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XIII Confraria Gastronómica da Carne Barrosã
28 Julho 2014
O último dia da "Semana do Barrosão" ficou marcado pela realização da XIII Confraria Gastronómica da Carne Barrosã. O auditório do Ecomuseu de Salto testemunhou à entronização de quatro novos confrades, um deles o conhecido e carismático padre Fontes.
«Com o cunho dos prados verdes do Norte, dos lameiros e pastos naturais,
marcada pelo milho e pelo azevém semeados pelos produtores,
esta raça nobre produz uma carne de excelência».
Vindos um pouco de todo o lado, inclusive das ilhas, a Confraria Gastronómica da Carne Barrosã realizou o XIII Capítulo na vila de Salto, iniciativa que esteve enquadrada no programa da "Semana do Barrosão". Um encontro cujo ponto alto foi a entronização de quatro novos confrades, um deles o bem conhecido padre Fontes. Confrade há mais de uma década, o presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, sublinhou a «feliz coincidência» entre o encontro e o evento que decorreu na vila barrosã: «articularmos, com a direção da Confraria Gastronómica da Carne Barrosã, esforços no sentido de se fazer em Salto este "Capítulo". É uma outra forma de dar visibilidade e importância à raça barrosã». Para o autarca este tipo de iniciativas potencia a promoção dos produtos da região: «este encontro congregou, junto de nós, muitas outras confrarias que se dedicam à valorização do património gastronómico nacional. Tudo isto, são iniciativas para repetir e é com este tipo de iniciativas que vive o mundo rural e, particularmente, o concelho de Montalegre».
«SALTO FAZ-NOS CELEBRAR O BARROSÃO»
Em representação da Confraria Gastronómica da Carne Barrosã, falou o Mordomo- Mor Albano Álvares que não poupou elogios ao momento: «Salto faz-nos viver, reviver e, sobretudo, faz-nos celebrar o barrosão. Foi uma ótima oportunidade, num período de uma certa inatividade da confraria, vir a Salto e relançar este espírito de confrade». De seguido, acrescentou: «é um enorme prazer estar aqui onde entronizamos mais quatro confrades que irão defender a raça barrosã onde quer que cheguem. Temos a certeza que vão acrescentar muito à nossa confraria», com especial destaque, concluiu: «no padre Fontes que tem feito um trabalho notável na divulgação desta região».
CARNE BARROSÃ
Mercê do rigoroso controlo com que é selecionada e criada, a Carne Barrosã tem Denominação de Origem Protegida (DOP) por Despacho 18/94 de 31 de Janeiro (Diário da República II Série). O uso da Denominação de Origem obriga a que a carne seja produzida de acordo com as regras estipuladas no Caderno de Especificações, o qual inclui a identificação dos animais, o saneamento e a assistência veterinária, o sistema de produção, a alimentação, as condições a observar no abate e conservação das carcaças, associados a um rigoroso sistema de segurança alimentar e a uma efetiva rastreabilidade, da exploração pecuária até ao consumidor.
Em relação ao produto, podemos referir que apresenta uma cor rosada a vermelha escura, com gordura branca a branca suja, conforme se trate de vitela ou animal adulto. A carne é deveras tenra, extremamente suculenta e muito saborosa. O flavor, sensação complexa que se obtém pela combinação das caraterísticas olfativas e gustativas percetíveis durante a mastigação, mantém-se com excelente nota e muito semelhante em todos os pesos de abate. Esta caraterística, tal como a suculência, deve-se em grande medida ao "marmoreado da carne" estando por isso correlacionada com a repartição da gordura e a sua composição lipídica.
Por fim, dizer que segundo os mais recentes estudos, a presença nas suas fibras musculares de ácidos gordos insaturados, ómega 3 e ómega 6, nomeadamente de ácido linoleico conjugado – CLA, e de antioxidantes, entre outros elementos, aliada ao baixo teor em colesterol conferem à Carne Barrosã - DOP propriedades promotoras de saúde. Estas são evidentes a nível do sistema cardiovascular, do sistema imunitário além do seu efeito anti carcinogénico. O rigor das modernas técnicas de controlo de qualidade é o garante de toda a riqueza da tradição da raça. A idade normal de abate é entre os cinco e os nove meses, pesando em média 184 kg de peso vivo para os machos e 169 kg para as fêmeas, com pesos médios de carcaça que rondam os 98.
TEM A PALAVRA
Padre Fontes (Novo Confrade)
«Isto dá sequência ao que já fazíamos, isto é, organizados e unidos, venceremos! É uma aposta que todo o Barroso faz. Todos somos poucos para afirmar a qualidade, o sabor, o prazer de comer à mesa. A carne barrosã é pura. Prometi defendê-la com o pau e com unhas e dentes. Espero que este encontro faça crescer a publicidade. Pena que a televisão não tenha cá estado para mostrar a realidade à mesa e provarem a verdade».
Augusto Morais (Novo Confrade)
«Para mim é mais responsabilidade embora já tivesse obrigação, como cidadão e barrosão, de promover os produtos de qualidade do Barroso. Agora passo a ser como que um profissional a defender o que de bom temos. Faço com redobrada satisfação. Este convite das elites honra-me».
China Pereira (Novo Confrade)
«É um desafio que aceito com toda a naturalidade. Na qualidade de presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, posso dizer que no meu concelho existe muito gado de raça barrosã, com dezenas de proprietários. Tudo farei para que os produtores de Cabeceiras de Basto honrem tudo aquilo que aqui foi dito».
Manuel Carvalho (Novo Confrade)
«Tal como as outras responsabilidades que assumi ao longo da minha vida, tentarei ser cumpridor, honrar as minhas raízes e a tradição do Barroso».
Vítor Barros (Responsável pelas Loas na Entronização)
«O que fiz aqui já o tinha feito em 2003. Vim de Angola, estava com muito trabalho, mas não consegui dizer não ao Albano. Acho que as pessoas gostaram. A carne barrosã é "o príncipe dos príncipes" dos produtos tradicionais portugueses. A raça é muito singular. Não há mais nenhuma raça como esta. Como referi, pensa-se que terá vindo da Mauritânia. Aquela armadura em lira provém da maneira como são escolhidos os touros do povo. É a melhor carne e estamos aqui para tentar fazer alguma coisa pela carne barrosã».
Olga Cavaleiro (Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias)
«As confrarias em Portugal já representam parceiros muito ativos em várias vertentes da nossa sociedade. As confrarias têm sido boas promotoras do desenvolvimento económico local, não só pela promoção de produtos mas, também, por facilitarem o acesso à informação para novos canais de distribuição. Neste momento, assumem uma importante função naquilo que possa ser o inventário do património cultural e material associado à gastronomia. É importante porque há muitas práticas que estão a desaparecer, há produtos que já não se fazem, há outros que têm sido recuperados pelas confrarias e toda esta informação pode ficar para os vindouros, com registo organizado».
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44