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'Ponte da Assureira' na Antena 1
29 Fevereiro 2016
O presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, foi um dos convidados do programa "Portugal em Direto" da rádio Antena 1. O pretexto do convite está no impasse da "Ponte da Assureira" - plantada na fronteira que une os municípios de Montalegre e Chaves - que, como é sabido, não tem acessos de ligação. Uma conversa emitida ao princípio da tarde de hoje na estação pública.
A gravação do programa ocorreu, na passada sexta-feira, num restaurante da aldeia de Vilar de Perdizes. Para além do presidente da Câmara de Montalegre, foram convidados António Cabeleira, líder da autarquia de Chaves, José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente e Fontainhas Fernandes, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
Em cerca de 45 minutos, a conversa girou em volta da Ponte da Assureira - obra financiada por fundos comunitários - investimento, iniciado em 2010, que rondou os 450 mil euros.
Desde que tomou posse, este executivo municipal tem-se desdobrado em contactos com o intuito de resolver esta situação caricata. O presidente da autarquia já colocou o dossier nos holofotes da imprensa e a quem de direito. Todavia, o impacto tem sido nulo.
«NÃO TEMOS GRANDE ESPERANÇA»
No final do programa, o presidente da Câmara de Montalegre louvou a atitude da rádio pública: «foi uma iniciativa simpática. É isto que distingue o serviço público dos demais. A Antena 1 assumiu-se e cabe-lhe colocar no ar as questões e problemas do quotidiano das pessoas e os problemas que a administração local enfrenta por todo o país». Orlando Alves reforçou as palavras: «foi simpático incorporar neste debate o senhor Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente e também o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) que tem sempre uma visão muito assertiva e responsável sobre os assuntos e sobre o tema da ponte». Para o presidente da Câmara de Montalegre, estivemos perante uma «oportunidade para falarmos, também, de outros assuntos de interesse para o país e sobretudo para o mundo rural». Contudo, ressalvou, «não temos grande esperança que daqui resulte alguma coisa mas pusemos muita gente a ouvir algo insólito».
«OBRAS VÃO INICIAR EM MAIO»
Face a ausência de soluções e indo ao encontro de um compromisso eleitoral, o executivo de Montalegre vai avançar com a remodelação do atual traçado. Para tal, irá desembolsar do orçamento cerca de três milhões de euros: «vamos criar uma boa acessibilidade recuperando o existente, deixando de fora a ponte porque o município de Chaves não tem condições para fazer o troço que é da sua responsabilidade. Fica o compromisso do autarca de Chaves em relação à beneficiação do troço a partir dos limites do concelho de Montalegre até à localidade de Soutelinho da Raia, que coincide com a parte mais degradada». Tudo somado, conclui Orlando Alves, «a acessibilidade à cidade de Chaves ficará muito melhor e a questão da ponte será retomada dentro de três ou quatro anos».
TEM A PALAVRA
José Mendes - Secretário de Estado Adjunto e do Ambiente
«Este é um problema como qualquer outro no país. Se estivéssemos a assistir a uma ponte que liga duas freguesias de Lisboa ou Porto, achavam a coisa mais natural do mundo, como é natural ser entre Chaves e Montalegre. Uma ponte sem ligações é de facto um problema. Como membro do governo, tenho que aceder a estes debates. É um problema que nos aflige e, por isso, esta é uma iniciativa positiva. Não é uma área da minha tutela. Não conheço este problema ao detalhe. Há muitas situações destas pelo país fora com escassez de recursos. Tinha a obrigação de vir, tomar conhecimento da questão e falar com as pessoas. Estou disponível para colocar os municípios em contacto com os responsáveis do governo no sentido de encontrarmos a solução. É a promessa de contribuir para a resolução do problema. Acredito que há caminho para uma decisão desde que haja disponibilidade da parte dos municípios para fazerem algum investimento. Isso já é um importante ponto de partida. Sei que os autarcas já têm um pedido de audiência ao Ministro do Planeamento e Infraestruturas, por isso, acredito que estaremos mais perto da resolução do problema».
António Cabeleira - Presidente da Câmara Municipal de Chaves
«Pareceu-me muito interessante. Ainda bem que veio aqui uma rádio de serviço público, preocupada com os problemas dos territórios de baixa densidade. Vem ajudar-nos a sensibilizar o país para os nossos problemas. Nenhuma região tem sucesso com fracas acessibilidades. Há que garantir uma boa acessibilidade entre estes dois municípios para servirmos bem as nossas populações nas coisas mais básicas como é o acesso à saúde. Mas, também, para que os nossos produtos possam circular no menor espaço de tempo possível porque tempo é dinheiro. A Antena 1 está de parabéns e que venham outros meios de comunicação social porque estaremos disponíveis para, a partir dos nossos territórios, ajudarmos a construir um Portugal mais desenvolvido.
Em relação à "Ponte da Assureira", vamos tentar obter do governo a classificação desta estrada como regional para podermos contar com o apoio do Estado. Se isso não for possível, e uma vez que não há financiamento comunitário, terá que ser feita com o esforço municipal. Isso irá acontecer ao longo de vários anos, em várias fases. Vai demorar tempo porque não tenho orçamento para realizar a obra de uma vez só».
Fontainhas Fernandes - Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
«Este é um problema nacional. É necessário um novo olhar para o território do interior. Hoje falamos de uma ponte física mas são necessárias outras, as do desenvolvimento, da fixação de pessoas que passam por valorizar os produtos regionais e os nossos recursos. Não podemos ter duas grandes regiões, Lisboa e Porto, que estão ao nível da média europeia e o resto do país a morrer lentamente. Temos um quadro comunitário que não permite terminar a obra e, face a isso, deveria ser uma responsabilidade do Estado».
Cláudia Costa - Jornalista Antena 1
«O "Portugal em Direto" é um programa diário que aborda questões ligadas à vida diária das pessoas mas que, muitas vezes, fogem aos grandes desígnios nacionais. De vez em quando saímos do estúdio e vamos para o terreno sempre que achamos que é uma mais-valia para as pessoas e para a rádio. Hoje decidimos vir a Vilar de Perdizes, partindo do exemplo desta ponte, que não leva nem trás, não aquece em arrefece, não liga nem separa. O objetivo foi termos "pontes" para o futuro. Perceber questões como o ordenamento do território, fixação de pessoas, ou seja, falar da qualidade de vida das populações de dois concelhos que têm aqui um investimento encravado. Isto é o que nós consideramos ser serviço público, estar nos locais quando se justifica. Esta é a nossa aposta e, por isso, fizemos esta estrada de curvas e contra-curvas com muito gosto. É um programa internacional com muita audiência. Foram feitos alguns compromissos e nós estaremos atentos ao seu cumprimento. Assinalamos um aperto de mãos e mensagens escritas entre dois municípios».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44