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Ecomuseu na capital da cultura
03 Dezembro 2012
Está em exibição, até domingo, na capital europeia da cultura, Guimarães, o projeto de Arquivo Imaterial das Minas da Borralha. Esta quinta-feira há uma mesa redonda onde será debatido o projeto que conta com a participação, entre outros, do diretor do Ecomuseu de Barroso.
«Partindo dos dispositivos teórico-metodológicos emanados do conceito de pesquisa de terreno, o projeto de Arquivo Imaterial das Minas da Borralha tem como principais objetivos a recolha, a interpretação e a divulgação do Património Imaterial associado a esta comunidade mineira. Iniciado no decorrer de 2009, o projeto de investigação tem procurado deixar bem vincado desde o início, um certo afastamento entre os métodos processuais de recolha da informação utilizados em projetos de características semelhantes. Partindo de uma abordagem mais flexível, desde a adoção da entrevista não estruturada como instrumento privilegiado de comunicação, passando pela ausência de critérios de saturação da informação, os dados entretanto analisados resultam, não só das paisagens mentais dos informantes, como também constituem uma súmula das construções mentais criadas pelo próprio investigador no decurso do trabalho de campo. Tratando-se, grosso modo, de um exercício de reflexão etnográfica, com toda a subjetividade que, fatalmente, acarreta, o arquivo aproxima-se do conceito de etnobiografia. Do ponto de vista operativo, o glossário de termos e expressões da gíria mineira, foi criado tendo por base a transcrição e análise dos conteúdos das conversas. Com um número que ultrapassa a centena de entradas, divididas entre termos avulsos e expressões, o glossário é hoje um interessante instrumento de acesso ao Arquivo para o público geral. Na génese da sua apresentação, no âmbito do projeto Edifícios e Vestígios, o glossário procura evidenciar a intrincada conexão existente entre uma qualquer fonte de informação, neste caso o universo de informantes, e o canal através do qual essa informação se torna acessível e legível para o público – o investigador. A validade da negociação da informação disponível e os processos de construção oriundos das suas narrativas - que darão posteriormente origem ao glossário - são desencadeados numa constante inversão de papéis, i.e, o informante torna-se investigador e o investigador assume o papel de informante. Os significados surgem, portanto, deste tipo de processo simbiótico. “o que o etnógrafo enfrenta […] é uma multiplicidade de estruturas conceptuais complexas, muitas delas sobrepostas ou amarradas umas às outras, que são simultaneamente estranhas irregulares e inexplícitas, e que ele tem que, de alguma forma, primeiro apreender e depois apresentar.” (Clifford Geertz). Dito de outra forma, o glossário apresenta-se como uma etapa conceptual para uma possível interpretação de uma determinada subcultura, neste caso, a relacionada com a comunidade de antigos operários das minas da Borralha. Partindo da ideia de Clifford Geertz, o glossário é, processualmente, constituído por esses dois momentos – a compreensão da parcela correspondente aos códigos semiológicos utilizados para descodificar determinado signo, e a apresentação de uma possível interpretação/representação».
Pedro Araújo / Ecomuseu de Barroso
Edifícios & Vestígios _ Buildings & Remnants
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44