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'Parabéns a você' à cultura barrosã
25 Fevereiro 2013
Noite de festa no salão nobre da Câmara Municipal de Montalegre com mais um serão cultural que reforçou a consagração a três vultos da cultura do Barroso. Pelo meio foram apresentados dois livros. Um que fala da vida e obra do padre Fontes e outra que reúne mais um lote de crónicas de excelência do consagrado escritor Bento da Cruz. A juntar-se à festa esteve Barroso da Fonte, também ele no patamar dos imortais da cultura concelhia. Isto numa semana que, por feliz coincidência, todos eles festejam aniversário.
A Câmara Municipal de Montalegre promoveu, no salão dos Paços do Concelho, o lançamento dos livros "Padre António Fontes - Vida e Obra", de João Gomes Sanches, e "Prolegómenos - Crónicas de Barroso (Volume III)" de Bento da Cruz. A primeira obra foi apresentada por Barroso da Fonte e a segunda ficou a cargo de António Chaves. Uma sessão enquadrada na comemoração dos aniversários destes três vultos da cultura do concelho: Bento da Cruz, Padre Fontes e Barroso da Fonte.
A sessão, com cariz informal, foi aberta por Fernando Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Montalegre. O autarca teceu rasgados elogios ao contributo que estas «três personalidades ímpares da nossa terra» têm dado na projeção da cultura barrosã. O edil disse: «são três vultos culturais a quem nós devemos muito. O que eles têm feito na promoção, na defesa e na divulgação da nossa terra, deve-nos envaidecer a todos. A beleza com que descrevem a nossa gente, a nossa riqueza paisagística, o nosso património e cultura, tem permitido que o Barroso seja cada vez mais conhecido, divulgado e prestigiado».
«VAIDADE E ORGULHO»
Fernando Rodrigues invocou o perfil dos homenageados no içar da bandeira barrosã: «num Mundo em dificuldades tremendas, quando temos autores que nos representam, gente com voz, que consegue levar a palavra dos barrosões, isto deve ser, para nós, um motivo de muita vaidade e orgulho. Nunca é demais deixar um agradecimento muito profundo e dizer o quanto nós devemos a todos estes elementos que aqui estão, particularmente ao Dr. Bento da Cruz. Tem uma memória soberba. Tem também uma coisa que os mais novos devem aprender nos seus livros: a paixão pela terra e pela gente que muitas vezes falta a muita gente. Se nós tivéssemos todos a força e garra em defender a nossa história e a nossa cultura, a vaidade e o orgulho em sermos barrosões, estaríamos mais fortes e o país também». Em suma, destacou o presidente do município, vivemos um serão que «mostrou a afetividade e a proximidade que há cada vez entre os homens das letras e o povo. Este ar informal que demos à sessão acabou por ser marcante porque reforçou a amizade e deu mais sentimento e carinho a estes três homenageados que têm contribuído muito para a dignificação da cultura na nossa terra».
BOLO COM BRINDE
No final das palestras, a Câmara Municipal de Montalegre decidiu surpreender estes três ilustres barrosões com um bolo num "parabéns a você" que contagiou toda a plateia. Um momento de confraternização que passa por figurar como uma das mais notáveis imagens de marca dos últimos anos no setor cultural concelhio.
OPINIÕES
Bento da Cruz
«o Prolegómenos III faz-me lembrar aquele pássaro que aparece por aí na Primavera, chamado perdilhão, ou coisa parecida, que só tem três ou quatro notas e que repete sempre as mesmas. Comigo dá-se o mesmo
Barroso da Fonte
«conheço muito bem o padre Fontes porque fomos condiscípulos no seminário de Vila Real durante 10 anos. Graças a essa convivência fiquei ligado a ele para sempre. Mais tarde, foi ele que me casou e que batizou os meus filhos e o meu neto. Nunca deixei de ser amigo dele. Temos tido algumas pegas de opinião mas a amizade supera essas coisas. Devo ao padre Fontes as boas ideias que teve, aplicou e que surtiram efeito na nossa terra. Ele colocou Barroso no mapa. Na minha perspetiva, é o maior barrosão dos últimos 100 anos. Nunca houve um barrosão, que eu saiba, que fizesse tanto por Barroso como ele fez. Não que fosse ele a executar, mas foi quem teve as ideias. Ele é um pioneiro...no Congresso de Medicina Popular, nas "Sextas-feiras 13", também esteve ligado à Feira do Fumeiro...lançou coisas que nós nunca podemos pagar, nem em termos materiais nem moralmente. Acho muito que a Câmara de Montalegre já tenha perpetuado a sua memória no Ecomuseu. Foi uma decisão justíssima».
Padre Fontes
«é mais uma produção baseada na nossa tradição cultural das pessoas que se destacam por alguma atividade literária. Da minha parte, identifico-me com o Barroso e acho que os barrosões se identificam comigo. Barroso é um nome que está mais que feito e que se vende muito bem e que faz propaganda quase só pela fotografia».
João Sanches
(escritor do livro "Padre António Fontes - Vida e Obra")
«este livro nasce da convivência com o padre Fontes, que é o meu pároco, o pároco de Meixide, e da vontade do Batista Lopes em querer editar um livro sobre o padre Fontes. Um dia estávamos em Vilar de Perdizes e disse-me que era preciso reeditar uma primeira biografia e eu respondi-lhe: lá por isso, escrevemos um livro novo...e aqui está o livro! No livro, destacaria a obra do padre Fontes. Há muitos pormenores que não são muito públicos e que fazem dele uma figura única. Também destaco o caráter humano e convivencial que ele tem com os paroquianos».
António Chaves
(falou da obra "Prolegómenos III")
«foi uma boa oportunidade para nos reunirmos todos. Foi também uma oportunidade para se fazer uma "colheita" de mais um conjunto de trabalhos que, de outra maneira, se perdiam. Esta justiça, em termos de cultura, é fundamental. Ainda bem que Bento da Cruz continua a ser publicado, porque, também o Camões, morreu praticamente sem ser reconhecido. Ás vezes é preciso passar tempo para o verdadeiro valor ser reconhecido».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44