A Adoração dos Magos, pintada por Domingos Sequeira (1768-1837), põe em cena cerca de 150 figuras, numa das mais participadas composições sobre este tema da história da pintura europeia. Desse conjunto, são 60 as que ganham individualidade em primeiro plano, basicamente aquelas que foram estudadas em desenho antes da passagem à fase da pintura. Para a preparação desta obra de 1828, o pintor começou por conceber um enorme cartão (98 x 136cm), desenhado a carvão e giz branco, com a mesma escala da pintura final. Nele já se encontram esboçadas as figuras mais importantes, nas atitudes que encontramos na versão a óleo. No método de trabalho que lhe é habitual, estudou depois cada uma dessas figuras isoladamente, ensaiando posturas, gestos ou expressões faciais. São conhecidas mais de duas dezenas e meia de folhas contendo estes estudos. O conjunto pretendia enriquecer o tema, contando estórias dentro da história e levando o espectador a surpreender-se com a variedade de detalhes. Como o núcleo de altos dignitários vestindo requintados e exóticos trajes que, à esquerda, parece discutir a natureza da luz (astrólogos?); o soldado que, esbracejando, obriga um grupo de jovens a sentar-se; ou o pastor que, em primeiro plano, se prepara para imolar (?) uma ovelha. No centro da composição, o Menino ao colo da Mãe e acompanhado por São José recebe a homenagem dos três reis magos que vieram de longe prostrando-se a seus pés. Oferecem os preciosos presentes que trouxeram: ouro, incenso e mirra, todos com grande significado simbólico. Em redor, junta-se uma pequena multidão acabada de chegar. Os séquitos são compostos maioritariamente por elementos masculinos, mas também há algumas mulheres. Entre os primeiros vêem-se altos dignitários ricamente trajados, pequenos pajens e demais acompanhantes. Ao fundo, alguns cavaleiros, camelos e um palanque puxado por um elefante lembram as longas viagens que todos tiveram de fazer para estarem presentes nesta homenagem ao Menino.
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Montalegre adere à 'A Adoração dos Magos'
27 Janeiro 2016
A Câmara de Montalegre decidiu, na última reunião do executivo municipal, atribuir uma verba de 1.000 euros ao Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga com o fim de adquirir, em fundraising, a pintura "A Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira, pelo valor de 600 mil euros. O presidente da autarquia, Orlando Alves, justifica a decisão como uma «causa de orgulho nacional».
A proposta esteve na ordem de trabalhos da última reunião camarária e obteve aprovação por unanimidade. A Câmara de Montalegre decidiu associar o seu nome, com mil euros, à campanha de angariação de fundos da compra da obra de arte "A Adoração dos Magos" (1828). A pintura, de Domingos Sequeira, está há 170 anos na mesma família e pode ser agora adquirida por 600 mil euros. Ao integrar o acervo do Museu Nacional de Arte Antiga, esta peça - faz parte de um conjunto de quatro óleos a que os historiadores se referem como o "testamento" de Domingos António de Sequeira - vai ter a seu lado outras obras deste que é um dos mais importantes pintores portugueses do século XIX.
CAUSA PÚBLICA
Interrogado do porquê desta ação, o presidente da autarquia justifica: «trata-se de enriquecer Portugal e valorizar o Museu Nacional de Arte Antiga» e «prestar homenagem a um grande pintor português». O propósito, defende Orlando Alves, «é contribuir para uma maior sensibilização de todos os portugueses para a conveniência de assegurarmos a permanência desta obra magnífica e tão qualificada no nosso espólio cultural e artístico». Nesse sentido, enfatiza, «modéstia à parte, penso que estivemos bem em aderir a esta causa pública». A fechar, Orlando Alves lança «o desafio a todos os barrosões - que são dados às causas da cultura e da preservação e valorização do nosso território - para aderirem a esta iniciativa. É de fácil adesão. Pode ser feito na internet. Fica barato. É uma grande causa. Podíamos-lhe chamar uma causa de orgulho nacional». Em suma, «o município de Montalegre adere com muita vaidade e com muito orgulho».
"ADORAÇÃO DOS MAGOS"
AUTOR
Domingos António de Sequeira (Lisboa, 1768 - Roma, 1837) consegue, graças à precoce revelação do seu talento, proteção aristocrática e uma bolsa para aperfeiçoar a sua arte em Roma. Privou com os melhores mestres, obtendo prémios académicos. Com duas estadias em Paris, onde é distinguido no Salon de 1824, regressa a Roma, reencontrando o reconhecimento dos seus pares do meio artístico. Aí se dedica à notável série de quatro pinturas religiosas que constituem o zénite da sua carreira e que exprimem a liberdade do seu génio criativo: um extraordinário testamento artístico no qual sobressai "A Adoração dos Magos".
OBRA
Pela prodigiosa modelação das figuras e da luz, e pela estrutura da composição, "A Adoração dos Magos" é, como já em 1837 afirmava um académico romano, um absoluto capolavoro, uma obra-prima. Trata-se de uma obra visionária que evidencia uma marca essencial do estilo do pintor: a sua enorme capacidade de síntese entre o clássico e o romântico.
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44