Por estes dias, no concelho de Montalegre, foram efetuadas mais de 400 ocorrências de incêndios. Um número assustador que deve «envergonhar todos os barrosões» e que deve obrigar a «colocar a mão na consciência», alerta Orlando Alves, presidente da Câmara de Montalegre. O autarca não compreende esta «loucura» e esta «paixão pelo fogo». No rol de lamentos, interroga: «porque é que só arde do lado de cá e nunca do lado de lá? (Espanha)».
Os bombeiros do concelho de Montalegre tiveram, ao longo dos últimos dias, um número de pedidos de todo surpreendentes para esta altura do ano. As contas apontam para mais de 400 ocorrências. Um registo gigantesco que provocou um coro de lamentos, posição que é corroborada pela Câmara Municipal na voz do presidente Orlando Alves que lança duras críticas a todo aquele que pratica atentados à natureza: «o que assistimos foi ver os nossos bombeiros a arrastar os ossos e a pele para tentarem impedir que as chamas devastem o nosso território. A todos os que habitam o nosso planalto barrosão, esta linda terra de Barroso, só posso dizer que temos a obrigação de deixar uma terra viva aos nossos vindouros».
«NÃO SE ENTENDE ESTA LOUCURA!»
Profundamente desiludido, Orlando Alves reforçou a posição: «não é matando-a e destruindo-a com incêndios que fazemos esse ato de justiça. Não concebo, de maneira nenhuma, não se entende este frenesim, esta paixão pelo fogo, esta loucura!». No mesmo tom, o edil referiu: «não me digam que é por causa do calor porque nunca ouvi dizer que uma casa ardeu devido às altas temperaturas. Só arde aquilo que é património de todos nós e que devemos preservar. Devia envergonhar todos os barrosões o fato de termos muito perto uma linha de fronteira de 70 quilómetros e ver tudo isto acontecer». No final, Orlando Alves lança esta questão: «porque é que só arde do lado de cá e nunca do lado de lá? Acho que devíamos ter um pouco de vaidade em nós próprios. Devíamos colocar a mão na consciência e sentir que o céu se ganha com boas obras. Destruir o monte e espaços, onde existe a vida selvagem, é crime! Devíamos ter vergonha de agir desta forma».