Inaugurada na "Sexta 13", pode ser observada até 20 de Julho, na sede do Ecomuseu de Barroso, uma exposição denominada "Máscaras dos Diabos", da autoria de Carlos Ferreira. Ao todo cerca de uma centena de peças sob o mote "Terra de Miranda ao Barroso". O artesão estreia-se com uma coleção que reflete «uma dedicação apaixonada pela arte de esculpir madeira».
Pode ser vista na sede do Ecomuseu de Barroso, Montalegre, até 20 de julho, uma exposição com o título "Máscaras dos Diabos". Da autoria de Carlos Ferreira, a coleção reúne cerca de 100 peças sob o mote "Terra de Miranda ao Barroso".
O artista, com 55 anos, investigador da cultura mirandesa e escritor, é natural de Sendim, concelho de Miranda do Douro. A elaboração de máscaras começou pelo ano 2000. A ideia passa por «dar uma nova vida às tradicionais máscaras de madeira utilizadas nos rituais transmontanos, por isso procuro que cada peça apresente um cunho diferente daquilo que é considerado original». Em Trás-os-Montes, os múltiplos rituais com máscara, perpetuam-se desde a aurora dos tempos: enraízam na velha sociedade agro-pastoril pré-romana, fazendo percurso que já atravessou três milénios, marcando a cultura local e contendo elementos diferenciadores.
60 HORAS CADA MÁSCARA
COM CUSTO ATÉ 300 EUROS
A construção de uma máscara pode levar cerca de 60 horas. O preço pode variar entre os 70 e os 300 euros. O artista cria diferentes tipos de máscaras, conforme a inspiração e que podem ir das solsticiais às de traços asiáticos ou mesmo às máscaras de feições demoníacas. Do ponto de vista ambiental, Carlos Ferreira diz ter cuidado em «preservar as espécies de madeira autóctones» e, por esse motivo, garante ter «sempre muito cuidado em fazer a seleção dos pedaços que vão ser trabalhados e transformados». O artesão já esculpiu cerca de 60 máscaras, utilizando para o efeito madeiras nobres da região nordestina: amieiro, zimbro, cerejeira, azinheira, amoreira, cornalheira ou cortiça, que se transformam em trabalhos «únicos e dignos de uma herança ancestral».