava mal de uma forma muito interventiva». A fonte foi bebida no júri do concurso que já na altura premiava os melhores produtos: «nessa primeira Feira do Fumeiro, o padre João Carvalho provou 10 alheiras e achou que não reuniam os melhores atributos. Influenciou-me bastante. Também provei. Não percebia de fumeiro mas concordei». Foi o rastilho para provocar a "bomba". Uma explosão, defende o ainda jornalista do Público, que provocou outra atitude: «se calhar ainda bem que o fiz porque se criou essa exigência e vocês estão sempre a crescer».
MUSA INSPIRADORA
Esta entrada "a matar" do Barroso foi apaziguada com o tempo. Hoje tem «grandes amigos» em Montalegre. Um abraço que se tornou umbilical. Pedro Garcias lembra que os melhores trabalhos que assinou estão relacionados com Barroso. Hoje escreve sobre vinho. Contudo, não esquece o passado e não é cego com o que sente e ouve por todo o lado: «talvez esse trabalho sobre a Feira do Fumeiro me tivesse inspirado para outros...esta feira inspirou todas as que existem no país... é um verdadeiro sucesso, deu uma volta imensa e estimulou muita gente a estar aqui e a fazer riqueza». Passado um quarto de século, sublinha, «é emocionante ver este sucesso, é extraordinário ver que esta feira está cada vez mais forte, com mais vida, com gente nova e dinâmica».
«FAZ-SE HISTÓRIA!»
Muito atento à conversa esteve o atual vice-presidente da Câmara de Montalegre. Apesar de muito jovem, David Teixeira lembra bem a turbulência que provocou a notícia. O mau estar foi tanto que guardou, com o tempo, o desejo de conhecer o jornalista. O momento chegou. Para o autarca, «hoje faz-se história!» e explica porquê: «gostava muito que este momento acontecesse, conhecer o Pedro e perguntar-lhe: era a tua opinião ou foi a influência de alguém?». Escutadas as explicações, sossegou a ansiedade. David Teixeira defende que «25 anos depois é muito importante este encontro para se ter a noção da evolução». Um reencontro que sucede, por ironia, no momento em que estava a decorrer a análise do júri ao concurso da "Melhor Alheira e Chouriça" do evento.
A fechar, David Teixeira lembrou que «hoje o desafio já está nas escolas de hotelaria para que estes produtos possam ser servidos de uma forma gourmet. Mais de 30% dos jovens, que estão a participar nesta feira, são licenciados e isso faz toda a diferença». Em síntese, rematou, «são jovens que precisam de apoios para produzirmos para a escala da internacionalização».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44