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Município assina protocolo com AMANGOLA
12 Maio 2015
Um ano volvido, voltou a AMANGOLA (União das Associações Locais de Angola) ao concelho de Montalegre. Uma delegação, composta por altas esferas angolanas, que percorreu o Barroso ao longo dos últimos dias. Grande parte do trajeto foi feito no concelho onde o presidente do município, Orlando Alves, espera reforçar os laços comerciais e, quem sabe, criar uma futura geminação.
Depois dos contactos estabelecidos há sensivelmente um ano, uma delegação da AMANGOLA regressou ao Barroso para reforçar as "pontes" comerciais estabelecidas. Criada em Julho de 2013 - com o fim de participar no desenvolvimento das comunidades e na divulgação da Constituição da República de Angola, dentro e fora do país - a AMANGOLA olha para a região barrosã como um foco de elevado potencial. O facto tem intensificado, ao longo dos últimos tempos, contactos a ponto do próprio presidente do município de Montalegre ter, ele próprio, viajado a Angola inserido neste contexto.
«AMANGOLA É EXEMPLO FANTÁSTICO»
Os três de visita à região foram explicados numa conferência de imprensa realizada na sede do Ecomuseu de Barroso. Com o título "Oportunidades de Cooperação para o Desenvolvimento entre Portugal e Angola", a sessão foi marcada pela assinatura de um protocolo/plano de ação. Antes, Orlando Alves, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, contextualiza esta parceria: «é a segunda vez que a AMANGOLA está entre nós e aparece no contexto de uma entidade que tem muito para ensinar mas que gosta de aprender, sendo um exemplo fantástico. A ligação surgiu através da ANIMAR (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local), uma instituição com muita experiência no campo do desenvolvimento e da cooperação». De seguida, o edil elogiou o país africano: «Angola é um vasto território, com um enorme potencial, para onde é necessário levar algumas experiências assimiladas externamente. Estamos reposicionados no caminho de relações históricas e afetivas que existem entre nós. Eu tive a oportunidade de ver o quanto os angolanos prezam os portugueses e vice-versa. Estas duas instituições podem também abrir caminho para que as relações entre estados sejam melhoradas e fortalecidas».
«PROTOCOLO APONTA DIVERSAS
OPORTUNIDADES DE COOPERAÇÃO»
Entusiasmado e com «muita fé» no protocolo assinado entre ambas as partes, Orlando Alves disse: «este protocolo aponta diversas oportunidades de cooperação...os membros desta equipa são os nossos interlocutores privilegiados num território imenso com o qual nós podemos fazer abordagens diretas a propósitos empresariais, dinâmicas culturais e até processos autárquicos». No mesmo tom, reforçou: «já estão alavancadas algumas iniciativas que vamos desenvolver em parceria. Para se perceber a seriedade deste compromisso, a AMANGOLA veio com o conhecimento direto do Presidente da República daquele estado, o engenheiro José Eduardo dos Santos. Vamos começar a caminhar lado a lado e iremos sentir-nos honrados por termos dado o pontapé de saída nesta grande cooperação».
PROJETOS PARA COLOCAR EM MARCHA (síntese)
- Criação de entrepostos, circuitos de comercialização e ações de promoção temática de produtos locais agro-alimentares e outros referenciados às tradições culturais dos dois países.
- Início de processos-piloto de geminação entre os municípios portugueses de Montalegre e Boticas e os municípios angolanos de Ícolo e Bengo e Dande, ancorados numa visão de envolvimento e participação dos agentes socioculturais e económicos locais nas estratégias de cooperação interlocal a desenvolver entre os supracitados municípios.
- Realização em Angola de uma edição-piloto da MANIFESTA - Assembleia, Feira e Festa do Desenvolvimento Local (iniciativa bienal emblemática da Animar, realizada em Portugal desde 1994), focando a relação entre a cooperação internacional e o desenvolvimento local numa perspetiva de reforço da economia social e solidárias nesses mesmos processos.
- Apoio à criação de cooperativas de ensino profissional em Angola, vocacionadas para a apresentação e aplicação prática de soluções inovadoras de emprego e empreendedorismo social em setores e áreas de importância reconhecida para as economias locais.
TEM A PALAVRA
Fernando Rodrigues
(Vice-presidente ANIMAR)
«O facto de ser assinado no Ecomuseu de Barroso este protocolo, que liga Angola e Portugal através destas duas instituições, tem um sentido especial. O Ecomuseu assenta numa vontade das autarquias de Montalegre e Boticas em constituir um pólo dinamizador da cultura local e aproveitar os produtos locais para se fazer o desenvolvimento integrado. É um projeto de desenvolvimento genuíno que se preocupa com o bem-estar das pessoas. Neste "casamento" queremos transmitir a nossa experiência e aprender com os nossos parceiros para o desenvolvimento dos dois países. É neste âmbito de cooperação que queremos trabalhar. Este protocolo visa combater a pobreza dos dois lados, criar mais facilidade de acesso ao trabalho, sobretudo para os jovens, os quadros qualificados que queremos que sirvam os dois países. Tudo isto assenta naquilo que é genuíno das associações ANIMAR e AMANGOLA. São elas que estão perto das populações. O desenvolvimento e pujança económica que Angola tem demonstrado nos últimos tempos não resolvem todos os problemas do país. Estamos dispostos a dar ideias e a partilhar projetos para que, também, possamos servir melhor a nossa gente e a nossa cultura. Este é o ponto de partida, é o caminho que queremos começar a percorrer. Há todo o empenho para fazermos o melhor pelas nossas associações com o melhor resultado para os angolanos e para os portugueses».
Job Capapinha
(Presidente AMANGOLA)
«Temos procurado alguns parceiros no sentido de assimilar realidades que ajudem ao crescimento de Angola. Somos um país conhecido pelo petróleo mas isso não é tudo. Com a queda do preço desta matéria prima permitiu pensar-se na diversificação da economia angolana. É a segunda vez que aqui estamos no âmbito deste protocolo. Cada um de nós vem a Portugal muitas vezes mas infelizmente ficamos por Lisboa. Tivemos a possibilidade de vir até ao Interior, conhecer outras atividades e perceber que é desta gente do campo que surge a população urbana. Viemos observar esta experiência. Este plano de ação contempla o interesse por algumas sensibilidades que possam fazer nascer e crescer as micro, pequenas e médias empresas. É assim que se evolui. Pretendemos encontrar parcerias que permitam dinamizar a nossa agricultura. Conseguimos identificar alguns caminhos que serão devidamente consolidados. Queremos ser o veículo de troca de experiências de geminação. Com Portugal já temos 25 geminações. Espero que possam servir para o desenvolvimento das duas localidades. Com este projeto queremos proporcionar harmonia, unidade e solidariedade entre dois países recentemente desavindos. Queremos levar uma mensagem de paz, fraternidade e irmandade que permita que todos juntos possamos alavancar o país e assim obtermos os resultados esperados».
David Teixeira
(Vice-presidente da Câmara Municipal Montalegre)
«É mais um passo importante. A relação entre Portugal e Angola tem muito de nós, do nosso sangue. Eu e a minha irmã também nascemos fora de Portugal e somos portugueses e é algo que as gerações mais novas não têm bem a noção. O Ecomuseu e o município de Montalegre poderem cooperar num projeto de formação e de desenvolvimento de regiões mais ligadas a nós e a esta dinâmica cultural e agrícola vem trazer esperança aos portugueses e aos angolanos. São pequenos projetos, não estamos a falar de investimentos megalómanos mas sim de uma relação entre povos e da realização dos objetivos a que as associações se propuseram. Para nós é a realização de um sonho, na internacionalização do território e dos nossos produtos».
Fernando Queiroga
(Presidente da Câmara Municipal Boticas)
«Esta troca de culturas, experiências e civilizações vai ser muito importante. É por isso que estamos aqui. Em nome do município de Boticas agradeço terem vindo até ao Barroso porque Portugal não é só Lisboa. É aqui que estão as mulheres e os homens que fazem este país, que trabalham arduamente, todos os dias e contribuem para que tivéssemos saído desta crise que nos assolou. A autarquia de Boticas está de corpo e alma neste projeto que é uma mais-valia».
Mário Alves
(Secretário da ANIMAR)
«Agradeço a forma generosa e entusiástica como os municípios de Montalegre e Boticas se envolveram neste projeto e nos receberam. Trata-se de um processo de troca mútua de impressões com vista ao desenvolvimento de um processo concreto de cooperação entre os dois países, assente num envolvimento das associações locais e dos parceiros institucionais, nomeadamente as autarquias. Foi assinado, formalmente, o plano trienal de cooperação entre a ANIMAR e a AMANGOLA que confere uma atenção muito especial ao território de Barroso. É um momento importante de reforço de parcerias».
Albano Álvares
(Vice-presidente do Ecomuseu de Barroso)
«Foi o culminar de um processo que decorreu durante um ano. Tivemos a oportunidade de visitar Angola no âmbito da ANIMAR e hoje fica como um marco histórico entre dois países. Estamos a iniciar um processo de cooperação entre dois países e contribuir para o desenvolvimento dos territórios».
Município de Montalegre assina protocolo com AMANGOLA
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44