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República e Incursões Monárquicas
11 Agosto 2012
Foi apresentado, no salão nobre da Câmara de Montalegre, a obra "República e Incursões Monárquicas - Um Padre Guerrilheiro de Barroso" da autoria conjunta de Bento da Cruz, José Dias Baptista, António Chaves e Barroso da Fonte, todos do concelho de Montalegre. Um serão de qualidade cultural que explicou, sob diversas formas, um dos períodos mais conturbados da história portuguesa com especial incidência no papel ativo que desempenhou o barrosão padre Domingos Pereira.
«O ano de 2012 associa duas ocorrências com impacto em Barroso. Constituem parte integrante do que ficou conhecido na história por Incursões Monárquicas no Norte de Portugal. Tiveram repercussão relevante em Vinhais, Chaves, Valença do Minho, Cabeceiras de Basto, Fafe, Porto e, de um modo mais geral, em todo o país.
A primeira incursão monárquica teve lugar de 4 para 5 de Outubro de 1911 na raia galega de Vinhais, exatamente um ano após a revolução que conduziu à vitória do 5 de Outubro de 1910, dando início a um regime republicano em Portugal.
Completou-se, no decorrer do mês de Julho, um século sobre a segunda incursão monárquica e, em Agosto, século e meio sobre a data de nascimento do Padre Domingos Pereira, um dos mais destacados e astutos guerrilheiros da contra-revolução monárquica. O aniversariante, apesar de ter vivido boa parte da vida adulta em Cabeceiras de Basto e aí ter sediado o seu baluarte de resistência, é natural do concelho de Montalegre, mais propriamente da aldeia de Vilarinho, freguesia de Negrões, onde nasceu a 9 de Agosto de 1862».
Integrado na oferta cultural para este Verão, foi apresentado publicamente, nos Paços do Concelho, a obra "República e Incursões Monárquicas - Um Padre Guerrilheiro de Barroso". Um livro concebido e concretizado por quatro vultos da cultura barrosã: Bento da Cruz, José Dias Baptista, António Chaves e Barroso da Fonte. Coube a Fernando Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, abrir uma sessão muito participada onde enalteceu o trabalho brioso destes quatro barrosões pedindo aos mesmos que continuem a trilhar este caminho que enaltece e valoriza o passado e presente do concelho. Uma obra, definida pelo autarca como «um trabalho científico» de qualidade insuspeita, dividida sob quatro ângulos:
- "Do liberalismo europeu à experiência da 1.ª República de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926" (António Chaves)
- "No 1.º centenário da 2.ª incursão monárquica" (Bento da Cruz)
- Vida de Domingos Pereira - Padre, Político e Combatente" (José Dias Baptista)
- "Domingos Pereira - Glória e martírio de um padre guerrilheiro" (Barroso da Fonte)
OPINIÕES
Fernando Rodrigues
(Presidente Câmara Municipal Montalegre)
«é um trabalho científico que espelha uma realidade histórica de um momento político e social do nosso país e da nossa região onde é interveniente um barrosão. Não se trata aqui de apreciar, digamos que a conduta politica ou ideológica do padre Domingos mas a ação que ele teve como contestatário à República, como um grande politico e um grande lutador. Um homem organizador de um exército que combateu a implantação da República em Portugal e na região e que foi um aliado de Paiva Couceiro. Foi um homem tão polémico que teve 40 anos de prisão e não os cumpriu e não foi por coisa boa. Houve exageros de parte a parte (Republicanos e Monárquicos), mas estou convencido que o padre Domingos, na altura, pensava que estava a defender o que era melhor para a sua gente, para o país e para o seu povo. Nós, independentemente da valoração que se faça, moral ou ideológica da ação de cada uma das partes, fez-se aqui um repositório histórico porque é essa a obrigação da Câmara. Deixamos aqui esse testemunho para conhecermos melhor a nossa realidade, a nossa gente e o nosso povo».
António Chaves
(Autor e coordenador do livro)
«tentei dar uma perspetiva daquilo que se passou a nível internacional, nacional e local. Considero de fundamental importância entender-se aquilo que se passa à nossa volta. Tentar dirimir as questões que se encontram no nosso dia a dia, nas nossas instituições, nas nossas relações, sabendo que elas não estão totalmente desligadas de contextos mais alargados. Nós fomos líderes e pioneiros mas esse é um tempo que já lá vai muito longe. Encaixar as peças neste contexto é, por vezes, um exercício difícil mas é fundamental para conhecermos a nossa história dos nossos locais de modo a entendermos como foi o nosso passado».
Barroso da Fonte
(Autor)
«a mim foi-me dado um tema sobre o padre Domingos Pereira falando dos últimos 25 anos da vida dele. Foi interessante falar desta figura. É um padre barrosão. Havia mais um irmão na família. Os dois foram parar a Cabeceiras de Basto onde estava um tio, João Carreira, que teve influência junto do bispo de Braga para o levar para lá. Travaram lá algumas batalhas, esta foi uma batalha travada por eles. Ele acabou por não renegar à religião porque quando morreu foi vestido com as vestes de sacerdote. Dava conselhos aos padres que não fizessem o que ele fez. Para mal já bastava o que ele fez. Enquanto foi padre cumpriu. Não há noticias que ele se tenha portado mal a não ser que tenha seis filhos da empregada Valentina. Os filhos foram criados, ao que parece, com boa educação. Depois de abdicar de sacerdote, foi um combatente, um guerrilheiro...na parte que me toca não analisei o combatente mas a integridade e a coerência do homem que foi. Em relação à Câmara, não lhe ficou nada mal homenagear um cidadão, fez muito bem».
Bento da Cruz
(Autor)
«escrevi sobre a incursão do Paiva Couceiro em relação ao que se passou aqui na fronteira. A história de Portugal é feita pelos autores nacionais. A história local tem que ser feita por nós. Isto faz parte da história local. Toda a descrição que faço, que não tem pretensões históricas, é uma festa! Lembro, por exemplo, do pormenor do Joaquim Leitão, não sei se mente ou não, de os homens aparecerem em Gralhas com lenços à cabeça, de cor vermelha. Eram lenços como turbantes. Eu ainda me lembro disso. Um uso que agora desapareceu por completo».
José Dias Baptista
(Autor)
«a minha prestação é a parte histórica da vida do padre Domingos Pereira. Toda a história nacional ligada à história de Barroso através da figura do padre. Trata-se de fazer uma resenha dos momentos históricos nacionais mais importantes, como faço em todos os meus livros, ligando-os a factos históricos passados na nossa região».
"República e Incursões Monárquicas"
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44