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XXI Feira do Fumeiro inaugurada
26 Janeiro 2012
Está inaugurada a XXI Feira do Fumeiro de Montalegre. O "cortar da fita" esteve a cargo de Daniel Campelo, Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. Uma cerimónia ocorrida no lotado auditório municipal. O "São João das Chouriças" está aberto até domingo.
Dia farto na abertura dos 21 anos da Feira do Fumeiro de Montalegre. Uma jornada que reuniu muita gente em volta do maior cartaz turístico do concelho de Montalegre. Nesta edição estão inscritos 148 produtores. Porém, deste conjunto, enchem e dão vida ao Pavilhão Multiusos 127 produtores, uma vez que os restantes 21 optam pela venda direta junto dos clientes que ao longo dos anos conseguiram fidelizar. Ou seja, vendem por junto enquanto os retalhistas estão presentes no pavilhão. Deste universo, foram inscritos e cevados 964 animais cujo processo de engorda foi durante um ano devidamente fiscalizado por forma a garantir-se uma alimentação feita a partir de produtos da terra e sem recurso a qualquer tipo de rações.
No interior da Feira do Fumeiro podem ser encontrados os seguintes produtos: Presunto - 625 unidades; Chouriça – 7081 kg; Salpicão – 3113 kg; Alheira – 9870 kg; Chouriço abóbora – 2392 kg; Chouriço mel – 230 kg; Sangueira – 2593 kg; Farinheira – 300 kg; Butelo – 608 kg; Pernil – 836 unidades; Pé – 1933 unidades; Pá – 480 unidades; Orelheira – 1107 unidades; Peito – 567 unidades; Barriga – 1000 unidades.
Feita a contextualização, destaque para a cerimónia da inauguração feita por Daniel Campelo, responsável pela pasta das Florestas e do Desenvolvimento Rural. Campelo anunciou, entre outras notas, que o Governo está a preparar um pacote de medidas legislativas no sentido de incentivar as pessoas a trabalhar a terra.
EVENTO COM FUTURO
Antes, já Fernando Rodrigues, presidente do município de Montalegre, tinha falado da importância do evento no fomento do tecido comercial. Um emblema, disse o autarca, que apresenta «mais de 100 produtores a vender neste espaço» e, pelo menos, «outros 100 que vendem sem vir à feira». O certame «é responsável por um negócio direto dentro da feira de 1200 mil euros» e, no total, «1700 mil euros se tivermos em conta o movimento no concelho neste fim de semana».
Sem se deter, o autarca de Montalegre afirmou «que o tom atrativo que representa para a região e para a economia local vai muito além». A imagem «que Montalegre transmite da qualidade dos seus produtos», faz com que «muita gente visite o concelho». Esta procura sucede «pelo fumeiro, pela gastronomia, mas também pela animação cultural e pela sua beleza da região».
A Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso «é uma aposta ganha» e «um contributo importante para a revitalização do mundo rural», ressalva Fernando Rodrigues. A iniciativa «cria emprego» e dessa forma ajuda «a fixar pessoas». Apesar das contrariedades, «cresceu sempre e resistiu à crise». Mais do que avaliar o presente, é importante destacar que estamos perante «um evento com futuro» e «ainda tem muito para dar». É nesse sentido que «a autarquia faz e vai continuar a fazer um grande esforço financeiro, apesar da austeridade». É «a melhor forma de criar riqueza e emprego na região», assevera.
SENTENÇA DE MORTE
Em tom retrospetivo, o edil da vila barrosã assegura que «à agricultura há muito que a condenaram à morte». Porém, é preciso «encontrar alternativas». Nesse sentido, recorda que «nós bem nos esforçamos nos incentivos à agricultura, no apoio ao mundo rural, na dinamização turística e cultural, na promoção dos produtos locais, na valorização das nossas aldeias, da paisagem e do território». Todas estas premissas «estão estruturadas no âmbito de um projeto inédito», que une dois concelhos, Montalegre e Boticas, o Ecomuseu de Barroso.
«OS GOVERNOS DESISTIRAM»
Todo o esforço localizado para o mundo rural, reflete a resistência «de quem ama a nossa terra», sublinha Fernando Rodrigues. O resultado do empenho «ainda se vê», garante. Todavia, o autarca entende que «os governos desistiram e fracassaram na solidariedade e no desenvolvimento regional». Reforçou ainda que «o interior perdeu em relação aos centros urbanos». Nesse contexto, «estamos insatisfeitos pelo mal que fizeram aos nossos agricultores», partilha.
«CONCELHO A SANGRAR»
Com nostalgia, o número um da edilidade comenta que «em Montalegre, há 30 anos viviam mais de 30 mil pessoas» e agora está «reduzido a menos de metade». A agricultura «está em cinzas, sem apoios sustentáveis, sem alternativas de emprego para a mão de obra do sector primário». Fernando Rodrigues, lamenta que «este seja ainda um concelho que continua a sangrar vendo a sua juventude sair para o estrangeiro».
«FEIRA COM PRESTÍGIO»
Fernando Rodrigues refere que «é preciso que o Governo corresponda com a justiça das suas decisões para podermos revigorar o interior e o mundo rural». Em jeito de apelo, o político deseja «que os portugueses do mundo urbano nos visitem, ajudem o mundo rural e ajudem Portugal». A última palavra foi dirigida aos produtores: «confiem, que se esforcem, que tenham vaidade e se aprumem ainda mais na qualidade». Foi em conjunto que se fez «uma feira com prestígio para a nossa terra e sempre a crescer». Esse fator acarreta «uma enorme responsabilidade», para que «no futuro se possa aproveitar ainda melhor este filão».
«IMPORTAMOS 3 MIL MILHÕES
DE EUROS EM COMIDA»
Como já aqui foi vincado, Daniel Campelo centrou a sua intervenção, na inauguração do evento, na «necessidade« de se olhar «a terra como um fator de sustentabilidade», referindo, entre outros aspetos, que «existem cerca de 1,5 milhões de hectares de terra abandonada no nosso país» e que «há mais de 125 mil hectares de terreno agrícola útil por aproveitar». O governante quis «deixar uma reflexão» – que, disse, deve envolver não só as instâncias governamentais como as instituições e a própria sociedade civil – «para que a agricultura volte a ser uma esperança para ultrapassar a crise», porque – lembrou – «desde sempre, em tempos de crise, a terra foi senão a alavanca pelo menos um enorme contributo para ajudar a superar as crises».
De resto, começou por recordar as palavras de Fernando Rodrigues e refutou-as, ao dizer «que agricultura não está, nem pode estar condenada à morte», porque «é a agricultura que nos salva da morte». Nesse contexto, declarou que «temos que ter uma estratégia muito clara de permitir que a agricultura seja também uma grande esperança deste país». Uma forma «de vencer a situação que o país, a Europa e o Mundo vivem» e que, no fundo, «trás as pessoas muitas vezes desanimadas e constrangidas». O antigo presidente de Ponte de Lima disse ainda: «o país tem que aumentar a sua produção» ao mesmo tempo que frisou que «ainda importamos mais de três mil milhões de euros em comida» e «temos capacidade para reduzir essas importações». O exemplo que se constata com a Feira do Fumeiro de Montalegre «é elucidativo da importância de um produto que é de qualidade e de excelência», disse o governante, que deixou «uma palavra de incentivo para que todos aqueles que produzem o fumeiro e dão vida a esta feira continuem com a mesma força e o mesmo vigor a promover um produto inigualável».
«É PENA QUE SE PERCAM
TRADIÇÕES»
De um modo geral, «o Mundo tem vindo a perder tradições e é pena», lastima o Secretário de Estado. Nesse sentido, comenta que «foi talvez isso que conduziu a que muitas pessoas e governos tivessem desclassificado a agricultura», para «dar mais valor às ações, ao dinheiro, àquilo que muitas vezes não consegue resolver os verdadeiros problemas dos povos». Dessa forma, crê que é necessária uma «concentração, por parte de todos, nesse grande valor que é a felicidade e a riqueza cultural», rematou.
XXI FEIRA DO FUMEIRO (Inauguração) - Reportagem TV BARROSO
SPOT OFICIAL DA 21ª FEIRA DO FUMEIRO
HINO OFICIAL DA 21ª FEIRA DO FUMEIRO
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44