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Montalegre 'encanta' líder do PS
28 Janeiro 2012
O Secretário Geral do Partido Socialista, António José Seguro, foi recebido nos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara Municipal. Uma visita, enquadrada na XXI Feira do Fumeiro, testemunhada por muita gente que quis estar de perto com o líder do principal partido da oposição.
António José Seguro, líder do PS, não disfarçou o contentamento pela calorosa receção que teve em Montalegre. Uma visita que começou nos Paços do Concelho onde o aguardava um salão nobre pequeno para tanta gente que não perdeu a ocasião de privar de perto com o Secretário Geral socialista. Na qualidade de anfitrião, Fernando Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, depois do tradicional agradecimento, destacou a importância que a Feira do Fumeiro tem para o desenvolvimento económico da região: «esta iniciativa é uma aposta ganha e um contributo importante para a revitalização do mundo rural. Cria emprego e fixa pessoas. É uma feira que cresceu sempre e resistiu à crise. É uma iniciativa com futuro porque é um filão que ainda tem muito para dar. É que sabemos fazer, do melhor que há, e temos mercado. E agora começa a aparecer gente nova, com novas ideias e mais ambição». Dados que justificam, acrescenta o autarca, fazer «um grande esforço financeiro. E, apesar da austeridade, vamos continuar porque apoiar a economia é a melhor forma de criar riqueza e emprego na região».
40 MILHÕES
DE IVA AO ESTADO
Dossier incontornável nas reivindicações do presidente da Câmara de Montalegre, a EDP serviu de mote para muitas reflexões de Fernando Rodrigues: «Montalegre tem uma empresa no concelho que fatura mais de 100 milhões de euros por ano. Essa empresa é a EDP que tem 4 barragens na área do município. Ora, um concelho com uma empresa destas, que fatura esses milhões, com matéria-prima de graça, seria um concelho rico. E teria emprego. Mas Montalegre não tem emprego e não é rico porque a EDP nem sequer paga impostos no nosso município. E não bastou usurpar 6.500 hectares dos melhores terrenos agrícolas e deixar um trauma ainda hoje visível nas populações pela prepotência salazarista e dar o primeiro contributo para a desertificação dessas zonas, para recebermos agora menos do que o que cobraríamos se os terrenos não estivessem inundados. Isto é uma injustiça porque é elementar haver uma justa participação da região na riqueza que demos ao país». Sempre crítico, Fernando Rodrigues, reforçou: «sabem quanto é que o município de Montalegre dá só de IVA para o Estado, só de produção de energia? 100 milhões X 23% dá 23 milhões. Se juntarmos o das eólicas, Montalegre contribui com um valor de cerca de 40 milhões de IVA por ano para os cofres do Estado. Então quem dá 40 milhões de IVA ao Estado não tem direito a uma renda justa? Não, não tem. Nem sequer a uma estrada decente para Braga ou para a A24. E é muito estranho que a EDP esteja pronta para pagar sem onerar a fatura dos consumidores, retirando esse valor dos seus lucros, e que não se faça a Lei. É por isso que protestamos, juntamente com 80 municípios pobres de interior, que acolheram barragens nos seus territórios».
CEGUEIRA EUROPEIA
O lotado salão nobre dos Paços do Concelho ouviu Fernando Rodrigues a declarar guerra contra a política europeia que dizima, no entender o edil barrosão, qualquer esperança em dias melhores: «abate-se sobre o país a servidão da Europa a uma estratégia capitalista, desumana e cruel como nunca se viu, que permite esquemas sofisticados de fuga aos impostos e fraudes fiscais astronómicas, protegidas em paraísos fiscais, num autentico colapso ético do capitalismo, que não respeita quem trabalha, que destrói os cidadãos, ofensiva da dignidade humana e, diga-se, sem medo ou vergonha, contra a civilização e o progresso». A exemplificar o raciocínio, declarou: «na América 1% da população tem 40% da riqueza. 1% da população tem quase metade da riqueza. 1 tem metade do bolo e outros 99 dividem a outra metade. Quem é o cidadão que trabalha, quem produz a riqueza? É o 1 ou são os 99? E a Europa fraqueja e quer seguir o mesmo caminho. De por o 1 ainda mais rico e os 99 mais pobres. Só que os 99 podem zangar-se um dia! E a cegueira dos governantes europeus, com os de Portugal em bicos de pés, concorda, acha bem, quer ir mais depressa, quer ir mais longe, e diz que faz isto pelos portugueses. E lá seguem o caminho do desastre. Humilham os trabalhadores, transformam-nos em peças de utilizar e deitar fora, desprezam os jovens e os desempregados, enquanto degradam a vida dos mais velhos e colocam barreiras de esperança no horizonte do nosso futuro».
PROMESSA SOLENE
Finda a palestra do presidente da Câmara de Montalegre, foi a vez de António José Seguro usar da palavra. Com um discurso informal e tranquilo, o Secretário Geral do Partido Socialista prometeu «solenemente» que «lutarei com os meios que temos ao nosso alcance, não só relativamente ao concelho de Montalegre como em relação aos restantes na mesma situação, que possuem recursos naturais e que geram lucros, para que uma parte dos lucros que aí são obtidos seja colocada ao serviço das respetivas populações». Seguro respondia assim a Fernando Rodrigues em relação ao dossier EDP.
«VIVER NO INTERIOR
É UM ATO DE RESISTÊNCIA»
O primeiro responsável do PS lembrou as suas raízes de interioridade, nasceu em Penamacor e ali viveu durante cerca de duas décadas, e afirmou que «continuar a viver no interior em Portugal é um ato de resistência e de amor à terra». Todavia, frisou Seguro, «as condições reais estão a ser retiradas às populações». O líder rosa garantiu que «não aceitarei que no meu país existam terras ou portugueses dispensáveis, porque não pode haver terras ou portugueses de primeira e de segunda». Seguro considera que «precisamos de um país solidário e a solidariedade tem também de ser territorial e inter geracional». Por isso, sublinhou, «temos que olhar o país com uma visão solidária» mas «é preciso tradução prática», ou seja, «continuar a garantir às populações que as autarquias tomam nas suas mãos os seus próprios destinos».
«HÁ PESSOAS QUE NÃO
TÊM MAIS FUROS NO CINTO»
Encantado com o ambiente que o rodeava, António José Seguro destacou o papel de Montalegre no contexto nacional: «o concelho de Montalegre é o exemplo de como é possível gerir bem os recursos públicos, porque há competência e rigor por parte dos responsáveis autárquicos». Esta «visão estratégica» em Montalegre significa que «é possível criar condições para transformar o concelho num território atrativo e, com essas condições, atrair investimento privado para depois surgir o desenvolvimento sustentado». A Feira do Fumeiro, afirmou, «é o exemplo da capacidade de valorizar um dos melhores produtos da terra nas mãos das pessoas de cá». Num teor de intervenção mais largo, o sucessor de José Sócrates referiu que «há um outro caminho para podermos cumprir os nossos compromissos mas é preciso que haja respeito pela dignidade das pessoas». No mesmo tom, esclareceu: «há pessoas que não têm mais furos no cinto e é preciso alternativas». O país, acrescentou, «tem condições para vencer a crise e é isso que temos explicado nos últimos meses, que é possível um caminho alternativo».
A terminar, o responsável pelo PS garantiu que «não trairei as minhas raízes» de índole «pública, política e ideológica», ao mesmo tempo que deixou claro que «é preciso dar exemplo para reconciliar a política com as pessoas» e «não se pode entrar pelo caminho da trincheira e do bota-abaixo» porque «o caminho está em os políticos apresentarem soluções», sendo que «o que me move é o interesse dos portugueses, dando-lhes voz».
VIAGEM PELOS
EXPOSITORES
Afável no trato, António José Seguro despediu-se de Montalegre no recinto do Pavilhão Multiusos onde percorreu, sem pressas, os mais de 80 stands que fazem parte desta XXI Feira do Fumeiro. Um trajeto onde Seguro aproveitou para cumprimentar todas as pessoas que podia revelando simpatia e partilha que não passaram despercebidas. Antes, a comitiva teve uma almoço num dos restaurantes do Parque de Exposições e Feiras de Montalegre.
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44