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Medalha de Mérito a Nelson Zumel
30 Julho 2011
A Câmara Municipal de Montalegre prestou homenagem ao galego Nelson Zumel com a atribuição da "Medalha de Mérito do Município". A cerimónia solene aconteceu nos Paços do Concelho.
O executivo municipal de Montalegre decidiu render homenagem a Nelson Zumel com a atribuição da medalha de mérito municipal. Um nome pouco conhecido para o grande público mas que tem justificação pela trajetória de vida deste pintor galego como fez questão de esclarecer o presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fernando Rodrigues: «homenageamos um homem das artes e da cultura cuja expressão artística, através da pintura, fez dele uma personalidade reconhecida pela qualidade da sua obra. O mérito municipal é atribuído a pessoas ou instituições que pela sua ação tenham contribuído para o desenvolvimento social ou cultural da região (...) A cultura não tem fronteiras, não tem politica. Homenageamos Zumel pelo seu talento, pela sua obra, pela sua generosidade e pela sua participação cívica».
«EXEMPLO DE TRABALHO»
Fernando Rodrigues reforçou os elogios ao homenageado: «Nelson Zumel é um exemplo de trabalho e de sucesso. Apesar das muitas dificuldades, teimou e venceu. Foi pela força da sua criatividade e talento que se fez um grande pintor. Queremos reconhecer a expressão artística e o relevo cultural da sua obra. Queremos reconhecer também o homem que interpreta as cores, refaz a vida e que recria a natureza, transmitindo a sua sensibilidade, com um estilo próprio e linguagem única».
«HOMENAGEM AO
ESPANHOL DA GALIZA»
Muito atento às palavras do presidente da autarquia de Montalegre, Zumel e a plateia ainda escutaram o autarca a dizer o seguinte: «ao homenagearmos Nelson Zumel estamos a homenagear o espanhol da Galiza e o pintor da raia que viveu e conhece, como nós, as dificuldades do interior e do mundo rural». Ato contínuo, Fernando Rodrigues afirmou: «cumprimos uma obrigação com esta homenagem. Mostramos atenção cultural regional e reconhecemos o prestígio de um dos nossos que singrou entre os grandes de Espanha e que fez reverter todo o seu prestígio para a região. Estou certo que este gesto simbólico dignifica e prestigia Montalegre e eleva o Ecomuseu no trabalho da sua valorização cultural e histórica que quer prestar a esta gente e a esta região». A fechar, Fernando Rodrigues deixou um desejo: ««espero que esta ação seja um marco nas relações sócio-culturais entre os dois lados da fronteira que nós queremos e devemos aprofundar como povos vizinhos e irmãos».
«DIA GRANDE PARA MIM»
Com uma indisfarçável comoção, Nelson Zumel agradeceu «profundamente» o gesto da Câmara Municipal de Montalegre a ponto de referir que o dia é para recordar eternamente: «lembro-me, quando era rapaz, que estes dois países eram separados. Felizmente hoje Espanha e Portugal fazem parte da União Europeia. Desejo no futuro que sejam uma união parecida com a união dos Estados Unidos da América. Agradeço profundamente as palavras do senhor presidente. Hoje é um dia grande para a minha humilde pessoa porque recebi a medalha de mérito de Montalegre que ficará para sempre junto ao meu coração».
Zumel lembrou que ao longo da vida já recebeu várias condecorações, todavia, a de Montalegre terá no coração a morada eterna: «apesar de já ter sido reconhecido em diversos países, por exemplo, fui nomeado homem do ano 2000 nos Estados Unidos, este facto tem menos importância para mim do que a medalha de mérito que hoje me foi concedida».
ZUMEL OFERTA
QUADRO AO ECOMUSEU
Finda a sessão, a comitiva visitou a sede do Ecomuseu de Barroso. O homenageado não escondeu a surpresa pelo que encontrou. No trajeto percorrido, Zumel prestou rasgados elogios a uma estrutura que passa a deter uma obra do pintor que gentilmente decidiu doar a um espaço cujo patrono é o conhecido Padre Fontes, presente nesta jornada cultural.
NELSON ZUMEL
O pintor Nelson Zumel nasceu na aldeia de Tosende, concelho de BALTAR, província de Orense, em 19 de Março de 1928. Viveu e sofreu as dificuldades da Guerra Civil de Espanha. Com 12 anos, com o intuito de sobreviver à fome, atravessou o Atlântico em direção à Argentina. Ali trabalhou com um parente, em regime de semi-escravatura. Conheceu um rapaz francês, com quem travou amizade, o qual o animou a frequentar uma escola noturna de pintura. A sorte aliou-se então com ele: vendeu o primeiro quadro, por um valor astronómico em relação ao salário que auferia habitualmente. Começou a conhecer gente do mundo da pintura. Recebeu sábios conselhos de pintores já bem conhecidos naquela altura, e de comerciantes de arte. Ao mesmo tempo que pintava, comprava e vendia quadros de outros. Percorreu toda a América.
Como ele diz «recarregava baterias» visitando os Centros Galegos por onde quer que passasse.
Em 1960 regressou a Espanha. Residiu temporariamente em Paris, centro do universo pictórico.
Nelson Zumel é dono de uma valiosíssima coleção privada de arte – pinturas próprias e de outros autores de várias épocas – existem museus e fundações com o seu nome; designado filho predileto de vários municípios e homenageado em meio mundo; frequentador de Casas Reais, amigo de Reis e Presidentes de Governo, prémios Nobel, escritores e pintores universais, das mais altas personalidades da política, do clero e das artes. Amigo, também, e enormíssimo divulgador, da sua terra e do interior.
Tem com Montalegre uma relação carinhosa, tecendo os maiores elogios à sua história, à cultura, à sua gente, ao património e à beleza paisagística. É um entusiasta do Ecomuseu de Barroso. Tem-se empenhado em estabelecer relações culturais transfronteiriças e em aprofundar as ligações e relações entre Montalegre e os concelhos vizinhos da Galiza e as suas gentes.
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44