-
Início
-
Transparência
-
Imprensa
-
Notícias da Autarquia
- União Europeia financia obras no Castelo
União Europeia financia obras no Castelo
01 Junho 2016
Depois de um impasse de vários anos, o Castelo de Montalegre acaba de obter luz verde na candidatura à reestruturação deste património, que o município apresentou aos fundos comunitários do "Portugal 2020". A verba de 1,5 milhões de euros é financiada a 85%. Os restantes 15% são suportados pela Câmara Municipal. Este valor vai permitir concluir o processo de recuperação deste espaço. A boa nova foi comunicada ao presidente da Câmara de Montalegre pelo responsável máximo da Direção Regional da Cultura Norte, António Ponte.
Na cerimónia do anúncio público do prémio literário Bento da Cruz, o presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Orlando Alves, fez um ponto prévio, com um sorriso rasgado, referindo que acabava de obter a confirmação que a candidatura que o município realizou para concluir as obras do castelo de Montalegre tinha obtido a luz do dia. A verba desta candidatura, financiada em 85% pelo Programa Operacional da Região Norte (NORTE 2020), no âmbito do "Portugal 2020", atinge 1,5 milhões de euros.
Refira-se que o castelo de Montalegre se encontra classificado como Monumento Nacional, pelo decreto de 16.06.1910, e dispõe de uma Zona Especial de Proteção. O imóvel é propriedade do Estado português, encontrando-se afeto à Direção Regional da Cultura do Norte. Ao longo do século XX foi alvo de diversas ações de recuperação e valorização por parte da ex-DGEMN, ex-IPPC e Câmara Municipal de Montalegre (1988/1990) e, mais recentemente, pelo ex-IPPAR (1998). No seguimento da intervenção de 1990 foi instalado um núcleo museológico.
«DIA MUITO FELIZ»
Orlando Alves frisa que esta obra irá dar a Montalegre «a sala de visitas que merece ser apresentada aos nossos turistas». O autarca recorda que «foi um trabalho de muitos anos, desgastante, mas que acabou por ser coroado de êxito». Estamos perante «um dia muito feliz» que irá marcar o futuro turístico do concelho. Para já, vai ser delineada «uma estratégia para iniciar a obra» que «acontecerá através do orçamento municipal, no valor de um milhão e meio de euros». Todavia, esclarece o presidente do município, «neste momento e a curto prazo temos compromissos como a estrada de Vilar de Perdizes e a casa mortuária». No acrescento, Orlando Alves disse que «a requalificação passa por terminar as obras no interior, interrompidas há quase 10 anos, intervir nas muralhas e, também, alguns retoques no exterior».
PARCERIA
A notícia foi transmitida ao presidente do município de Montalegre pelo responsável máximo da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN). António Ponte explica que a instituição que chefia, «estabeleceu uma parceria com a Câmara Municipal de Montalegre para uma intervenção no Castelo». Um dossier «organizado em tempo devido». O próximo passo, completa, «é o processo de concurso público da empreitada» estando «reunidas as condições para que possamos avançar para um processo longo de um ou dois anos, que é também o prazo imposto para a realização deste projeto».
CASTELO DE MONTALEGRE
«O castelo de Montalegre é uma estrutura militar medieval de construção relativamente tardia. Ele insere-se no movimento de "reorganização dos espaços fronteiriços a Este e a Oeste de Chaves", empreendido por D. Afonso III (GOMES, 1993, p.183), uma iniciativa que visou dotar a fronteira transmontana setentrional de uma efetiva ordem territorial e jurídica dependente da autoridade régia, mas cujos resultados ficaram aquém do esperado. Efetivamente, ainda antes de terminar o século XIII, D. Dinis viu-se obrigado a doar nova carta de foral a Montalegre (1289) e a entregar a tarefa de povoamento a Pedro Anes, esclarecendo ainda que, por esses anos, a póvoa se encontrava erma (IDEM, p.188, nota 25). O castelo propriamente dito reflete, em parte, essas dificuldades de povoamento e os relativamente escassos recursos económicos colocados à disposição da empreitada. O projeto inicial deveria incluir as três torres remanescentes integradas no perímetro muralhado oval: a Torre Furada é a única de planta quadrangular e encontra-se encimada por ameias, fazendo-se o acesso ao interior através de duas portas, uma ao nível do pátio, e outra à altura do caminho de ronda, sendo esta última de maior impacto visual, com arco de volta perfeita e tímpano decorado com a cruz da Ordem de Cristo. As outras duas torres, a Pequena e a do Relógio, são de planta retangular e de menor altura que a anterior. Apesar da exiguidade do recinto, com um pequeno pátio muralhado dotado de cisterna, o castelo conserva as principais características da fortaleza gótica, com a sua planta ovalada, os panos de muralha entrecortados por torres quadrangulares e retangulares e uma torre de menagem associada à cerca e não isolada no centro do pátio. O castelo incluía, ainda, duas portas, de que resta apenas a do lado nascente. A entrada principal localizava-se do lado Norte, protegida pela poderosa torre de menagem. Esta é a principal peça do conjunto e, sintomaticamente, a sua construção não corresponde ao primeiro período de obras. Ela data do reinado de D. Afonso IV e estaria concluída por 1331. De maior altura e secção que as restantes torres, assume-se como a principal marca de poder do castelo e da vila, aliando o impacto cenográfico da sua silhueta ao aspeto robusto e inexpugnável da sua técnica construtiva. Com efeito, é a imponência militar da estrutura que se salienta numa abordagem imediata ao conjunto. Dotada de embasamento escalonado e saliente, possui quatro pisos escassamente denunciados pelo exterior por frestas e balcões de matacães. A sua organização revela uma complexa preocupação funcional, com espaços abobadados, sistemas de escoamento de águas e, no último piso, as espessas paredes são rasgadas por estreitos corredores que dão acesso aos balcões (DGEMN, on-line, 2004). Em todo o seu perímetro, é encimada por ameias pentagonais, solução que se repete nos próprios balcões e que acentua a procurada imagem de inexpugnabilidade. O acesso ao interior é feito por uma única porta elevada (ao nível do caminho de ronda e voltada para o interior do pátio), o que torna esta torre numa unidade independente do restante reduto em caso de invasão. A última grande campanha medieval aconteceu no reinado de D. João II, informação fornecida por Duarte d'Armas nos inícios do século XVI. Os trabalhos então realizados tiveram como objetivo o reforço da entrada principal, que passou a estar protegida por um reduto de torres circulares, dotadas de "troneiras com dois níveis de tiro" (GOMES, 2003, p.185), de que restam apenas os níveis inferiores. Findas estas obras, o castelo só voltou a ser intervencionado no século XVII, no âmbito das Guerras da Restauração. Datam dessa altura diversos baluartes e revelins, de panos em ponta de estrela, característicos deste período. Foi este o conjunto que chegou até aos nossos dias e que, em 1990, albergou um núcleo museológico, tendo-se desenvolvido, nos últimos anos, algumas escavações exploratórias do local».
IPPAR / IGESPAR
CASTELO DE MONTALEGRE
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44