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Neto de Bento Gonçalves visita concelho de Montalegre
13 Novembro 2012
Foi uma viagem de memórias que rasgou dúvidas e serenou consciências. O neto de Bento Gonçalves, barrosão com o rótulo de 1.º Secretário-geral do PCP, pisou Barroso para sentir a terra que viu nascer o avô. Um acontecimento, há pouco tempo impensável, que comoveu o descendente e a comitiva que o acompanhou.
Morto em 1942 no Tarrafal, Cabo Verde, Bento Gonçalves, barrosão nascido em Fiães do Rio, aldeia do concelho de Montalegre, foi invocado e recordado com a visita do neto Isaac Benholiel ao município. Uma presença histórica onde o descendente foi acompanhado por um dos autores do livro "Bento António Gonçalves, Vida e Descendência em Portugal e Cabo Verde" - obra recentemente apresentada no Seixal que rende homenagem a este ilustre barrosão, 1.º Secretário-geral do PCP - Augusta Rodrigues, pelo vereador da cultura da Câmara de Montalegre, Orlando Alves e pelo padre Fontes.
A primeira paragem aconteceu no edifício da edilidade. Os visitantes foram recebidos, informalmente, pelo presidente da autarquia. Fernando Rodrigues presenteou-os ao mesmo tempo que sublinhou a importância de Bento Gonçalves na história da democracia portuguesa, vulto ao qual os barrosões devem prestar gratidão e orgulho.
«MEU AVÔ FOI UM
GRANDE PORTUGUÊS»
A passagem seguinte deu-se no Ecomuseu de Barroso. O neto de Bento Gonçalves, visivelmente surpreendido, observou o muito que se pode encontrar no interior de um espaço que respira cultura por todo o lado. O diretor David Teixeira explicou, com algum detalhe, a riqueza do passado de uma terra marcada por várias vicissitudes e que ostenta uma riqueza patrimonial digna de ser contemplada. De seguida, a comitiva viajou até Fiães do Rio, torrão natal de Bento Gonçalves. Uma caminhada demorada pelo interior da aldeia com várias explicações que impressionaram o descendente. O Barroso de "porta aberta" foi espelhado em constantes convites dos populares residentes. Um facto que não deixou indiferente Isaac Benholiel: «dentro de mim tenho um sentimento de alguma coisa grande. Era algo que há muito tempo sonhava. Pisar a terra onde o meu avô nasceu e tanto o meu pai gostaria de ter pisado, é um sentimento que dificilmente posso exprimir».
Em relação ao livro que aborda a trajetória de vida do avô, Isaac Benholiel desfez-se em elogios: «fiquei muito surpreendido com o livro, com a sua qualidade e com muita coisa que foi descoberta. Muita coisa os familiares não conheciam. Por onde tenho andado, as pessoas falam de Bento Gonçalves. Realmente foi um grande português. Penso que foi uma pessoa muito lutadora, persistente e com uma grande convicção de ver livre os povos, tanto de Portugal como de Cabo Verde. Na altura ele já falava na independência das colónias portuguesas. Sinto-me honrado. E como politico, porque faço politica desde 1991, sinto uma grande responsabilidade de poder transmitir a veia politica do meu avô».
OPINIÕES
Augusta Rodrigues
(coautora do livro)
«o livro fala da descendência de Bento Gonçalves em Portugal e em Cabo Verde. Pouca gente sabia que ele tinha deixado um filho. Tive o grato prazer de o conhecer casualmente. Mais tarde conheci os filhos, mais particularmente o Isaac que casou com uma colega minha. A pedido do neto escrevi este livro. Pediu-me para localizar a sua família em Portugal, como era gosto do seu pai. Trouxe um pequeno espólio. A certa altura, juntamente com o outro autor do livro, começamos a ver que tínhamos matéria para um livro. Conversamos com o Isaac e avançamos com a sua autorização. Concordou e colaborou bastante. Fui duas vezes à Boa Vista (Cabo Verde) para colher elementos. E foi assim. Durante quatro anos fizemos investigação lá e cá. Para mim a maior novidade é a existência de descendência. Até aqui toda a gente pensava que Bento Gonçalves apenas lutou pelo bem estar do povo mas, afinal, era um homem capaz de se apaixonar e capaz de procriar. Morreu precocemente. O filho tinha apenas 9 anos. O filho, o Gabriel Batista, nunca chegou a conhecer nem o pai nem a mãe. A meu ver este livro tem três grandes objetivos: revelar a existência de descendentes, descobrir onde estavam todos os familiares e trazer ao de cima a imagem de Bento Gonçalves. Entendemos que está muito esquecido. A prova disso é que eu tive o cuidado de fazer uma sondagem caseira a partir de duas questões: se sabiam quem era o Bento Gonçalves e quem foi o primeiro Secretário-geral do PCP. As pessoas não sabiam quem era e que Álvaro Cunhal era o primeiro Secretário-geral. Isto diz tudo».
Orlando Alves
(vereador da cultura da Câmara Municipal de Montalegre
«é um momento de alguma comoção ver a descendência talvez da figura mais prestigiada que Barroso pariu. Digo prestigiada porque Bento Gonçalves trata-se de alguém que se valorizou por si próprio. Foi um operário de eleição e um líder de qualidades ainda hoje invejadas por muitos daqueles que pretendem ser líderes e que nunca conseguiram nem nunca irão chegar aos seus calcanhares. Confesso que não sabia que Bento Gonçalves tinha deixado descendência. Termos aqui, de visita ao concelho e à terra de Bento Gonçalves, um descendente direto é para mim algo que nunca esperei vir a confrontar-me. É mais um momento alto que teremos que assinalar um dia de forma mais digna porquanto os homens passam mas ficam as suas obras. A obra de Bento Gonçalves ainda não está tornada pública embora estejamos aqui com a presença da autora de um livro sobre a vida e a obra deste barrosão. Tudo que se possa fazer à volta desta figura carismática é estarmo-nos a engrandecer a nós próprios já que é um "filho da terra"».
Padre Fontes
«é um "filho da terra" que foi um bocadinho desconhecido por ter uma "nódoa" na politica portuguesa. A verdade é que foi, a nível nacional, o primeiro Secretário-geral do Partido Comunista Português. Foi ofuscada a sua memória por ter esse rótulo de comunismo. Os próprios barrosões têm culpa no cartório porque não tem nada a ver a politica com as pessoas. Estas, tenham a cor que tenham, têm o seu valor. Bento Gonçalves teve o valor de ser o primeiro aventureiro a arriscar a vida e morreu pela pátria. Foi um herói desterrado no Tarrafal, Cabo Verde, onde hoje o neto veio descobrir a terra do avô».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44