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'In Memoriam' a Bento da Cruz
22 Fevereiro 2016
O concelho de Montalegre voltou a render homenagem ao maior escritor do Barroso. Desta vez, foi apresentado publicamente, no salão nobre da autarquia, o livro "In Memoriam - Bento da Cruz", projeto que aparece no âmbito de um protocolo de cooperação entre a Câmara de Montalegre e a UTAD, através dos ciclos de estudos em Ciências da Cultura.
TEM A PALAVRA
Orlando Alves (Presidente Câmara Municipal de Montalegre)
«Uma homenagem simpática, que reuniu, sem espanto e com muito agrado, a fina flor da elite transmontana, com muitos admiradores da obra de Bento da Cruz, os amigos e a família. Foi um momento interessantíssimo e uma forma simpática de celebrar o seu aniversário. Foi também tempo de se colocar à disposição do público um conjunto de testemunhos ou relatos interessantíssimos. Bento da Cruz foi o escritor de Barroso, o homem que se inspirou no quotidiano das gentes, os seus costumes e tradições. Soube transpor tudo isso para as páginas dos livros que escreveu que ficam para a posteridade como documentos de consulta. São tributos que temos a obrigação de fazer para que a obra literária de Bento da Cruz não fique esquecida».
David Teixeira (Vice-Presidente Câmara Municipal de Montalegre)
«É o reconhecimento dos locais e do município no sentido de criar condições para que o ano de 2016 seja dedicado à obra e ao homem Bento da Cruz. Esta foi apenas a primeira das cerimónias que se pretendem levar a cabo. O primeiro objetivo é que a obra seja conhecida e lida e que mais gente possa divulgar este barrosão que é único. A sua obra é o próprio Barroso».
Fátima Fernandes (Vereadora Educação Câmara Municipal de Montalegre)
«Temos a alegria de continuar a vê-lo numa obra vasta que nos enriquece todos os dias. É o maior escritor de todos os tempos. Deixou-nos uma obra riquíssima que deve ser mais explorada. Pessoalmente, descubro sempre coisas novas no “Planalto de Gostofrio”, uma obra que gosto especialmente. Continuamos a honrar o seu legado que perdurará para todo o sempre. Um vulto maior da nossa cultura e da nossa identidade».
Fernando Rodrigues (Presidente Assembleia Municipal de Montalegre)
«Bento da Cruz foi o maior escritor barrosão de todos os tempos. Fez dos barrosões os seus heróis e da nossa terra o motivo da sua escrita. Dedicou toda a sua obra e toda a sua vida ao Barroso e, por isso, tudo o que se faça para lembrá-lo é pouco. Conheci Bento da Cruz como politico, quando era um lutador pela democracia e nessa altura aprendi a ter muita consideração e respeito pela sua força e coragem».
Emanuel Cruz (Filho)
«Senti-me muito emocionado e, ao mesmo tempo, grato por esta bela homenagem que fizeram ao meu pai. Não é a primeira. Em vida foi homenageado em Montalegre diversas vezes. Foram momentos que o tocaram muito, sobretudo quando o tornaram patrono da Escola Secundária. Sinto uma responsabilidade acrescida por estar a representá-lo».
Ilda Cruz (Esposa)
«Estes momentos fazem-me cair na realidade. Ainda me custa a acreditar que o meu marido já não está cá. É muito difícil viver sem ele. Não era um homem de muitas palavras mas estava em todos os momentos. Era uma enciclopédia, uma verdadeira biblioteca ambulante».
António Cruz (Irmão)
«Não contava com tão grande homenagem. Pela parte que me toca, estou muito agradecido a toda esta gente que veio aqui. O meu irmão tinha, também, um espírito de poeta que tenho pena que não tenha manifestado».
Padre Fontes
«Era um elemento ativo na divulgação de Barroso, na escrita que fazia com arte, nos livros que publicou e no jornal que sustentou e assegurou durante muito tempo. Também andou no seminário em Singeverga onde já escrevia livros. Tínhamos em comum a data do aniversário com quinze anos de diferença e durante os últimos anos celebramos juntos. Fomos mais próximos dos interesses da terra. Foi o meu médico dentista durante algum tempo».
José Dias Baptista (Coordenador do projeto "In Memoriam - Bento da Cruz")
«Sinto-me muito orgulhoso. Prestar-lhe esta homenagem foi uma ideia minha, criando este livro onde a maior parte dos amigos da região pudesse escrever sobre ele. Sinto-me muito satisfeito, correu tudo muito bem. Hoje Barroso cresceu mais um pouco e ficou mais conhecido. Esteve aqui muita gente ligada à cultura».
Otelo Rodrigues (Ecomuseu de Barroso)
«Faz todo o sentido que uma homenagem aconteça no Ecomuseu de Barroso. A exposição de um grande barrosão tinha que ser neste espaço. Está aqui uma retrospetiva da vida de Bento da Cruz, como escritor, médico e politico que pode ser visitada até 20 de abril. Também faz todo o sentido que este ilustre barrosão tenha o seu nome associado a uma das salas deste local».
Fernando Moreira (Membro da Área de Ciências da Cultura do Departamento de Letras, Artes e Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)
«Foi o primeiro trabalho que surgiu no âmbito do protocolo entre a área de Ciências da Cultura da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Câmara Municipal de Montalegre. Foi uma coincidência extraordinária celebrar um escritor como o Bento da Cruz».
António Pires Cabral (Diretor do Grémio Vila-Realense)
«Acho muito justo. O Bento da Cruz é um dos grandes escritores da língua portuguesa. Um homem que amou entranhadamente a sua terra natal. É muito bom que se façam estas homenagens e que as pessoas tenham em consideração que muitas vezes a fama não corresponde ao seu valor real. O Bento da Cruz está subvalorizado e tem que ser sobrevalorizado».
António Chaves (Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes e Alto Douro)
«Foi a maior biblioteca e a maior memória de Barroso. O maior exemplo de dignidade e de respeito com que nos ensinou a ver a nossa terra, a saber apreciar a paisagem, a vida animal, o cantar dos pássaros, o sentido de existência e a força e a beleza do carácter das pessoas que aqui viveram. Foi um mestre em tudo isso. Marcou uma época, marcou um tempo e princípios que não desaparecem. Para ele, Barroso era a terra mais bonita de Portugal. Ensinou-nos essa visão e essa é a maior lição que nos deixou».
VIDA
Filho e neto de lavradores, nasceu em Peirezes, localidade do concelho de Montalegre, a 22 de fevereiro de 1925. Até ingressar na escola claustral de Singeverga (1940) - dirigida por monges beneditinos - trabalhou na lavoura. Seis anos depois, após o noviciado, abandonou de livre vontade a vida religiosa. O ano de 1948 ficou marcado pelo seu ingresso na faculdade de Medicina de Coimbra. Terminada a vertente académica, Bento da Cruz trabalhou no Barroso nas décadas de 50 e 60. Em Montalegre, nos Pisões, na Borralha e na Vila da Ponte desempenhou funções na área da clínica geral e da estomatologia. Em 1971 fixou-se no Porto. Após o 25 de abril, fundou o jornal Correio do Planalto, um quinzenário regionalista, que dirigiu até à sua morte.
Bento da Cruz foi deputado da Assembleia da República e é patrono da escola secundária da vila de Montalegre. A Câmara Municipal de Montalegre distinguiu este barrosão com a Medalha de Mérito (ouro) no feriado municipal de 1991 e, em 2009, assinalou os seus 50 anos de vida literária, num dia repleto de atividades, que fica marcado pela apresentação do seu último romance: A Fárria.
OBRA
- PLANALTO DE GOSTOFRIO (anterior PLANALTO EM CHAMAS – romance, 1963) – romance – 1982 – (2ª edição – 1992) – conta a história de Toninho e da sua prima Carolina, a par da história da família dos Marinheiros e do povo de Gostofrio (prefácio de Óscar Lopes);
- O LOBO GUERRILHEIRO (anterior AO LONGO DA FRONTEIRA – romance, 1964) – romance – Prémio Literário “Diário de Notícias”, Prémio de Literatura (Ficção) da Sociedade Portuguesa de Escritores Médicos. Traduzido para galego: Edicións Xerais de Galícia, 1996. (2ª Edição – 2001, 3ª edição - 2014) – relata a história de André Lobo e do seu amor por Consuelo, guerrilheira antifranquista, entrecruzando-se histórias de contrabando e de guerrilheiros da Guerra Civil Espanhola;
- FILHAS DE LOTH – romance, 1967 (4 edições, a última em 1993 – Círculo de Leitores) – história da professora Maria José, da sua amiga Lua e do padre Bino;
- CONTOS DE GOSTOFRIO – 1973 – Prémio “Fialho de Almeida” (2ª edição – 1993, 3ª edição - 2011)– contos sobre figuras da nossa terra (com prefácio de Urbano Tavares Rodrigues);
- HISTÓRIAS DA VERMELHINHA – Contos de tradição oral de Barroso – 1991 (2ª Edição – 2000) – histórias “picantes” (daí da vermelhinha) onde surgem as figuras e temas picarescos (padres, crítica social, galegos, eróticas);
- VICTOR BRANCO – Escritor Barrosão – Vida e Obra, Prémio Literário de Investigação da Câmara Municipal de Montalegre, 1995;
- O RETÁBULO DAS VIRGENS LOUCAS – romance – Prémio Literário (Ficção) da Câmara Municipal de Montalegre – 1996 – narra a história de vida da Picholeta, uma vida de sobrevivência e de amor pelo Zé Caixeiro, e das argolas oferecidas à Senhora do Pranto que afinal valiam cem contos, cento e vinte, o que fica a saber quando assiste ao leilão durante uma romaria. Só então percebeu "o abismo da sua miséria, raras vezes gozara de cem escudos na algibeira, ela que quase vira os filhos mortos de fome";
- HISTÓRIAS DE LANA-CAPRINA – contos – 1998 (2ª edição – 1999) – figuras típicas de Barroso e usos e costumes;
- GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM TRÁS-OS-MONTES – História – 1ª Edição – 2003, 2ª Edição – 2005;
- A LOBA – romance, “Prémio Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa” de 1999 e “Prémio Arzobispo Juan de San Clemente” na modalidade “ A melhor novela em galego do ano 2000”, 1ª Edição – 2000, 2ª Edição – 2000, 3ª Edição – 2001 – história da Rufina que vai servir para casa dos Pereiras. Aí casa e aí descobre a Loba… história de violência e crueldade, mas também de solidariedade, coragem e amor;
- A LENDA DE HIRÃN E BELKISS – Novela, 2005 – história de David que, tendo conquistado muitas cidades e províncias, chegou a rei de Israel. Como era um grande pecador, resolve construir um grande templo para acolher a Arca da Aliança. Aí surge a história de amor entre Hiran, mestre de obras, e Belkiss, rainha de Sabá;
- PROLEGÓMENOS – Crónicas de Barroso, 2007, 2ª Edição – 2008;
- PROLEGÓMENOS II – Crónicas de Barroso, 2009, 2ª Edição – 2010;
- BOI DO POVO E OUTROS TEXTOS - 2009
- A FÁRRIA – romance – 2009 – história de Silvério Silvestre que, estando muito doente e hospitalizado, confessa a sua vida ao narrador. Esta personagem relata a sua atribulada vida amorosa com Senhorinha, filha de um lavrador rico, a par da história do minério que era explorado nas minas da Borralha;
- PROLEGÓMENOS III – Crónicas de Barroso, 2013
NOTA - Referência para a obra Hemoptise, em poesia, escrita em 1959, sob o pseudónimo Sabiel Truta.
"In Memoriam" a Bento da Cruz
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44