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XI Festa do Porco Bísaro - Paredes do Rio
11 Dezembro 2012
A XI festa do porco bísaro, em Paredes do Rio, concelho de Montalegre, voltou a realizar-se com sucesso. Organizada pela Associação Social e Cultural da aldeia, e com o apoio da Câmara Municipal de Montalegre, reuniu mais de 150 pessoas. Mais uma aposta onde o comunitarismo reinou na defesa do mais genuíno do concelho.
A "Festa do Porco Bísaro" regressou à aldeia de Paredes do Rio, freguesia de Covelães, concelho de Montalegre. Esta atividade cultural continua a demonstrar muito interesse por parte da população e que tem suscitado, ao longo dos anos, uma forte participação de curiosos vindos dos mais variados cantos do país e vizinha Galiza. O evento foi organizado pela Associação Social e Cultural de Paredes do Rio e contou com o apoio da Câmara Municipal de Montalegre. A atividade começou logo pela manhã com o "mata bicho", com aperitivos típicos da região. O pão centeio, o vinho e os rojões não faltaram. Já com as baterias carregas, teve lugar a matança tradicional do porco.
«JÁ FAZEM PARTE DA CASA»
José Carlos Moura, presidente da Associação Social e Cultural de Paredes do Rio (ASCPR), aproveitou o momento de reunião «para colocar todos a par dos trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos». Agradeceu a «presença de todos em mais uma matança tradicional do porco», sem se «esquecer de aqueles que trabalham todo ano para que isto seja possível». É com «muito gosto que acolhemos todos os que nos visitam». A maioria dos participantes «já faz parte da nossa casa».
POLÉMICA: SPOT OPTIMUS
Depois da degustação do cozido à barrosã, José Carlos Moura, tomou a palavra e colocou os presentes ao corrente de uma notícia sobre a publicidade da Optimus gravada no concelho de Montalegre. Com recurso ao ditado, afirmou que «quem não se sente, não é filho de boa gente». Quando mexem com «a minha gente, mexem comigo», proferiu. Nesse sentido, leu aos presentes excertos do artigo publicado num jornal local, onde se utilizam expressões «depreciativas da nossa gente». Com o parágrafo na mão, fez a leitura de frases como: «quem observa os anúncios não fica a saber onde fica tal região, que é habitada por aqueles bichos caretos, tão avessos das novas tecnologias. (…) a verdade é que nos trata a todos por analfabetos, estúpidos. (…) Pessoas totalmente incompatíveis com as novas tecnologias. Uma espécie de reserva de índios». O presidente da associação assumiu que «se sentiu insultado» e, por isso, teve a necessidade «de enviar uma resposta».
«RESERVA DE INDIOS»
De modo breve, «foi uma tentativa de demonstrar desagrado com o que foi escrito» e «explicar algumas coisas». Exemplo disso «é que as pessoas que pesquisaram sobre os locais das filmagens, têm-se deslocado ao terreno a fim de visitar uma cultura genuína e paisagem circundante». No que diz respeito aos “bicho caretos” e às «gentes de Barroso definidas como analfabetas», José Carlos Moura entende, nesse comentário, «uma crise de identidade e afirmação por parte do autor do texto». Ato contínuo, defendeu que «cada um é como é», esta «é a nossa cultura e temos que aceitá-la e defendê-la». As pessoas que aparecem no anúncio «têm contribuído para o desenvolvimento do concelho em vários aspetos». Por último, proferiu que «a “reserva de índios”, de um outro ponto de vista, pode ser entendido como aquilo que somos: diferentes e especiais». A verdade é que «somos puros, verdadeiros, honestos e de uma só cara». «Merecemos respeito!», acrescentou. Recorde-se que grande parte das gravações do anúncio teve lugar em Paredes do Rio, bem com as personagens nele inserido.
«FRAGILIDADE DE QUEM CRITICA»
Fernando Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Montalegre, ouviu atentamente as palavras de José Carlos Moura e comentou que «não queria abordar muito a questão do spot da Optimus». É um assunto que «veio criar, no espírito de algumas pessoas, motivo de discórdia e de polémica». Mas isto só prova «a fragilidade das pessoas que criticam». Em retrospetiva, recordou que «quando Bento da Cruz começou a falar da nossa terra, da verdade da nossa cultura, houve alguns da nossa terra que também disseram mal do Bento da Cruz». Todavia, o escritor «atingiu um patamar na cultura e literatura nacional e hoje já é o melhor do Mundo, já disse as melhores coisas dos barrosões, da nossa história e da nossa gente». Também Miguel Torga, «se fosse lisboeta, provavelmente, tinha outra projeção nacional». É, no entanto, dos «maiores escritores de todos os tempos». Mas também «ele disse as verdades sobre Trás-os-Montes». No presente, temos «muito orgulho nestes escritores, porque eles contribuíram para perpetuar a nossa cultura, dignificando-a e valorizando-a».
«NÃO É POR ACASO QUE
ELES CAÍRAM AQUI»
ELES CAÍRAM AQUI»
Quando «há quem diga bem de nós, há sempre gente, entre nós, que quer dizer mal», alertou o político. A «Optimus é das melhores empresas do país» e colocou uma «das melhores equipas que há de audiovisual a trabalhar na promoção». Não estamos a falar de «amadores» e sabem o que «estão a fazer em termos de comunicação». Nessa linha, é caso para dizer que «não é por acaso que eles caíram aqui». Nós fizemos «um esforço enorme para que eles viessem para aqui». No entanto, não bastaram «os nossos lindos olhos para os fazer ficar». No concelho de Montalegre «há uma coisa única no país: vestígios do comunitarismo e de uma cultura que não existe em mais parte nenhuma».
«NÃO NOS ENVERGONHAMOS
DAS CARAS SUJAS E DO CHEIRO A FUMO»
DAS CARAS SUJAS E DO CHEIRO A FUMO»
A verdade é uma, «nós não nos envergonhamos disso, nem das caras sujas, nem do cheiro a fumo». Essa é a «nossa história, é a nossa gente, a nossa família e a nossa identidade». O primeiro anúncio gravado em terras de Barroso «foi dos que teve mais audiência». Há uma «empresa que sabe o que faz», mas «também escolheu o melhor que há em Portugal para o efeito». O autarca disse ainda que «se sente orgulhoso por ser parolo, por ter a cara suja, por ter as mãos rudes» porque é «filho desta gente» faz «parte desta família». Em suma, «não vale a pena dar importância a quem critica isto». Tudo isto para reforçar a ideia de que «devemos ter muita vaidade no trabalho que é feito». Quem não «respeita a nossa cultura, quem não tem vaidade na nossa história, não sabe os caminhos que pisa e não pode preparar o futuro». Fez votos de que «a tradição da matança do porco não se perca» e que o sucesso «seja em crescendo», nas edições futuras.
FESTA DO PORCO BÍSARO
(Memória)
XI Festa do Porco Bísaro em Paredes do Rio
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44