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Presidente: «Montalegre é uma referência nacional e internacional»
31 Dezembro 2014
Neste último dia do ano transcrevemos uma entrevista que o presidente da Câmara de Montalegre concedeu, por estes dias, ao jornal Audiência. Um relato onde o autarca deu conta do atual momento pelo qual atravessa o concelho e o próprio país. Orlando Alves lançou duras críticas ao poder central, pediu a regionalização e definiu o centralismo como o «maior problema do país».
Como é Montalegre hoje?
Montalegre é uma terra que encanta e onde há qualidade de vida e onde dá gosto viver. Exerço funções executivas há 25 anos, mas também fiz dois mandatos na oposição. Iniciei as minhas lides políticas a partir da Assembleia de Freguesia da minha terra, Salto, e vim vindo por aí acima até chegar à situação em que hoje me encontro, presidente da Câmara de uma terra que não se acomoda à sentença que outros lhe querem, porventura, dar, que resiste, que esbraceja e que tudo fará para que triunfar.
Montalegre é uma terra que encanta e onde há qualidade de vida e onde dá gosto viver. Exerço funções executivas há 25 anos, mas também fiz dois mandatos na oposição. Iniciei as minhas lides políticas a partir da Assembleia de Freguesia da minha terra, Salto, e vim vindo por aí acima até chegar à situação em que hoje me encontro, presidente da Câmara de uma terra que não se acomoda à sentença que outros lhe querem, porventura, dar, que resiste, que esbraceja e que tudo fará para que triunfar.
E leva sempre a bandeira de Montalegre para fora. Voltou à cidade do Porto para mostrar que Montalegre resiste conta tudo e todos.
Certamente e iremos fazê-lo sempre que tivermos oportunidade de afirmar a nossa terra, a nossa identidade, e o muito querer das gentes de Barroso em resistir, em vencer, em dar continuidade a este cantinho tão bonito do nosso país, de cultura e ambiente natural e rural, que não pode de forma alguma morrer.
Certamente e iremos fazê-lo sempre que tivermos oportunidade de afirmar a nossa terra, a nossa identidade, e o muito querer das gentes de Barroso em resistir, em vencer, em dar continuidade a este cantinho tão bonito do nosso país, de cultura e ambiente natural e rural, que não pode de forma alguma morrer.
Montalegre tem uma oferta turística muito grande. Aliás, o próprio município tem apostado nisso.
Somos muito ecléticos nas nossas opções e nos nossos eventos e na programação que fazemos anualmente. E desde o sobrenatural e mítico, popularmente dito como sendo bruxaria, até ao acontecimento mais culturalmente rebuscado ou elaborado, fazemos um périplo ao longo do ano que permite que Montalegre, praticamente, esteja sempre vivo, atuante e concentre as atenções das gentes da urbe. É assim na cultura, no desporto, nas nossas tradições, no Congresso de Medicina Popular, na Queima do Judas, no Auto da Paixão que este ano vamos fazer em Vilar de Perdizes, com uma grande encenação de 200 atores todos da terra. Depois, as provas desportivas, nomeadamente, o Mundial de RallyCross e a Volta a Portugal, ou as Sextas-Feiras 13, que em 2015 vamos ter três dias consagrados ao misticismo. Estamos em todas: é a Feira do Fumeiro, entre 22 e 25 de janeiro, é uma prova internacional de Kart Fishing na Barragem de Pisões, que vamos organizar pela primeira vez, e uma prova nacional também de pesca desportiva no Lago da Veiga. E é sobretudo esta preocupação constante de envolver as pessoas nesta dinâmica de afirmação e de qualificação do território, assumindo o município, obviamente, o compromisso de ser o chefe de fila de um processo verticalizado que vai desde a produção até à comercialização. E é nesse contexto que vamos para o Porto, vamos para a Alfândega, vamos para a Casa de Trás-os-Montes, vamos para as televisões…
Somos muito ecléticos nas nossas opções e nos nossos eventos e na programação que fazemos anualmente. E desde o sobrenatural e mítico, popularmente dito como sendo bruxaria, até ao acontecimento mais culturalmente rebuscado ou elaborado, fazemos um périplo ao longo do ano que permite que Montalegre, praticamente, esteja sempre vivo, atuante e concentre as atenções das gentes da urbe. É assim na cultura, no desporto, nas nossas tradições, no Congresso de Medicina Popular, na Queima do Judas, no Auto da Paixão que este ano vamos fazer em Vilar de Perdizes, com uma grande encenação de 200 atores todos da terra. Depois, as provas desportivas, nomeadamente, o Mundial de RallyCross e a Volta a Portugal, ou as Sextas-Feiras 13, que em 2015 vamos ter três dias consagrados ao misticismo. Estamos em todas: é a Feira do Fumeiro, entre 22 e 25 de janeiro, é uma prova internacional de Kart Fishing na Barragem de Pisões, que vamos organizar pela primeira vez, e uma prova nacional também de pesca desportiva no Lago da Veiga. E é sobretudo esta preocupação constante de envolver as pessoas nesta dinâmica de afirmação e de qualificação do território, assumindo o município, obviamente, o compromisso de ser o chefe de fila de um processo verticalizado que vai desde a produção até à comercialização. E é nesse contexto que vamos para o Porto, vamos para a Alfândega, vamos para a Casa de Trás-os-Montes, vamos para as televisões…
As Sextas-Feiras 13 de Montalegre já são conhecidas em todo o país…
Sim, é uma imagem de marca de Montalegre, como o Padre Fontes também o é.
Sim, é uma imagem de marca de Montalegre, como o Padre Fontes também o é.
Como presidente de Câmara de um concelho do interior do país, o que acha que deveria ser feito de outra maneira?
O primeiro obstáculo, e grande constrangimento à nossa afirmação e sobrevivência, é o centralismo. Enquanto para tratar o mais ínfimo assunto tivermos de correr para Lisboa, e normalmente vamos lá e vimos de mãos vazias, enquanto esta for a regra não conseguiremos levantar a cabeça. Ainda agora estive com um grupo promotor de um grande investimento para Montalegre, que é o Eco Celtic Park, que será um parque de diversão inspirado na cultura celta e na cultura castreja, e que irá ter grande sucesso e será um polo dinamizador da atividade económica, social e cultural do território. Todos os constrangimentos que sentimos, todas as dificuldades que temos que abordar em conjunto com a administração central passam a ser um obstáculo muito grande porque temos de ir a Lisboa, e vamos a Lisboa e não trazemos nada de lá. Está toda a gente centrada naqueles gabinetes, neste momento trabalha-se para sustentabilidade económica e financeira, e muito bem, porque é necessária, mas não se pensa em mais nada. E basta dizer que o município anda a articular com a administração central há oito anos para comprar uma quinta que era da Câmara e que ofereceu ao Estado para que funcionasse ali um centro de experiências agrícolas, mas o Estado deixou-a morrer e temos direito à reversão dos terrenos.
O primeiro obstáculo, e grande constrangimento à nossa afirmação e sobrevivência, é o centralismo. Enquanto para tratar o mais ínfimo assunto tivermos de correr para Lisboa, e normalmente vamos lá e vimos de mãos vazias, enquanto esta for a regra não conseguiremos levantar a cabeça. Ainda agora estive com um grupo promotor de um grande investimento para Montalegre, que é o Eco Celtic Park, que será um parque de diversão inspirado na cultura celta e na cultura castreja, e que irá ter grande sucesso e será um polo dinamizador da atividade económica, social e cultural do território. Todos os constrangimentos que sentimos, todas as dificuldades que temos que abordar em conjunto com a administração central passam a ser um obstáculo muito grande porque temos de ir a Lisboa, e vamos a Lisboa e não trazemos nada de lá. Está toda a gente centrada naqueles gabinetes, neste momento trabalha-se para sustentabilidade económica e financeira, e muito bem, porque é necessária, mas não se pensa em mais nada. E basta dizer que o município anda a articular com a administração central há oito anos para comprar uma quinta que era da Câmara e que ofereceu ao Estado para que funcionasse ali um centro de experiências agrícolas, mas o Estado deixou-a morrer e temos direito à reversão dos terrenos.
O assunto está em tribunal, mas só daqui por 10 anos é que se resolve, andamos há oito anos a negociar com a administração central, estabeleceu-se um preço, queremos pagar por uma propriedade que tem 115 hectares e que potencia tanta coisa para a dinamização
do tecido económico-social da nossa terra, e não conseguimos chegar à fala com uma entidade chamada Direção Geral do Tesouro que concentra ali todo o património do Estado, mas que não é capaz de o localizar e negociar. É mais fácil vender o património precioso
como a REN e a EDP ou os bancos aos chineses, do que descobrimos o que é nosso e que o Estado, carente de dinheiro como está, precisa de vender mas não o localiza quando sabe que esse património vendido poderia ser rentabilizado.
do tecido económico-social da nossa terra, e não conseguimos chegar à fala com uma entidade chamada Direção Geral do Tesouro que concentra ali todo o património do Estado, mas que não é capaz de o localizar e negociar. É mais fácil vender o património precioso
como a REN e a EDP ou os bancos aos chineses, do que descobrimos o que é nosso e que o Estado, carente de dinheiro como está, precisa de vender mas não o localiza quando sabe que esse património vendido poderia ser rentabilizado.
O que tem projetado para esse espaço?
Temos propostas concretas de dinamização do espaço que iriam, inclusive, abrir espaço à internacionalização da nossa economia, dos produtos que o Barroso produz com muita qualidade. Iriamos além-mar, já com bons contactos estabelecidos e onde se iria dar continuidade a um propósito da autarquia que é envolver as gentes do Barroso nesta dinâmica de afirmação do território e de aposta nos produtos locais. E isso geraria que toda a população do concelho trabalhasse para esse fim e que, em vez de termos unidades produtivas muito concentradas, iriamos por toda a população do concelho a produzir algo que estes promotores aqui instalados iriam comercializar. E isso era extraordinariamente importante porque as pessoas estavam nas suas aldeias, as aldeias não se desertificariam
tão rapidamente, e havia uma interação preciosa. E é isso que não conseguimos abrir portas em Lisboa. O centralismo é o maior bloqueio que existe na sociedade portuguesa. Nós que vivemos na província, no mundo rural, sentimos todos os dias mais do que ninguém, mas a mim constrange-me pessoalmente que o Porto, a segunda cidade do país, onde está muito cérebro radicado, muitas universidades e muita economia, que aja capitulado perante Lisboa ao ponto de hoje as entidades, as instituições e pessoas do Porto estarem também a ser vítimas do mesmo tratamento que nós.
tão rapidamente, e havia uma interação preciosa. E é isso que não conseguimos abrir portas em Lisboa. O centralismo é o maior bloqueio que existe na sociedade portuguesa. Nós que vivemos na província, no mundo rural, sentimos todos os dias mais do que ninguém, mas a mim constrange-me pessoalmente que o Porto, a segunda cidade do país, onde está muito cérebro radicado, muitas universidades e muita economia, que aja capitulado perante Lisboa ao ponto de hoje as entidades, as instituições e pessoas do Porto estarem também a ser vítimas do mesmo tratamento que nós.
Assume-se então como um lutador contra este bloqueio para tentar manter vivo o concelho de Montalegre?
Com este bloqueio não há condições para uma diferenciação positiva do território. É preciso criar autonomia, regiões, é preciso criar governos regionais. E era tao fácil, bastava que fossem as cinco comissões de coordenação, não era preciso mais nada, discutindo depois
onde sediar o Governo, se no Porto ou Vila Real, para dar a ideia que trabalhamos todos para o mesmo fim. Estávamos mais próximos uns dos outros, sabíamos pensar a região e assim não sabemos. Montalegre tem necessidade extrema de uma ligação rápida à autoestrada, planeou tudo com a Câmara de Chaves para fazer uma acessibilidade rápida a Chaves. Começou-se a obra há seis anos no meio do caminho, no rio que divide os dois territórios construiu-se uma ponte de 500 mil euros, a ponte está há seis anos à espera da estrada, e agora com este contrato de parceria que nos é apresentado entre Portugal e a União Europeia, não há verba para um milímetro quadrado de estradas e a ponte vai apodrecer. Porque nunca houve uma entidade regional que pensasse o território como tem de ser pensado. Há coisas que não são entendíveis e que são contraproducentes, as dinâmicas que têm de ser criadas para que o interior do país tenha vida. É uma vergonha para quem cá está mas também para todos os que votam em eleições e para quem passeia por outras cidades e que ainda não se deram conta que o grande problema que o país tem hoje, não é estarmos falidos, mas sim o facto de, dentro de 15 anos, dois terços do território interior do país, curiosamente, os mais bonitos e onde há mais qualidade de vida, estarem completamente abandonados, expostos a atos de vandalismo com todo o património que há. É isto que nos espera se não colocarmos mãos a obra, e já vamos com 20 anos de atraso.
onde sediar o Governo, se no Porto ou Vila Real, para dar a ideia que trabalhamos todos para o mesmo fim. Estávamos mais próximos uns dos outros, sabíamos pensar a região e assim não sabemos. Montalegre tem necessidade extrema de uma ligação rápida à autoestrada, planeou tudo com a Câmara de Chaves para fazer uma acessibilidade rápida a Chaves. Começou-se a obra há seis anos no meio do caminho, no rio que divide os dois territórios construiu-se uma ponte de 500 mil euros, a ponte está há seis anos à espera da estrada, e agora com este contrato de parceria que nos é apresentado entre Portugal e a União Europeia, não há verba para um milímetro quadrado de estradas e a ponte vai apodrecer. Porque nunca houve uma entidade regional que pensasse o território como tem de ser pensado. Há coisas que não são entendíveis e que são contraproducentes, as dinâmicas que têm de ser criadas para que o interior do país tenha vida. É uma vergonha para quem cá está mas também para todos os que votam em eleições e para quem passeia por outras cidades e que ainda não se deram conta que o grande problema que o país tem hoje, não é estarmos falidos, mas sim o facto de, dentro de 15 anos, dois terços do território interior do país, curiosamente, os mais bonitos e onde há mais qualidade de vida, estarem completamente abandonados, expostos a atos de vandalismo com todo o património que há. É isto que nos espera se não colocarmos mãos a obra, e já vamos com 20 anos de atraso.
Como está Montalegre em termos populacionais?
Estamos a perder muita população. Há 30 anos eramos 30 mil, hoje somos 11 mil. Estamos a perder, por década, muitos habitantes. Temos de saber criar condições para fixar pessoas. O problema é que o país nunca foi industrializado, a revolução industrial nunca passou por Portugal muito menos pelo interior do país. Temos de dar preparação às pessoas para que, a partir do potencial que a terra tem, possam construir uma vida. E o potencial é a agricultura, a floresta e a pecuária.
Onde Montalegre já tem um nome de marca…
Sempre teve nome de marca e é referência nacional e internacional. Mas tem vindo a perder fulgor, portanto, estamos a trabalhar para recuperar esse estigma, para retomar a produção de batata de semente que foi o petróleo e ouro de Montalegre e que tornou Montalegre conhecido. E é isso que queremos continuar a fazer, assim como a produção animal, e a Câmara apoia os jovens que se instalem cá com 4 mil euros de compensação no primeiro ano. A carne, a vitela barrosã que é património do barroso, espécie autóctone importante que esteve até já em risco de extinção. Assim como a produção do porco, que transformamos em bom fumeiro, e a floresta que só serve para arder. E ardendo não tem caça. Montalegre sempre foi um santuário de caça, onde as populações, se souberem fazer a gestão do baldio, que é 80 por cento do território, se as populações plantarem agora árvores, ao fim de 20 anos, vão colher e dar um rendimento altíssimo. É o nosso ouro.
Existem condições para que o retorno ou fixação de gente aconteça em Montalegre?
Sim, temos esse apoio que é dado a quem vem para cá residir e produzir. Não temos planos especiais de apoio além destes que são significativos. Basta lembrar que gastamos 400 mil euros por ano na sanidade animal. O sistema de vacinação, que é obrigatório, é a Câmara que suportar as despesas. Estamos a contribuir para o rendimento dos produtores e fixação das pessoas. A feira do fumeiro, com 200 pequenas indústrias de produção, pessoas que vendem na feira ou para o país, são também pequenas indústrias que ajudam a fixar as pessoas. O município está ao lado de quem quer trabalhar integrado neste contexto. E é ai que temos de construir o nosso futuro.
Qual tem sido a interação entre o município e as associações que continuam a defender a tradição popular?
Apoiamos todas as associações, estamos sempre presentes nos momentos de atividade, condicionando o apoio ao plano de atividades que nos apresentam. E era bom que houvesse mais associações, mas se as aldeias se despovoam as poucas que existem tem tendência a desaparecer.
Esta agregação das freguesias foi positivo ou negativo para o município de Montalegre?
É sempre negativo. Foi negativo para Montalegre como foi para o mundo rural. O presidente da Junta hoje está transformado como um biscateiro, em alguém de quem as populações rurais se servem para escrever ou ler uma carta, mudar uma lâmpada, pagar a reforma, etc. E acabou-se com isso a troco de uma poupança miserável. Essa foi a cedência que o país inteiro fez a um cérebro descerebrado que instituiu no país uma forma mascarada de descentralização que não tem eficácia nenhuma, e foi também o pai dessa reforma miserável, bem como da reforma da redução das fundações, que foi o desastre que se viu. Isso é fazer que se faz, com manifesto prejuízo para as populações, particularmente as rurais.
O que gostava de concretizar até ao final do mandato?
Continuar a insistir junto de quem ouve, ou de quem devia ouvir, que é necessário que se olhe para o mundo rural como deve ser visto. Não há forma de fixar as pessoas no mundo rural que não seja partindo de uma reestruturação fundiária. O pouco território arável que a região tem, está espartilhadíssimo, já não se sabe quem é o proprietário, em muitos casos porque ou imigraram ou perderam o contacto com a terra. A terra tem uma função social a desenvolver, é preciso que quem está no poder saiba que exercer o poder é, muitas vezes, criar choques e atritos com as populações e com o status quo. É preciso que se ponha a terra a parir e nesse contexto se a reestruturação fundiária fosse feita havia muita gente formada das grandes cidades que gostaria de vir para aqui produzir cogumelos, produtos hortícolas, etc. Há um potencial muito grande a explorar mas é preciso que haja terra. E quando alguém dono da terra sente que há alguém que quer comprar, os produtos inflacionam. São as invejas a florescer. Agricultura não pode ser só o Douro a dar vinho ou o Alentejo a produzir azeite. Estamos a exportar divisas comprando o que precisamos quando temos condições de o fazer cá com a agravante de termos gente desempregada porque não há oportunidades. Se se fizesse a reestruturação fundiária, se calhar, não havia nenhum engenheiro civil ou agrário que estivesse no desemprego porque toda a gente fazia falta.
Que locais recomendaria a quem quer visitar Montalegre?
Fazer um périplo pelas 135 localidades do nosso concelho. Em todas elas encontra-se pontos de diferenciação. A extensão territorial do concelho, com uma área igual à da Madeira, a diversidade do concelho paisagística, cultural, arquitetónica, tudo isso é um encanto para os visitantes que ficam ainda instalados nas boas acomodações hoteleiras que temos. Desde os 70 quilómetros de raia seca de fronteira que temos com Espanha, até às populações da zona de Cabril, do baixo barroso, que já estão a uns 400 metros de altitude, quando o Larouco, a divindade suprema está nos 1525. A zona de Vilar de Perdizes com todo o seu encanto e misticismo. As aldeias do planalto barrosão com os fornos do povo a precisarem de serem vistos e fotografados ou as galinhas que ainda é possível ver nas ruas. Tudo isto é bonito de se ver, é o chamado ecomuseu que as pessoas da urbe têm de aprender a frequentar e mostrar aos seus filhos. É preciso sairmos do obscurantismo urbano, estamos afazer uma sociedade muito urbana, fechada, tecnológica, esquecendo que eu conheci um país muito pobre, em que todas as crianças andavam descalças e em 50 anos o país evoluiu de uma maneira e vai ter de continuar, mas de ponto de vista cultura evoluímos, mas há coisas que esquecemos.
E um menu gastronómico?
O visitante tem, sobretudo, nesta altura do ano, um cardápio construído à volta do porco, que sempre foi o rei, a base da alimentação dos rurais. Com todo o fumeiro, a boa hortaliça, a batata que é excelente, a vitela que é muito boa e confecionada de várias maneiras. Muito feijão, muita vitamina e proteína que é disto que se faz o quotidiano do barrosão que tem de ter uma boa estrutura física para aguentar as temperaturas negativas. A cozinha de chefe aqui não vigora. Aproveito para deixar uma mensagem a todos convidando-os a visitarem-nos. Os que nunca cá vieram não tiveram oportunidade de sentir o que é a beleza da nossa terra. E isso é ignorância. Quem vem pela primeira vez não deixa de voltar. Por isso, deixo aqui o desafio de virem até Montalegre, do Porto é apenas uma hora de viagem, e aprendam a andar fora das autoestradas e vão ver que, dentro do país, há recantos de grande encanto, de muita história e que é um crime não darmos a oportunidade de conhecer.
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44