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Montalegre recebeu Volta a Portugal em bicicleta
05 Agosto 2014
Qual D. Sebastião, o espanhol David Belda sagrou-se o primeiro vencedor da Volta a Portugal em bicicleta no alto da serra do Larouco. Um triunfo heroico do pequeno mas gigante David que apareceu no meio de um nevoeiro cerrado depois de ter cumprido mais de 180 km. Devido ao mau tempo, a cerimónia protocolar foi realizada no dia seguinte em Boticas.
Foi com um cenário tenebroso que a serra do Larouco, em Montalegre, recebeu, pela primeira vez, uma etapa da prova rainha do ciclismo português. Nos últimos quilómetros, até atingir o segundo ponto mais alto de Portugal continental, o inverno mais rigoroso tomou conta da 76.ª Volta a Portugal e só palavras não descrevem a intempérie que se abateu sobre a corrida, daí que então o novo líder, Gustavo Veloso (OFM/Quinta da Lixa), quando chegou ao fim se referisse a um dia épico: «é uma daquelas etapas que ajudam as pessoas a compreender melhor e a valorizar o esforço que nós, ciclistas, fazemos. Foi uma etapa com muito vento, frio e chuva. Tive sempre a preocupação de ter a roupa seca e comida». Gustavo Veloso admitiu ainda que não perseguia a liderança: «não tinha obsessão em vestir a Amarela já, nesta altura, mas como surgiu agora não ia dizer que não. Agora temos de analisar a classificação com cabeça mais fria e perceber a posição dos rivais. Queremos levar a camisola até Lisboa».
DAVID DERROTOU GOLIAS (LAROUCO)
Com apenas 1,63m, o espanhol David Belda (Burgos/BH) comprovou no topo do Larouco as caraterísticas de trepador ao cruzar a linha de meta com 12 segundos de vantagem sobre Ricardo Mestre (Efapel/Glassdrive) e Gustavo Veloso. Na altura, com esta classificação, e com o facto do anterior comandante, Victor de La Parte (Efapel/Glassdrive), ter integrado o grupo que gastou mais 27 segundos que o vencedor, a Volta 2014 conheceu ao quarto dia um novo líder.
De facto, a etapa de Montalegre era uma das mais aguardadas da Volta a Portugal em bicicleta. Com cinco "Prémios de Montanha", um deles de 1ª Categoria, a coincidir com a meta final, esperava-se uma tirada muito competitiva entre os trepadores e principais favoritos ao triunfo final. Ainda não estavam percorridos 20 quilómetros, desde a saída de Viana do Castelo, e já nove corredores estavam a sair do pelotão. Do grupo evidenciou-se Dmitri Sokolov (Lokosphinx). Depois de garantir o primeiro "Prémio de Montanha" do dia, o russo decidiu atacar com o objetivo de conquistar tudo o que estava pela frente. Quis desde logo ganhar distância para o pelotão e conseguiu ter vantagem de quase sete minutos. Atento, António Carvalho (LA Alumínios/Antarte), que não queria perder a liderança do Prémio da Montanha e a Camisola Azul PODIUM, decidiu sair do pelotão e partir em busca do russo. Na roda do homem da formação de Paredes seguiu João Pereira (Banco BIC/Carmim). A luta pelo título de "Rei da Montanha" atingiu o auge com a tentativa de António Carvalho e João Pereira alcançarem o corredor russo Dmitri Sokolov. Mesmo com o segundo lugar no quarto "Prémio de Montanha" do dia, o corredor da LA Alumínios/Antarte conseguiu manter, por apenas um ponto, a Camisola Azul PODIUM. Anulados os fugitivos, foi um pelotão compacto, ou melhor o que restava dele, que atacou a subida à serra do Larouco. Entre a chuva batida a vento e o nevoeiro, surgiu David Belda como vencedor do dia que não saboreou a cerimónia de pódio, adiada pela organização devido ao mau tempo.
LAROUCO CONSAGRA JUNIORES
Antes da chegada do pelotão, a serra do Larouco assistiu ao último capítulo da 9.ª Volta a Portugal de Juniores. A etapa decisiva de 95,7Km começou em Vieira do Minho e teve Tiago Nunes (Clube de Ciclismo José Maria Nicolau) como vencedor, mas neste dia de inverno quem mais festejou foi o companheiro de equipa, André Crispim. O jovem do conjunto do Cartaxo terminou na terceira posição e garantiu a vitória na Volta Júnior.
TEM A PALAVRA
Orlando Alves
(Presidente da Câmara Municipal de Montalegre)
«Foi uma estreia abençoada. Nos casamentos, a chuva é sinal de bom augúrio. Esperemos que este batismo de consagração da serra do Larouco à prova rainha do ciclismo nacional seja abençoado. Esperemos que no próximo ano tenhamos um tempo que permita, sobretudo aos meios de comunicação social, dar uma verdadeira imagem daquilo que é a monumentalidade e a diversidade da paisagem barrosã para, dessa forma, nos impormos ao país como uma região de grande atratividade e um destino turístico por excelência. O objetivo de trazer a Volta a Portugal tem a ver com a oportunidade que ela representa para abrirmos o nosso território ao país. É uma serra que merece ser conhecida. Queremos que os portugueses, durante todo o ano, criem fluxos turísticos internos de modo a gerarem a sustentabilidade do território. Dei a cara por isto. Apesar do mau tempo, o balanço é extraordinariamente positivo. A serra ficou cheia de milhares de aficionados da Volta. A vila de Montalegre nem se fala. Por todo o território barrosão, os emigrantes e residentes ocorreram à estrada».
David Teixeira
(Vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre)
«Prova molhada, prova abençoada. Esperemos que a Volta tenha vindo para ficar na serra do Larouco. Está uma moldura humana simpática. Teremos que afinar algumas coisas com a organização. Poderiam estar muitos mais carros e muita mais gente na serra, uma vez que o município fez um investimento grande de criar parques de estacionamento. A organização, pela manhã, alterou as regras do que estava combinado. É uma pena porque só houve nevoeiro no cimo da serra. Penso que é uma prova para ficar. Temos recebido parabéns de toda a organização».
Acácio da Silva
(Antigo atleta profissional, natural de Montalegre)
«Esta ideia é fantástica. Penso que demorou tempo a ser concretizada mas conseguimos. Todas as coisas precisam do seu tempo. Foi formidável. Para os ciclistas foi uma etapa bastante dura, mas a profissão é mesmo assim. Foi pena o Sol não ter existido. Paciência!».
Joaquim Gomes
(Diretor da Volta a Portugal em bicicleta)
«Infelizmente o tempo não foi aquele que todos nós desejávamos. Numa outra perspetiva, são estas dificuldades que acrescentam dificuldade às próprias dificuldades do relevo desta etapa. A partir de hoje demos, definitivamente, a conhecer a serra do Larouco. Uma região fantástica do concelho de Montalegre. Vai ser motivo de mais visitas em edições futuras da Volta a Portugal».
MONTALEGRE - VOLTA A PORTUGAL (3.ª ETAPA) - 2 AGOSTO 2014
MONTALEGRE - VOLTA A PORTUGAL (3.ª ETAPA) - 2 AGOSTO 2014 (Últimos 16kms)
Conteúdo atualizado em9 de janeiro de 2018às 15:44