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Malhada do Centeio em Parafita
06 Agosto 2014
Assistimos, muito provavelmente, à última malhada do centeio, à moda antiga, no concelho de Montalegre. Aconteceu na aldeia de Parafita, sem qualquer intuito de recriação. O proprietário, João Barroso, 73 anos, desiste da tradição por «dar muito trabalho» e «por não haver gente que trabalhe». Em representação do município de Montalegre esteve o vice-presidente David Teixeira.
A última vez. Muito dificilmente poderemos assistir, sem qualquer preocupação fotográfica, a uma malhada do centeio, realizada em moldes tradicionais, no concelho de Montalegre. A moderna maquinaria e a falta de mão de obra liquidaram uma das mais genuínas tradições comunitárias do Barroso. O último resistente, natural de Parafita, tem 73 anos. João Barroso refere que os filhos, em outras lides laborais, convenceram-no a desistir: «são eles que me pedem...isto dá muito trabalho! É o último ano. Mais nada...».
«NÃO HÁ GENTE!»
O lamento é mais do que evidente. É uma história que sai das mãos de João Barroso. Uma história de gerações, de olhares, de vozes, de atenções. Diz vezes sem conta que «não há gente». Gente que enfrente o calo, as canseiras do sol e do pó. Um dia as saudades vão apertar mas como «os filhos não querem», há que oxigenar o tempo de hoje.
REGRESSO À INFÂNCIA
Em representação da Câmara Municipal de Montalegre, o vice-presidente David Teixeira deixa soltar o olhar da infância. Observa e fala pouco. Os olhos humedecem à simplicidade do povo que tem à sua frente: «é o regresso à infância onde muito dos nossos verões eram passados a "ganhar a malhada" aos vizinhos. Estamos perante um último resquício de comunitarismo. Penso que será uma das últimas malhadas a ser feita no nosso concelho. Não é recriação nenhuma. É a vivência de uma tradição que tende a desaparecer e que nós teimamos a que não desapareça. Pelo menos, que fique na nossa memória».
PARTIDA IRREVERSÍVEL
David Teixeira estende o elogio a um povo que «sabe fazer» e que «ensina os filhos a fazer». A homenagem do município é estar presente: «são os nossos mensageiros desta cultura que ao longo dos séculos resistiu. Esta é a vivência do povo». Todavia, o vice-presidente da autarquia de Montalegre tem consciência que o tempo moderno não se compadece com romantismo. O seguir em frente é alinhar com as seduções e com a oferta dos dias de hoje, daí que assuma que estamos perante uma tradição que irá desaparecer: «a mudança que foi operada na agricultura é irreversível. Poderá continuar a existir a segada e malhada em Paredes do Rio, em Solveira ou em pequenos núcleos mais turísticos, mas desta forma tradicional, genuína, do povo que se une, penso que está mesmo a terminar».
Malhada do Centeio em Parafita - AGOSTO 2014
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44